Pedagoga mundialmente conhecida critica ensino liberal: "Isso é enganar os jovens"

Pedagoga critica modelo atual de ensino nas escolas. Reprodução: Google

Inger Enkvist, autora de livros como "Repensar a Educação" (Bunker Editorial, 2006, digital) e mais de 250 artigos científicos durante 30 anos de pesquisa, voltou a criticar duramente o modelo atual de ensino que tem sido adotado por várias escolas, dizendo que os alunos não estando mais estudando, mas ao invés disso, estão sendo enganados.

Ela já havia dito em 2017 que "a nova pedagogia promove a antiescola", explicando que "essas correntes querem enfatizar ao máximo a liberdade do aluno, quando o que ele necessita é de um ensino sistemático e bem estruturado". Dessa vez, porém, Inger vai além e detalha o seu pensamento.

"A escola deve estar consciente de que sua tarefa principal continua sendo formar os jovens intelectualmente. A escola não pode ser uma creche, nem o professor um psicólogo ou um assistente social", disse Inger, iniciando mais uma entrevista para o jornal El País.

A educadora, catedrática emérita de espanhol na Universidade de Lund, autora de vários livros no segmento de educação e ex-assessora do Governo da Suécia, criticou a forma como alguns professores têm tratado o ensino na sala de aula, sem se preocupar com a transmissão de conteúdos fundamentais, como às disciplinas básicas de ciências exatas e humanas.



"A escola é um lugar para aprender a pensar sobre a base dos dados. Isso de insistir em aprender a aprender sem falar antes de aprendizagem é uma falsidade, porque não podemos pensar sem pensar em algo. Sem dados não há com o que começar a pensar", disse ela.

"A satisfação na escola deve estar vinculada ao conteúdo: entrar numa aula e que lhe contem algo que você não sabia. Mas é preciso saber que, para entender algo novo, é necessário fazer um esforço. Além disso, é fundamental que o professor nos ensine a ler e também como nos comportar. É impossível aprender bem sem que haja ordem na sala de aula. Essa é a base principal: comportamento, leitura e avaliação pelo conhecimento", explica.



Na prática, Inger critica a ideia de que a sala de aula deve ser um lugar para abstrações, exploração do subjetivismo e excesso de flexibilidade no tocante a deixar com que o próprio aluno decida como, quando e o quê deve aprender. Isto é, uma visão muito acolhida, por exemplo, pelos seguidores de Paulo Freire.

Assim, questionada pelo El País sobre o que acha de espalhar almofadas na sala de aula para que os alunos se deitem, Inger é taxativa:



"Isso é enganar os jovens. Para aprender a escrever, uma criança precisa sentar-se bem, olhar para frente, ter lápis e papel, concentrar-se… Aprender pode ser um prazer, mas, insisto, exige um esforço e um trabalho. É preciso dizer isso às crianças. Se não, estamos enganando-as", disse ela.

"A nova pedagogia é um pensamento que se vê por toda parte no Ocidente. A Suécia a adotou nos anos sessenta. Consiste, por exemplo, na pouca gradação das notas, por isso muitos pensam que não há razão para estudar muito se isso não for se refletir no histórico escolar", critica a pedagoga.



"Dá-se muita importância à iniciativa do aluno, trabalha-se em equipe e, ao mesmo tempo em que as provas desaparecem, aparecem os projetos e o uso das novas tecnologias. Em geral, parece que se vai à escola para fazer atividades, não para trabalhar e estudar.

Dá-se mais ênfase ao social que ao intelectual. Acho que é um erro. Por um lado, os alunos com mais capacidade não desenvolvem todo o seu potencial e, por outro, os que têm uma menor curiosidade natural por aprender não avançam. Além disso, muitos gostos são adquiridos, como a história, a leitura e a música clássica.



No começo podem parecer chatos, mas, se alguém insistir para que tenhamos um primeiro contato, é possível que acabemos gostando. Atualmente, muitos jovens escolhem sem terem conhecido e, claro, escolhem o fácil", conclui. Leia a entrevista completa clicando aqui.

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