Imprensa e oposição querem isolar Bolsonaro criando divisão entre seus apoiadores


Se você fizer um levantamento sobre às principais notícias envolvendo o governo de Jair Bolsonaro nos grandes veículos de comunicação do país, verá com facilidade uma sincronização de manchetes, no sentido de destacar intrigas entre os apoiadores do atual presidente. E qual é a grande finalidade? Quem sai ganhando com isso?



Por décadas, após o regime militar, o Brasil foi governado por um eixo partidário que apenas se revesou no poder. A grande cúpula, formada por siglas como o PSDB, PMDB e PT, fatiaram o país conforme seus interesses, todos em prol de um projeto de poder que, apesar de alguns acertos, sempre visaram mais a manutenção de privilégios e uma política norteada pela cumplicidade incondicional dos seus membros.



Apesar disso, "perfis desviantes" sempre existiram, inclusive nesse meio. Quem não lembra, por exemplo, de Enéas Ferreira Carneiro, mais conhecido pelo bordão "meu nome é Enéas"? Ele era um exemplo perfeito de figuras que tentaram fazer diferença, mas foram sufocadas pelo poder da "massa".

O atual presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, desde o início da sua vida pública deu sinais de ser, também, um perfil desviante.

Por exemplo, em uma entrevista concedida ao programa Câmera Aberta, em 23 de maio de 1999, o então deputado denunciou abertamente os interesses escusos de políticos naquela época, dizendo uma das frases que seria utilizada contra ele 19 anos depois, ao afirmar que "fecharia o Congresso" se pudesse.



Outra afirmação polêmica nessa mesma entrevista foi defender a tortura de traficantes de drogas e/ou sequestradores, a fim de coletar informações que pudessem resgatar uma vítima do crime. Leia a fala de Bolsonaro no devido contexto, abaixo:

"Eu até sou favorável, na CPI do caso Chico Lopes (filiado ao PCdoB na época) que tivesse até pau de arara lá... ele merecia isso, pau de arara, funciona... Eu sou favorável a tortura, tu sabe disso, e o povo é favorável a isso também. Você pega o irmão do Jabes Rabelo com 15 kg de cocaína no lombo e acha que ele tem que ser tratado com dignidade, né... e nós aqui torturados... preocupados se nossos filhos estão sendo aliciados para o tráfico nas escolas (...). Isso é o que o pessoal chama de democracia. Essa porcaria que a gente vive hoje em dia é o que o pessoal lá de cima [políticos poderosos] chama de democracia".



A título de informação, o irmão do tal Jabes Rabelo, que teve seu mandato cassado em 1999, foi preso em 2001 por tráfico de drogas, pela terceira vez consecutiva, segundo a Folha de São Paulo.


Do Mensalão à Lava Jato - Uma mudança radical no cenário político e judicial brasileiro




Até o surgimento do escândalo do "mensalão", nome dado ao escândalo de corrupção política mediante compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, que ocorreu entre 2005 e 2006, envolvendo os principais partidos e suas lideranças durante o governo do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o cenário político e judicial no país era o mesmo há décadas.

Ninguém no Brasil acreditava na prisão de grandes empresários ou corruptos. O mensalão, todavia, abriu caminho para uma nova geração de investigadores e juízes, que escancararam para a população como líderes de grandes partidos se articulavam para se perpetuar no poder.



Lado aos desdobramentos na área judicial, a população, agora mais consciente, foi despertando para a necessidade de renovação política. A explosão das redes sociais e o acesso da internet em celulares cada vez mais modernos, os Smartfones, possibilitaram a troca de informações em tempo recorde de modo paralelo ao da grande mídia. Finalmente, o povo havia "acordado".



Às eleições de 2010 marcaram uma mudança radical no cenário político do país, pois revelou o surgimento de figuras de pequena expressão, como a então candidata Marina Silva (na época do Partido Verde - PV), ganhando fôlego diante das velhas raposas, como o também candidato José Serra (PSDB) e a indicada por Lula, Dilma Rousseff (PT).

Além desses três candidatos, não havia outros de expressão. Marina Silva fora ministra do Meio Ambiente no governo Lula e por isso ainda não representava uma mudança concreta em termos de ideologia política. Ainda assim, seus quase 20 milhões de votos (21% dos válidos) sinalizaram o que viria acontecer a partir de 2014.

A ascensão da direita na figura de Jair Bolsonaro


Em 2014 o brasileiro já conhecia seu poder de articulação independentemente da grande mídia. Um ano antes, em junho de 2013, milhões foram às ruas pedir por um novo governo, motivados inicialmente por insatisfação com aumento das passagens de ônibus em São Paulo.



A crise econômica que já assolava o país, que não cresceu mais do que 0,1% naquele ano, apontava uma recessão e desenhava o cenário para um aumento histórico da inflação. Produtos básicos como batatas, tomates, cenoura e o feijão, subiram assustadoramente os preços, ameaçando até os mais simples, enquanto o governo se afundava em dívidas para manter programas populistas, mascarando suas contas a fim de conseguir se reeleger.

Enquanto isso, no âmbito cultural, projetos de lei polêmicos ameaçavam a liberdade de expressão e afrontavam a maioria das famílias cristãs do país, que não tinham muitas vozes em sua defesa no Congresso Nacional, salvo poucos parlamentares que eram sempre expostos pela grande mídia como "fundamentalistas".



Foi nesse contexto de caos econômico, cultural, de aumento da violência, banalização da família tradicional e cerceamento das liberdades pelo "politicamente correto", que Jair Bolsonaro começou a ganhar destaque nacional por seus posicionamentos.

O surgimento da operação Lava Jato em março do mesmo ano, revelando o maior esquema de corrupção política do planeta, envolvendo os principais partidos do país, em especial a liderança do Partido dos Trabalhadores, ajudou a enterrar de uma vez por todas a dependência emocional da população da velha política, culminando nos protestos e denúncias que levaram ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016.

Do impeachment à eleição de 2018


A operação Lava Jato alcançou tanta abrangência que fez separação entre políticos e empresários corruptos, cúmplices de corruptos e os que não se corromperam. Separou até a população, moralmente, entre apoiadores do Brasil e devotos partidários, meros serviçais de ideologias.



Sobretudo, durante os anos que vão de 2014 à 2018, a população aprendeu a discernir como a grande mídia consegue influenciar o destino do país, promovendo ou destruindo a reputação dos que os grandes marajás da comunicação enxergam como aliados ou inimigos, não só econômicos, mas culturais. O peso entre economia e cultura é igual, pois alimentam o mesmo ciclo.

Assim, durante esse tempo, a figura de Jair Bolsonaro se consolidou como uma alternativa radical de mudança, não por suas capacidades "finas" ou habilidade de atrair simpatia, mas pela coragem de dizer o que muitos não dizem e o desejo de querer romper com a velha política, isto é: gestão baseada em troca de interesses e atrelada à uma ideologia alheia aos anseios da população.



Durante a campanha (informal e formal) para às eleições de 2018, não foi por acaso que Jair Bolsonaro se tornou o grande alvo a ser combatido, pois sua figura representou o colapso do poder modelador da grande mídia, cada vez que ele arregimentava seguidores nas redes sociais, assim como a queda de um império político erguido ainda no governo Collor, em 1990, e sustentado até então.

Bolsonaro abriu um canal de comunicação direta com seu eleitor, sem intermediários. Assim, conseguiu o apoio para dar andamento a projetos que há décadas permaneceram engavetados, porque não atendiam aos interesses da velha política populista, algo vencido pelo atual presidente apenas por conta da intimidade que conseguiu criar com a população.



Assim, mesmo sem negociatas previamente agendadas, Bolsonaro conseguiu se eleger prometendo realizar a reforma da previdência e aprovar medidas anti-crimes que seriam um marco para a população, algo que nenhum dos governos anteriores fizeram em décadas de gestão.

Após eleição, os três primeiros meses de Jair Bolsonaro


A grande mídia não conseguiu implodir a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro por meio da difamação moral. A oposição política também não conseguiu impedir a eleição do capitão do Exército pelo isolamento partidário. Uma tentativa de assassinato também não conseguiu parar o atual presidente.



Então, qual é o único meio possível de deter a ascensão e sucesso político de Jair Bolsonaro? A resposta parece simples: destruindo a sua base de apoio! E quem é a principal base de apoio do governo? Primeiramente, a população, que se uniu para o eleger. Em segundo, líderes religiosos e algumas figuras políticas experientes, com alto poder de articulação.



Em apenas três meses de governo Bolsonaro conseguiu alavancar a imagem do Brasil no exterior, atraindo investimentos. Sua aproximação com os Estados Unidos e Israel fizeram isso. Nesse mesmo tempo um projeto de combate ao crime, apresentado pelo juiz Sérgio Moro, ícone da Lava Jato, e um texto para reforma da previdência, do economista Paulo Guedes, também já foram apresentados, e estes são apenas dois exemplos de iniciativas importantes iniciadas em pouco tempo.



O ritmo está acelerado. Assim, se o governo não for barrado o mais rápido possível, a oposição e todos os seus tentáculos (imprensa, políticos corruptos e cúmplices, por exemplo) ficarão cada vez mais para trás diante do possível sucesso das medidas. A única forma de impedir isso é implodindo o governo por dentro.

Rodrigo Maia e Hamilton Mourão - Os elos frágeis


Seguindo a estratégia de implodir o governo Bolsonaro por dentro, a oposição política e a grande imprensa (que nesse caso diz respeito aos interesses culturais) vem buscando explorar o máximo possível os elos fracos na base de apoio ao governo, a fim de criar brechas de influência.

É por essa razão que após algumas declarações "suaves", agradáveis para os ouvidos até do psolista Jean Wyllys, o general e vice-presidente Hamilton Mourão tem sido destaque em muitas entrevistas. A imprensa o procura e quer saber sua opinião sobre pautas do governo, porque sabe que ele, se não tiver seguro acerca do que pretende, será um causador de problemas.



O mesmo ocorre com o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que deixou transparecer uma estranha rejeição ao avanço do projeto de lei anti-crimes do ministro Sérgio Moro, poucos dias antes do seu sogro, Moreira Franco, assim como o ex-presidente Michel Temer, serem presos em mais um desdobramento da Lava Jato.

Maia, que também é investigado por corrupção, passou a destilar críticas ao governo Bolsonaro e ao próprio juiz Sérgio Moro, ameaçando abandonar o trabalho de articulação para a reforma da previdência e também a aprovação do projeto anti-crime de Moro. Isso tudo, cada vez mais incitado pela mídia, que não por acaso lhe questiona sobre a "postura do governo".



Ao mesmo tempo, outras figuras políticas e civis de peso no apoio ao governo, como o pastor Silas Malafaia e o escritor Olavo de Carvalho, trocam farpas nas redes sociais sobre a influência de evangélicos e católicos no combate à ideologia comunista, no apoio ao presidente Bolsonaro e outras questiúnculas, algo que recebeu destaque da imprensa esta semana.

Esta é, portanto, a estratégia para a destruição do governo Bolsonaro:

Vasculhar diariamente minúcias entre os seus apoiadores, jogá-los uns contra os outros; dar destaque meteórico ao "conflito" forjado; inflar o ego dos elos fracos para induzi-los ao erro; propagar a ideia de uma gestão fracassada e de um governo isolado; dividir a população pelo sentimento de insegurança e incitar a retomada de poder mediante alguma voz de liderança oportunista.

O remédio


Brechas são fechadas quando identificadas. O governo Bolsonaro, se quiser continuar sua gestão como deve, deverá fechar suas brechas ,e a maior brecha neste governo até o momento diz respeito à comunicação, oficial e extraoficial.



É bom que os filhos do presidente sejam participativos, mas eles precisam entender a estratégia da mídia, descrita acima, para saber que não podem utilizar suas redes sociais como fonte alternativa de informações acerca da presidência. Uma coisa é criar informação e outra é replicar. Os filhos de Bolsonaro precisam replicar mais e criar menos.

O mesmo vale para o vice-presidente Mourão. Suas opiniões precisam estar alinhadas com o governo no sentido de apoiá-lo e não de divergir, revelando suas forças e não fraquezas. Críticas devem ser realizadas de portas fechadas e não em uma entrevista para a Rede Globo.



Aos demais apoiadores, conhecer a estratégia da oposição neste momento e no futuro é o primeiro passo para saber se posicionar. Obviamente, não se trata de apoio incondicional, visto que o foco é o Brasil e não figuras políticas. Entretanto, saber discernir o que são crises reais e construídas é fundamental.

Quanto a Rodrigo Maia e outros semelhantes, talvez a própria justiça dê conta do recado.


Por: Will R. Filho

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