Maia, que tentou desqualificar projeto anti-crime de Moro, é investigado por corrupção


Uma matéria publicada em janeiro desse ano revelou como andam as investigações envolvendo o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, denunciando que até então a Procuradoria Geral da República, comandada por Raquel Dodge, não se manifestou sobre o caso.



"Quase dois anos depois de a Polícia Federal apontar a existência de indícios de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cometeu os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) até hoje não se manifestou sobre eventual denúncia ou arquivamento do caso", diz um trecho da matéria publicada no Valor.

Maia estranhamente acusou recentemente o ministro da justiça, Sérgio Moro, de plagiar de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal o seu pacote anti-crimes, desqualificando a proposta de Moro, a qual, segundo ele, não terá prioridade na votação da Câmara.



"Ele está copiando o projeto do ministro Alexandre de Moraes, copia e cola", disse Maia sobre o projeto de Moro. "Não tem nenhuma novidade... poucas novidades no projeto dele. Nós vamos apensar um ao outro. O projeto prioritário é do ministro Alexandre de Moraes".

Agora, com este ataque gratuito ao ministro da justiça, ícone da Operação Lava Jato, não por acaso Maia tem o seu passado político trazido à tona, onde é relembrado o surgimento do inquérito que deu início as investigações envolvendo o seu nome.



"O inquérito foi aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) em maio de 2016 e está em sigilo. Por esse motivo, o Ministério Público Federal diz não poder dar detalhes do caso. Assim que Dodge se manifestar, o Supremo vai decidir o futuro de Maia e se acolherá pedido da procuradora-geral para que vire réu ou para que se arquive o caso", continua a matéria.

Como se isso já não fosse estranho o suficiente, na manhã desta quinta-feira (21/03) a Polícia Federal prendeu o ex-presidente Michel Temer e seu ex-ministro, Moreira Franco, que é sogro de Rodrigo Maia, por terem supostamente praticado crimes de corrupção.

O Valor continua, detalhando as denúncias que agora parecem soar como uma música de terror nos ouvidos de Maia:



"O relator do inquérito é o ministro Edson Fachin, responsável pela Lava Jato na corte. De acordo com relatório da Polícia Federal, o parlamentar prestou favores à empreiteira OAS em troca de doações eleitorais. A investigação teve como base supostas mensagens de celular trocadas entre Léo Pinheiro, ex-presidente da construtora, e Maia.

Reportagem da Folha de S.Paulo de 2016 revelou que, no celular de Pinheiro, havia mensagens de uma pessoa identificada como Rodrigo Maia com pedidos de doação, encontros e conversa sobre projetos do Congresso. 'A doação de 250 vai entrar?', diz mensagem de um número identificado como o do deputado do DEM, em 17 de setembro de 2014. Em 26 de setembro, ele reitera: 'Se tiver ainda algum limite pra doação, não esquece da campanha aqui'.



Naquele mesmo mês, o então presidente da OAS encaminha para um destinatário desconhecido outra mensagem supostamente recebida de Rodrigo Maia. 'Saiu MP nova. Trata de programa de desenvolvimento da aviação regional. Prazo de emenda até 8/8'. Léo Pinheiro completa com um comentário: 'Vamos preparar emendas'.



A OAS fez doações naquele ano para César Maia, pai do presidente da Câmara, que foi candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro. Desde que os autos do inquérito voltaram para a PGR, novas informações da Lava Jato do Paraná também foram adicionadas. Também se aguardou o andamento de acordos de colaboração que estavam em negociação, porque havia a expectativa de que seriam úteis no caso", explica o texto.

A suspeita de envolvimento de Rodrigo Maia com doações ilegais feitas pela OAS não é a única investigação envolvendo o crítico do pacote anti-crime de Sérgio Moro. Maia também é investigado por supostos repasses da Odebrecht, o que já foi negado por ele.



"Ele apareceu na delação premiada de executivos da empreiteira. Além das explicações do episódio específico, a PGR informou de forma genérica que os inquéritos são trabalhados de acordo com determinados critérios de 'natureza fática' ou 'jurídica', como as investigações nas quais ocorreria a perda de foro perante o Supremo Tribunal Federal", conclui o texto.

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