Físico brasileiro reconhecido mundialmente diz que "o ateísmo é inconsistente"


Esta semana foi divulgado o ganhador do prêmio Templeton 2019, considerado o Nobel do diálogo entre ciência e espiritualidade. E dessa vez quem levou a melhor foi o brasileiro Marcelo Gleiser, que além do reconhecimento pelo seu trabalho, vai embolsar cerca de R$ 5 milhões.

Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, Gleiser mora desde 1986 nos Estados Unidos. Entretanto, ele ficou conhecido nas terras tupiniquins por apresentar a série de 12 episódios ‘Poeira das Estrelas’, exibida no Fantástico, em 2006.



No exterior, Gleiser se especializou em cosmologia e desde 1991 dá aulas de filosofia natural em Appleton e física e astronomia no Dartmouth College em Hanover, New Hampshire, EUA.

O destaque no trabalho de Gleiser está em sua contribuição para o diálogo entre fé e ciência, o que para ele é perfeitamente compatível, seguindo determinados princípios, obviamente.



"[Ele é] Um dos principais proponentes da visão que ciência, filosofia e espiritualidade são expressões complementares que a humanidade precisa para abraçar o mistério e explorar o desconhecido", diz Heather Templeton Dill, presidente da fundação John Templeton, responsável pela premiação.

Diferente do que alguns da mídia divulgam, Gleiser não é ateu. Ele é na verdade agnóstico. Ou seja, acredita ser impossível comprovar a existência de Deus por meio do conhecimento humano. No entanto, perceba que esse conceito não nega a existência do Criador, mas apenas se abstém de afirmações absolutas.



Assim, nas palavras do próprio Gleiser, "o ateísmo é inconsistente com o método científico", disse ele à Agence France-Presse. “O ateísmo é uma crença na não-crença. Então você nega categoricamente algo contra o qual não tem provas. Mantenho a mente aberta porque entendo que o conhecimento humano é limitado”.



Dessa forma, Gleiser admite que por falta de certezas não pode dizer que Deus não existe, assim como não diz que Ele exista. Ele prefere percorrer o caminho da dúvida, avaliando o mundo com as lentes da ciência.

“A ciência não mata Deus”, diz ele. “Quando você ouve cientistas muito famosos fazendo pronunciamentos como ‘a cosmologia explica a origem do universo’ e ‘não precisamos mais de Deus’, é um absurdo completo, porque nós não explicamos a origem do universo”



Para autores como Norman L. Geisler, no entanto, autor do livro "Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu", Gleiser pertente ao grupo de cientistas que possuem "indisposição mental" para admitir o que a própria ciência, através da natureza, revela ser a prova da existência de Deus.

A concepção de Norman é resultado de trabalhos como o do cientista molecular Michael Behe, autor do livro "A Caixa Preta de Dawin", onde mostra ser impossível a vida ter surgido mediante um processo evolutivo. Ou ainda, de Francis Collins, autor de "A Linguagem de Deus" e responsável pelo mapeamento genético humano, conhecido mundialmente pelo termo "Projeto Genoma".



Desses trabalhos partiu o conceito denominado "Complexidade Irredutível", de onde origina-se a Teoria do Design Inteligente, ou "Projeto Inteligente", que tem como um dos principais defensores o filósofo evangélico Alvin Plantinga, ganhador do Templeton 2017.


Por: Will R. Filho

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