Ameaças de Rodrigo Maia ao governo soam como chantagem de criança birrenta


Após a troca de farpas entre o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da justiça, Sérgio Moro, foi a vez do filho do presidente Jair Bolsonaro alfinetar o genro de Moreira Franco, preso nesta quinta-feira (21) pela Polícia Federal por suposto crime de corrupção.

Carlos Bolsonaro, por sua vez, twittou: "Há algo bem errado que não está certo!". O tom irônico não foi por acaso. Ele se deve às críticas que Rodrigo Maia fez ao pacote anti-crime de Sérgio Moro, dizendo que não daria prioridade em sua aprovação, além de acusar o juiz de ter cometido plágio.



Após a prisão de Moreira Franco, sogro de Rodrigo Maia, e do ex-presidente Michel Temer, um forte aliado político, a associação do caso com as críticas ao juiz Moro foram inevitáveis, de modo que até o filho do presidente Bolsonaro deixou escapar uma indireta.

Irritado com a situação, Maia assumiu outra postura em relação ao principal projeto do governo, que é a aprovação da reforma da previdência, adotando um tom de chantagem e ameaça, como se fosse uma criança dona da bola em uma partida do futebol.



"Rodrigo já comunicou para a gente que não vai ser o articulador político do governo", disse Elmar Nascimento, líder do DEM na Câmara dos Deputados, segundo o Infomoney. "Ele está fora de ser interlocutor" e "está no quadrado dele na Câmara".

Para a jornalista Mônica Bergano, o - jogador magoado - Maia confirmou a decisão. "O papel de articulação do executivo com o parlamento nunca foi e nunca será do presidente da Câmara", disse ele.



Com isso, o Rodrigo Maia que andava de mãos dadas com o governo e se mostrou interessado em ajudar na aprovação da reforma da previdência, sai de cena carregando a bola da vez, que é a decisão de colocar o projeto em votação.

O fato é que, independente disso, tal atitude, associada aos recentes desdobramentos da Lava Jato e críticas ao pacote anti-crime de Sérgio Moro, soam mal, muito mal para o presidente da casa, que agora vê o seu nome fortemente criticado, não pelo governo, mas antes pelos brasileiros.



Maia não entendeu que a bola da vez, na verdade, está com a população, que já não depende mais da grande mídia para se informar, se articular, pressionar e cobrar respostas do governo. Assim, ameaçar atrapalhar o andamento de projetos importantes para o país é se mostrar contrário à população, algo que certamente não cairá bem em sua ficha.


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