A mídia mente - Atirador de mesquita já se declarou comunista e admirador da China


O assassino que matou a tiros 50 pessoas em duas mesquitas, em Christchurch, na Nova Zelândia, na sexta-feira passada, foi identificado como o australiano Brenton Tarrant. Ele se disse inspirado no norueguês Anders Behring Breivik, que em 2011 assassinou 77 pessoas, em Oslo e Utøya (outra influência foi Dylann Storm Roof, que executou 9 pessoas em uma igreja evangélica em Charleston, nos Estados Unidos).



Na época do ataque na Noruega, jornalistas (inclusive da GloboNews) identificaram Breivik como “cristão fundamentalista” – e a suposta identificação do norueguês como “cristão” serviria para fixar a noção de que tal violência assassina seria um fenômeno supostamente “religioso”, comum a radicais cristãos e muçulmanos.

Só que, em 2015, Breivik, em cartas enviadas ao jornal norueguês Dagen, disse que “não é, e nunca foi cristão”, e que acha que há poucas coisas no mundo mais “patéticas” do que “a figura de Jesus e sua mensagem”. Ele disse que ora e oferece sacrifícios a Odin e identifica sua religião como o “Odinismo”.



Agora, de novo, jornalistas (inclusive, claro, da GloboNews) rapidamente identificaram Tarrant como um “terrorista de direita”. Quando o manifesto que ele escreveu, “A grande substituição”, veio a público, ele passou a ser caracterizado como de “extrema-direita”. Só que ele escreve que foi “um comunista, depois um anarquista, e finalmente um libertário, antes de vir a ser um eco-fascista”.


 Ele também diz que o político que ele mais admira é Sir Oswald Mosley, líder da União Britânica de Fascistas, que apoiou os Nacional-Socialistas alemães antes da II Guerra Mundial. E escreve que “a nação com os valores políticos e sociais mais próximos da minha é a República Popular da China”.

A confusão que jornalistas e políticos fazem com as classificações do espectro político, tais como “direita” e “extrema-direita” só mostra como o uso destas se tornou problemático e estereotipado.



Somente por meio de lógica tortuosa um assassino que se rotula como eco-fascista e admirador da China comunista pode ser rotulado como de “direita” ou “extrema-direita”. Por outro lado, os ditadores de Venezuela, Nicarágua, Cuba e China nunca são rotulados como de “esquerda” ou “extrema-esquerda” nos meios de comunicação.

Em situações assim, pode-se perceber o fracasso da imprensa e políticos em entender as reais causas deste tipo de ação criminosa. No fim, o que jornalistas e políticos oportunistas parecem querer é impor à direita e aos cristãos a responsabilidade por essas atrocidades. Esse tipo de discurso, além de desonesto e preconceituoso, é explosivo e divisionista.



Devemos lamentar a perda de tantas vidas, em assassinatos sem sentido ou propósito – e que refletem como a atual sociedade carece de direções éticas e senso de propósito, que têm sido, infelizmente, encontrados em religiões políticas totalitárias.


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