Psicoterapeuta processa Nova York por não poder atender homossexuais em conflito


Um psicoterapeuta judeu ortodoxo do Brooklyn, EUA, está processando a cidade de Nova York em um tribunal federal, devido a proibição de atendimentos que visam lidar com a atração homossexual indesejada ou confusão de gênero, argumentando que a lei viola a Primeira Emenda Americana que garante a liberdade de expressão.

A organização de juristas Alliance Defending Freedom (ADF) está representando o Dr. Dovid Schwartz, da Comunidade Judaica Ortodoxa Chabad Lubavitch, em sua ação contra uma lei aprovada apenas no ano passado, que proíbe atendimentos psicoterapêuticos que “buscam mudar a orientação sexual de uma pessoa ou buscam mudar a identidade de gênero de uma pessoa para se adequar ao sexo de tal indivíduo registrado em seu nascimento".

A violação consecutiva dessa lei resulta em multas de US$ 1.000, US$ 5.000 ou US$ 10.000 dólares, respectivamente.



A ADF diz que Schwartz, que possui 40 anos de experiência como psicoterapeuta, atendeu numerosos pacientes que vieram até ele buscando a possibilidade de experimentar a atração heterossexual para ter famílias, e que por ser ele judeu, se conformam com suas crenças religiosas. O trabalho de Schwartz consiste apenas de fala e escuta.

"Quase todos os pacientes do Dr. Schwartz compartilham sua fé, e eles valorizam seu conselho sobre questões de sexualidade e família, em parte porque sua perspectiva é fundamentada em sua fé judaica, que é compartilhada com respeito pelos ensinamentos da Torá", disse a assessora jurídica da ADF, Jeana Hallock. "O governo não tem o direito de ditar os objetivos pessoais que um paciente busca com seu terapeuta".

"É difícil imaginar uma violação mais direta da liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda do que a tentativa da cidade de Nova York de regular as sessões privadas entre um adulto e seu conselheiro", declarou outro advogado da ADF, Roger Books. "O regulamento da cidade é sem precedentes e ameaça atrapalhar os pacientes do Dr. Schwartz e as vidas que eles decidem seguir."



Em entrevista à PJ Media, Hallock acrescentou que o conselho da cidade está atualmente solicitando denúncias anônimas sobre os infratores da lei. Schwartz "mantém uma agenda muito, muito ocupada", disse ela, muitas vezes trabalhando até às 23h e servindo à comunidade há 40 anos.

Defensores das proibições de terapias “reparativas” ou “de conversão”, como Zack Ford, do esquerdista Think Progress, afirmam que “toda grande organização médica condenou a prática como ineficaz e prejudicial”.

Mas, muitos ex-homossexuais, como Angel Colon e Drew Berryessa, atestam o sucesso dos tratamentos ao melhorarem suas vidas. Eles dizem que querem que outros que lutam contra a atração indesejada pelo mesmo sexo tenham às mesmas opções que os beneficiaram.

“Enquanto me recuperava no hospital, tive tempo para refletir, disse Colon. "Eu quero que os outros tenham a liberdade de experimentar isso".

Comentário:

É um erro permanente associar a existência de ex-homossexuais à conversão religiosa. Isso é o que a grande mídia faz e muitos profissionais da saúde mental também, sem perceber, contudo, que isso termina deslegitimando a abordagem científica das psicoterapias que lidam com mudança de orientação sexual. Na verdade, não é necessário haver qualquer vínculo religioso para que uma pessoa decida mudar sua atração sexual.


Em primeiro lugar, porque tal mudança é possível uma vez que o comportamento humano é fluido e constantemente mutável. Nenhum profissional pode, em termos absolutos, dizer que "sim" ou "não" sobre tais mudanças. Há apenas possibilidades que se revelam de modo singular em cada caso, e é justamente por isso que a liberdade científica deve ser o norte do profissional que lida com o comportamento humano.

Em segundo, porque o que origina o desejo de mudança é a própria situação de sofrimento em que vive uma pessoa. A religião, na verdade, surge muito mais como um suporte, ponto de apoio em que esses indivíduos encontram para se fortificar e seguir convictos em seus valores, o que é bom na maioria das vezes.

O propulsor da mudança, no entanto, é a angústia - prévia - que muitas vezes existe desde à infância, fazendo que essas pessoas busquem ajuda para compreender a razão de tal sofrimento.

Quando esse sofrimento é desvendado, podendo ser compreendida sua origem, é o próprio indivíduo que tem a opção de escolher qual caminho seguir, e isso no set terapêutico não tem relação alguma com religião.

O que o corre, portanto, é que na maioria das vezes o desejo de se libertar de tal sofrimento implica em querer mudar sua orientação, e isso é algo que o psicoterapeuta deve apenas respeitar quando se trata de uma escolha voluntária, pessoal e que aponta para a felicidade do seu paciente. É por essa razão que leis como a de Nova Yook prejudicam, sim, o exercício da psicoterapia, porque interferem diretamente na liberdade de decisão e consequente mudança de comportamento dos próprios indivíduos.

Comentário: Will R. Filho

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