"Nunca me calei e não será agora", diz psicóloga ao criticar Damares Alves


A psicóloga Marisa Lobo criticou a fala recente da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, ao massagear um pouco o ego das feministas dizendo que se fosse preciso, sairia com elas nas ruas "de braços dados" para protestar em favor de interesses comuns.

"Tem pautas feministas que eu abraço", disse Damares ao jornal Folha de São Paulo. "Por exemplo: salários iguais entre homens e mulheres e luta contra a violência. Se for para eu e as feministas irmos para as ruas de braços dados contra isso, eu vou. Mas sem o exagero de seios à mostra".



Marisa Lobo, que há anos luta contra o ativismo político-ideológico de movimentos como o LGBT e feminista, sendo uma das principais apoiadoras de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial, lembrou que salários iguais entre homens e mulheres já é uma garantia da Constituição Federal e criticou a ministra.

"Desnecessário esta declaração da ministra. Lutamos contra o feminismo e não precisamos ir as ruas para lutar por salários, já é lei. Nenhum homem pode ganhar mais que a mulher por ser homem. É uma fala equivocada", frisou Marisa em sua rede social.

"Sei que alguns virão me criticar, mas meu legado é por dizer verdades. Quando fizer coisas boas elogiarei ( sou justa) mas as falas equivocadas vou criticar sim, criticas construtivas merecem atenção de gestores competentes, se não gostam, é preocupante. Nosso presidente jamais concordaria com essas falas", acrescentou a psicóloga.



Damares Alves parece querer apagar um pouco a imagem atribuída à ela pela mídia, de uma religiosa e militante ultra-conservadora, demonstrando alguma flexibilidade com os interesses dos grupos de esquerda.

Entretanto, essa preocupação pode se tornar preocupante se não for dosada, porque pode criar margem para a flexibilização de outras pautas contrárias aos ideais do governo e, principalmente, dos eleitores, que é a sua principal base de apoio.

Em outra postagem, Marisa Lobo disse que "tem muito 'aliado' envergonhando o Presidente e esse governo a ponto de destruir" a sua imagem, e que foi justamente para não ter que agradar a gregos e troianos com declarações "politicamente corretas" que apoiou Bolsonaro.



"Não vou deixar de dizer o que penso das atitudes equivocadas e um ministro seja ele ou ela quem for [...] Se fizerem coisas boas, vou elogiar, mas se fizerem coisas ruins (ações, falas, intromissões, perseguições, etc) vou denunciar sim", continuou a psicóloga, indicando que por suas posições públicas pode estar sendo vítima de intimidação.

Finalmente, Marisa Lobo disse que apesar de ter conhecidos no Congresso, apoiando o governo Bolsonaro, fará o possível para colaborar dizendo a verdade, sem ter o receio de desagradar pessoas com quem já manteve amizade no passado, como a própria ministra Damares Alves, a qual já defendeu em outra ocasião.

"Nunca me calei e não será agora. Todas as bandeiras pelas quais lutamos, terão que ser respeitadas, pois foram elas que elegeram este governo. Não vou ficar refém de conhecidos, amigos que ocupam cargos hoje no governo federal", conclui Marisa.

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