Mourão - o falante - defende o aborto como uma escolha da mulher


Parece que o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, está mais preocupado em se mostrar "aceito" pelo politicamente correto do que se alinhar com a agenda do seu titular, o presidente Jair Messias Bolsonaro.

Após defender a saidinha de Lula para o enterro do irmão esta semana, por razões "humanitárias", e lamentar a saída teatral de Jean Wyllys do país, o general achou por bem defender a prática do aborto como decisão exclusiva da mulher.

O posicionamento de Mourão é justamente o que defende o movimento feminista, sendo esse o fundamento de toda a argumentação dos que desejam descriminalizar e legalizar o aborto no país.



Ele disse ao jornal O Globo, sobre questões de "gênero", o seguinte:

"A questão do aborto também é algo que tem que ser bem discutido, porque você tem aquele aborto onde a pessoa foi estuprada, ou a pessoa não tem condições de manter aquele filho. Então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer 'preciso fazer um aborto'".

Como é possível observar, Mourão vai além das situações de estupro, cujo o aborto já é previsto no Código Penal Brasileiro. Ele acrescenta o simples fato de não poder "manter aquele filho"  como justificativa para assassinar um bebê no útero materno.

Se a decisão fosse, de fato, uma escolha da mulher, o Estado já não poderia interferir, ficando obrigado a fornecer todos os recursos necessários para a prática do aborto. Na prática, é a descriminalização e legalização oficializados. É isso o que defendeu implicitamente o Mourão.



Um dos pilares da agenda de Bolsonaro, no entanto, é justamente o combate ao aborto, ideologia de gênero e outras pautas progressistas. Foi isso que o elegeu, por se tratar da vontade popular amplamente conservadora, diferente do que veicula a grande imprensa.

Mourão sinalizar flexibilidade quanto à essas questões vai na contramão do seu presidente, seus eleitores e sua agenda, colocando em risco a própria estabilidade moral do governo. O que fica implícito, entretanto, é que o general gosta de chamar atenção e uma vez no poder, está mais preocupado em "agradar" do que cumprir o seu devido papel de vice.

Felizmente a hierarquia na Presidência da República não é a mesma dos militares em exercício ou na reserva, e tomara que continue assim.

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