MC Loma e as Gêmeas da Lacração - Como a pobreza musical vira sucesso no Brasil


A cultura musical brasileira nunca esteve tão defasada como no momento atual. Esqueça os grandes ícones da MPB, do pop, rock, das canções de raiz ou sertanejo nacionais, até mesmo do velho funk de protesto. Não é por acaso que você praticamente não assiste mais bandas e cantores de referência na televisão.

O que se ouve nas ruas, rádios e programas de auditório em horário nobre da TV são mesmo músicas pobres em todos os aspectos, e o sucesso "Malévola", da MC Loma e as Gêmeas da Lacração, é apenas um exemplo estarrecedor disso.

Com apenas algumas horas de publicação, o novo clipe das adolescentes que formam o trio MC Loma e as Gêmeas da lacração, já ultrapassou a marca dos 5 milhões de visualizações no YouTube, ficando em primeiro lugar nas pesquisas da plataforma e entre os assuntos mais comentados no Twitter, superando em números a MC Anitta, já consagrada dentro e fora do Brasil.



A música "Malévola", que faz alusão a um filme da Disney, é a nova aposta do trio que já fez sucesso no carnaval do ano passado, com o hit "Envolvimento". Depois disso, o grupo composto por adolescentes foi proibido de fazer shows pela justiça de Pernambuco, de onde são naturais.

O motivo? MC Loma, que atualmente possui apenas 16 anos, não estava matriculada em nenhuma escola, como determina a lei. Desde então elas ficaram sem poder fazer gravações e apresentações. Após voltar a estudar, no entanto, Loma conseguiu autorização para gravar "Malévola", apesar de ainda continuar proibida de se apresentar.

O cenário do sucesso


O sucesso musical no Brasil que atualmente herda a cultura da "Pátria Educadora" dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff, possui a mesma receita: corpos seminus, danças pornográficas, letras de duplo sentido condensadas em uma ou, no máximo, duas estrofes, coro "chiclete", melodias de quatro notas e um visual bizarro. Afinação vocal, por exemplo, não é mais uma exigência.



Essa fórmula vale para qualquer gênero musical. Entretanto, é no funk carioca e suas variações regionais onde ela está mais em evidência atualmente. Alguns anos atrás foi a vez do brega melódico, especialmente na região Nordeste, que logo em seguida perdeu espaço para o sertanejo universitário no âmbito nacional.

Com o auxílio da internet, especialmente do Youtube e Spotify, é mais fácil aparecer "novidades" de baixo nível, visto que o público ali mais assíduo é mais jovem e, portanto, menos crítico no tocante à qualidade musical, dado a pouca experiência.

Isso pode explicar em parte como produções tipo "Malévola" e outras mesmices musicais produzidas por "MCs" e outros conseguem tanta repercussão.



Além disso, sem dúvida alguma o forte incentivo da grande mídia, promovendo esse tipo de conteúdo de forma positiva e sem qualquer teor crítico, é o que realmente produz a - cultura ruim - que precisamos digerir atualmente. Uma verdadeira idiotização em massa.

Não é uma crítica ao gênero


Por fim, "gosto é gosto", como muitos já sabem, mas não é por isso que deixamos de avaliar criticamente o que é o gosto do outro, pois diferenças na preferência musical não é a mesma coisa que pobreza técnica e intelectual.

Isso vale para todos os gêneros musicais, pois falta de afinidade com "A" e sim com "B" não impede o reconhecimento do que é feito de bom e ruim em ambos.

A crítica vai além do que significa diferença de gosto. Ela atinge mesmo o que pode ser classificado como a falta de gosto, propriamente, porque até o gosto considerado "ruim" não pode ser confundido com qualquer coisa berrando em um microfone.

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