Psicóloga rebate o CFP e defende nota técnica do Ministério da Saúde


O Ministério da Saúde publicou esta semana a Nota Técnica n. 11/2019, que define novas políticas de Saúde Mental, e como já era esperado, a grande mídia em harmonia com algumas entidades, entre elas o Conselho Federal de Psicologia (CFP), se manifestou em peso contra o documento, distorcendo seu conteúdo para fins de manipulação político-ideológica.

Quem também se manifestou foi a psicóloga e escritora Marisa Lobo, porém, rebatendo de forma contundente a nota de repúdio lançada pelo CFP e defendendo o documento do governo. "Você psicólogo ativista, ignorante, pare de militar politicamente e seja cientista", escreveu ela em sua rede social.



A polêmica acerca do documento é basicamente por cinco motivos, resumidamente, como segue:

01 - Segundo a nota, o Ministério da Saúde passará a incluir na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) hospitais psiquiátricos, que agora terão apoio financeiro do governo;

02 - Às comunidades terapêuticas (locais geralmente mantidos por instituições religiosas para o acolhimento e tratamento de dependentes químicos), também fará parte da RAPS e contará com apoio financeiro, se preciso;

03 - O tratamento da eletroconvulsoterapia (vulgarmente chamado "tratamento de choque") também será adotado e aparelhos serão comprados pelo governo com essa finalidade;



04 - O combate à dependência química terá como perspectiva principal a abstinência do usuário, retirando dele o acesso às drogas;

05 - Não haverá legalização ou descriminalização das drogas no Brasil.

Vale destacar, no entanto, que nenhuma das políticas atuais de humanização e reinserção das pessoas com transtornos mentais e dependência química foram excluídas ou diminuídas. Pelo contrário! O documento enfatiza a "ampliação" dos serviços e o "avanço" no sentido de pluralizar a rede de atendimento. Destacamos abaixo:

"Para expandir e qualificar a RAPS, foi destinado pelo Governo Federal um adicional de mais de R$ 320 milhões por ano, totalizando R$ 1,5 bilhão. A RAPS foi ampliada e passa a contar com hospitais psiquiátricos especializados, hospitais-dia, unidades ambulatoriais e CAPS IV AD, além dos antigos serviços já existentes, com o objetivo de ofertar uma variedade de cuidados, que possam dar conta das diferentes necessidades dos pacientes e seus familiares. 



Marisa Lobo defende a nota, explicando que a Reforma Psiquiátrica foi um avanço, mas que também houveram erros no passado, devido à generalização negativa dos serviços existentes nos hospitais psiquiátricos. A profissional diz que é preciso corrigir esses erros, uma vez que há demandas que só unidades psiquiátricas são capazes de lidar.

"Infelizmente, às vezes é necessário medicar e conter o paciente contra sua vontade para preservar a vida dos outros à sua volta e dele próprio. A política anti-manicomial foi importante sim, mas para acabar com abusos. [Ela] condenou milhares de pessoas pela falta de tratamento eficaz. A reforma psiquiátrica foi utilizada politicamente e conduzida por muitos ativistas que não olharam o todo da doença mental", escreveu Marisa.

Sobre a possibilidade do tratamento da eletroconvulsoterapia, Marisa lembrou que há uma imagem negativa quanto a isso devido ao passado e produções fictícias de filmes e novelas, mas que na atualidade se trata de um procedimento seguro e eficaz.

"Vocês sabem o que é? Sabem em que circunstâncias é indicado?", pergunta a psicóloga."Sabem que é feito com paciente anestesiado e sedado e por profissionais altamente capacitados, e que em nada tem a ver com as cenas absurdas de novelas ou filmes (ficção)?".



"Não julguem o que não entendem. Vocês têm ideia de como tratar um surto psicótico? Já viram um paciente em surto? Já viram quão violento um paciente assim pode ficar? Pois esse tratamento modernizado e humanizado pela tecnológica é comprovado mundialmente sua eficácia", defende a psicóloga, que continua:

"Criar mais leitos de internação em hospitais psiquiátricos é essencial, tem muita demanda, mães vivem nas portas de clínicas, hospitais, comunidades, atrás de nós profissionais sérios pedindo pelo amor de Deus um lugar para internar e salvar a vida de seus filhos. Muitos vêem seus filhos morrerem por falta de assistência.

Ou seja em casos graves, é necessário muitas vezes contenção e ou internamento. A reforma psiquiátrica não funcionou, apenas abriram os manicômios e jogaram nas ruas seus doentes. Como consequências, hoje temos uma população de pacientes psiquiátricos desassistida por falta de vagas em hospitais de referência e falta de investimentos em políticas públicas sérias e eficazes.

E a política de redução de danos aos usuários de drogas? É totalmente ineficaz, nunca funcionou! 30 anos de aplicação desta política de 'redução de danos', vejam por si mesmos como aumentou o número de usuários e dependentes. Visitem às cracolândias e vejam se a política foi bem sucedida. Muita gente ignorante e mal informada", conclui Marisa.

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