Maduro diz para Guaidó convocar eleições "para dar-lhe uma derrubada com votos"


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu nesta terça-feira ao líder do parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como governante interino por quase 50 países, que convoque eleições presidenciais.

"Que o senhor palhaço convoque eleições (...) para que possa derrubá-lo bem derrubado, com votos, como é devido", disse o líder chavista durante um ato de graduação de médicos em Caracas.



Guaidó se autoproclamou em janeiro como presidente em exercício por considerar que Maduro "usurpa" a presidência, uma vez que afirma que obteve a reeleição em pleitos tachados de fraudulentos.

"Por que o pretenso autoproclamado não convocou a eleições, por que não convoca eleições para dar-lhe uma derrubada com votos do povo? Convoque eleições, senhor autoproclamado, senhor palhaço" continuou Maduro, em alusão a Guaidó.

A mensagem de Maduro acontece no mesmo dia em que o parlamento venezuelano, liderado por Guaidó, decidiu reformar o sistema eleitoral - que consideram enviesado a favor do governo - para convocar novas eleições presidenciais no menor prazo possível.



Guaidó conta com o reconhecimento da maioria de países da União Europeia (UE) e das Américas, que respaldam sua rota proposta que inclui um governo de transição e eleições livres.

O líder opositor também pretende fazer entrar no país no sábado doações feitas por vários governos e empresas para atenuar a severa crise sanitária e alimentícia que assola o país há anos.

Maduro rejeita estas doações por considerar que se trata de um "show" político, embora nos últimos dias tenha aceitado "assistência humanitária" de governos aliados ideologicamente como China, Rússia e Cuba.

Comentário:

O grande problema das eleições na Venezuela não é simplesmente a existência delas, mas como elas ocorrem. Quando se trata de regimes autoritários, a fraude é praticada mediante o controle do processo eleitoral. É por essa razão que órgãos internacionais de fiscalização das eleições, por exemplo, foram proibidos no país nas últimas eleições, desde o falecido Hugo Chávez.



Não basta Maduro dizer que aceita disputar uma eleição com Guaidó. Ele precisa aceitar, antes de tudo, abrir sua fronteira para observadores internacionais, imparciais ao regime, reformular o sistema eleitoral (o que o interino já está tentando fazer) para autorizar a participação de opositores (vetados anteriormente) e garantir uma apuração transparente dos votos da população.


Fonte: EFE
Comentário: Will R. Filho

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