Azul, Rosa ou Laranja? Como professora dou o recado: pais, assumam seus papéis



Por: Giuliana da Matta
Professora, Mestre em História

Azul, Rosa ou Laranja? A polêmica é velha, o assunto já foi interpretado e explicado das mais diversas formas, mas vale retomar a fala da Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos - Damares Alves - justamente neste momento em que a grande maioria das escolas da Educação Básica estão iniciando o ano letivo.

Vamos rememorar: a Ministra Damares foi centro de uma discussão, por causa de um
vídeo onde ela afirmava, “menino veste azul e menina veste rosa!”. A internet (esta entidade amorfa) ficou em polvorosa. A questão, porém, vai muito além de uma mera polêmica virtual.

São muitas variáveis envolvidas e não é possível num único texto abordar todas elas, mas tentarei falar daquelas que estão ao meu alcance. Sou professora de história do ensino fundamental e cristã, mas não sou mãe. Por isso tratarei das duas primeiras questões (a história, e o cristianismo) e quanto a última (família) apenas farei uma sugestão aos pais como verdadeiros e primeiros educadores (de educação também entendo um pouco, afinal sou professora).

O debate moderno sobre educação remonta ao Iluminismo francês. É preciso retornar ao século XVIII para entender porque a fala da Ministra Damares pareceu tão ofensiva. No livro “Os caminhos para a modernidade”, a historiadora Gertrude Himmelfarb apresenta uma consistente análise das
origens da formação de uma nova mentalidade: a mentalidade progressista, tal como a conhecemos hoje.

Para Rousseau (1712-78), segundo a autora, a educação era importante demais para ser deixada ao “preconceito” dos pais, afinal “a família se dissolve, mas o Estado permanece”.

Se você acha esse discurso distante, procure na internet [publicamos uma matéria sobre isso, basta clicar aqui] uma fala da Deborah Duprat (procuradora dos direitos do cidadão), de 2017, na qual ela alega que a educação familiar não deveria se sobrepor à educação do Estado e que a Constituição deveria ser interpretada de modo à “expurgar [...] a questão da família”.

Há uma mentalidade construída historicamente - há quase três séculos -, com o objetivo explícito de destruir (não há como usar eufemismo) a família. Porque a família é a única instituição civil capaz de se opor ao Estado. Quando a Ministra Damares afirmou que “menino veste azul e menina veste
rosa”, ela estava, na verdade, elevando o Brasil ao século XXI. Um século que deve finalmente nos desvencilhar dos regimes (ou projetos) totalitários do século XX, quando tudo deveria está dentro do Estado.



Como professora, portanto, eu deixo meu recado: pais, assumam seu papel de educadores. E não, não estou me eximindo da minha função. Pelo contrário, estou - como manda a Palavra de Deus - dando honra a quem é devida! Conheçam os professores dos seus filhos, suas crenças, suas mentalidades, suas formações. Infelizmente, esta minha postura não comum entre meus colegas de profissão. Eles acreditam, enganosamente, que, por terem um diploma conferido pelo Estado, são mais capazes de educar os filhos de vocês, que vocês mesmos, mas não são.

Cogitar a possibilidade de um governo, que não seja o Governo de Deus, se intrometer na vida privada deveria ser uma grave ofensa para qualquer cristão! Mas enquanto o pensamento totalitário se enraizava no ocidente, os cristãos foram se convencendo de que o melhor seria permanecer em um silêncio pacifista. E esqueceram que o próprio Jesus disse “não vim trazer paz, mas
espada”. Não a espada de aço, mas a espada da verdade.

Verdade de que os filhos não pertencem ao Estado, que não precisam usar macacões laranja, tal como conhecemos pelos filmes hollywoodianos. Verdade de que os pais são os primeiros e verdadeiro educadores e que os filhos devem usar azul, rosa ou a cor que eles quiserem.

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