Globo é condenada a indenizar psicólogos por manipular matéria sobre "cura gay"


Uma decisão deferida pela 25ª Vara Cível de Brasília condenou a Rede Globo de Televisão a indenizar um grupo de psicólogos que moveu uma ação contra a emissora, devido a exibição de uma reportagem em que o tema "cura gay" foi tratado de forma manipuladora e preconceituosa, manchando a credibilidade desses profissionais.

A reportagem foi ao ar no Jornal Nacional do dia 18 de setembro de 2017, intitulada “Cura gay”, onde a chamada "Terapia de Reversão Sexual" foi abordada após a decisão do juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara do Distrito Federal, acatar uma ação de psicólogos que pediram a revogação da Resolução 01/99 do Conselho Federal de Psicologia.


Essa Resolução restringe a liberdade profissional dos psicólogos no tocante ao acolhimento psicoterapêutico de homossexuais, uma vez que desconsidera a possibilidade de a orientação homossexual trazer sofrimento e o desejo de mudança, assim como ocorre com alguns heterossexuais, por motivos diversos.

A Rede Globo, todavia, não exibiu a justificativa científica da ação movida pelo grupo de psicólogos, apresentando a reportagem de modo parcial e traçando o perfil dos profissionais como preconceituosos. Assim, o grupo entrou com uma ação na justiça pedindo o direito de resposta à reportagem e a condenação da emissora por danos à imagem dos profissionais.

Vitória dos psicólogos


Na sentença de condenação, de número 0715706-80.2018.8.07.0001, o juiz responsável pelo caso deixou claro que a Globo "maculou" a imagem dos psicólogos que moveram a ação contra a Resolução 01/99.


“No campo científico da sexualidade, os profissionais podem exercer o direito de ação para buscar o reconhecimento ao direito de investigar e orientar pacientes que buscam ajuda profissional, de modo que as reportagens da empresa demandada, abusaram do direito de crítica ou de expressão, maculando a reputação dos autores”, diz um trecho.

Por fim, o juiz condenou a Rede Globo a indenizar os psicólogos envolvidos no valor de R$ 30.000,00 cada, como segue o final da sentença, segundo informações do grupo Movimento Psicólogos em Ação.

"Diante de tais fundamentos, JULGO PROCEDENTE EM PARTE os pedidos para reputar prejudicado o pedido de retratação e condenar a empresa demandada ao pagamento de danos morais no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para a primeira demandante Rozangela Alves Justino e R$ 10.000,00 (dez mil reais) a cada um dos demais autores, cujos valores serão corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês a contar da data da publicação da sentença até o efetivo pagamento. Por conseguinte, resolvo o processo, com fundamento no art. 487, I do CPC. A ação vitoriosa foi defendida pelo advogado Leonardo Loiola Cavalcanti", conclui o juiz.



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