Visando CPI, psicólogos criam canal de denúncia contra ativismo nos Conselhos de Psicologia



Após a cassação do registro profissional da psicóloga Patrícia de Sousa Teixeira, em Santa Catarina, uma reação em massa de psicólogos indignados com a atuação do Sistema Conselho de Psicologia está colocando em xeque a transparência e legitimidade dessa autarquia, alvo de críticas por esses profissionais que acreditam haver um "aparelhamento político e ideológico" no órgão.

"Não podemos admitir que um órgão público que existe para regulamentar e fiscalizar a profissão dos psicólogos no Brasil, seja utilizado como cabide de militante político, movimentos sociais e outros grupos interessados em fazer uso do nosso dinheiro para querer impor uma agenda ideológica que contraria boa parte dos profissionais, e em muitos casos a própria psicologia enquanto ciência", disse Marisa Lobo, uma das articuladoras do movimento.



Marisa foi a responsável por entregar no último dia 12 um "dossiê contra o Conselho de Psicologia" ao deputado Maco Feliciano, que prometeu abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis desvios de finalidade praticados pelos gestores da autarquia.

"Convocamos todos os alunos e profissionais que de alguma forma estão se sentindo intimidados, ameaçados ou mesmo punidos, para enviar sua denúncia para os emails que criamos, colocando seu nome e explicando a situação. Se possível mandem fotos, áudios, imagens, provando o que considera um caso de perseguição ou ativismo político e ideológico", explica Marisa.

Caso de perseguição


A própria Marisa Lobo enfrentou em 2014 um processo disciplinar movido no Conselho Regional de Psicologia do Paraná, por supostamente ter violado o Código de Ética ao vincular seu nome profissional à religião, o que foi negado pela psicóloga.

O registro de Marisa chegou a ser cassado, mas no mesmo ano a psicóloga reverteu a decisão no Conselho Federal de Psicologia, provando sua legitimidade. No ano seguinte, em 2015, Marisa foi processada novamente pelo CRP, mas dessa vez por denunciar abertamente que estava sendo perseguida politicamente pela autarquia. O órgão acionou a justiça alegando "danos morais".

Todavia, Marisa venceu novamente o CRP, enterrando de vez o processo contra ela e mostrando que a liberdade de expressão não pode ser vencida por intimidação ideológica. Entenda mais detalhes desse caso aqui.

Como denunciar?

Em resposta ao Opinião Crítica, Marisa Lobo disse que às denúncias serão selecionadas com base na relevância e disponibilidade do denunciante de oferecer mais informações e até mesmo participar, como testemunha, da Comissão Parlamentar de Inquérito que deverá ser aberta no próximo ano.

A intenção da CPI será investigar não apenas desvios de finalidade do Sistema Conselho de Psicologia, como denúncias de ativismo nos cursos de psicologia, praticado por "professores militantes", assim como a falta de apuração sobre o exercício ilegal da profissão de psicólogo no Brasil.

Às denúncias devem ser encaminhadas para os seguintes emails:

Exclusivo para alunos: denunciadealunoscrp@gmail.com

Exclusivo para profissionais: denunciadeprofissionaiscrp@gmail.com

"Há milhares de profissionais indignados com o ativismo nos Conselhos de Psicologia. Eles apenas não sabem como reagir, e por isso muitos ficam em silêncio, achando que estão sozinhos. Mas acontece que isso só piora a situação e é por isso que precisamos tomar providências em conjunto", destaca Marisa.



"Denunciar é o primeiro passo, porque assim vamos reunir provas contra esse povo que está tentando transformar a psicologia no Brasil em uma espécie de grupo com partido e ideologia próprias, o que é absurdo, porque nossa profissão é uma ciência e não um movimento social", conclui a psicóloga.



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