Professora faz discurso contra Bolsonaro em sala de aula e pais pedem o seu afastamento


O debate nacional que vem ganhando cada vez mais proporção sobre a chamada “Escola sem Partido” ganhou um caso a ser questionado em Palhoça.

Uma professora do Colégio Visão, situado no bairro Pedra Branca, causou revolta num grupo de pais de alunos por ter, segundo eles, aplicado em sala de aula um discurso contra o candidato a presidente da República Jair Bolsonaro.

Nesta segunda (1º), alguns pais foram à escola reclamar da situação, exigindo o afastamento da educadora. A instituição emitiu uma nota oficial pedindo desculpas pelo ocorrido, mas não informou se a professora será punida.

 A professora, identificada como Miramaya Jabur, conversou com os alunos de uma turma do oitavo ano. Um dos estudantes, gravou um áudio com um trecho da fala da educadora. O registro logo foi divulgado por aplicativos de conversa, onde um grupo de pais manifestou revolta com a situação. Segundo alguns pais, as posições políticas da professora vem sendo repetidas há algum tempo.



 O pai que conversou com a reportagem do Portal Palhoça é um empresário que preferiu não se identificar com medo de represálias.  Ele conta que não conhece a professora. Quando foi à escola nesta segunda (1º), às 15h, para conversar com a direção, encontrou outros pais na mesma situação.

 Em nota oficial, o Colégio Visão informou que as manifestações da professora foram de ordem pessoal e descontextualizadas. No entanto, informou que repudia atitudes de imposição ideológica por parte dos professores em sala de aula.

Confira uma transcrição dos principais trechos da fala da professora em sala de aula:

"O que ta acontecendo no Brasil?  Por que tanta gente ta se reunindo pra dizer que não, que não quer uma ditadura no Brasil, que não quer um (...) homofóbico, que não quer um cara que é machista, que é racista, que não quer nada disso. A gente tem que parar pra pensar. Por que é que tem tanta gente manifestando contra uma única pessoa, por que isso nunca aconteceu no Brasil? Então o que aconteceu sábado foi um fato histórico, foi emocionante, sábado teve uma passeata nacional contra o Jair Bolsonaro, porque domingo que vem são as eleições, e vai pro segundo turno, isso é certo.



(...)

O que aconteceu no sábado não foi uma manifestação pró PT, Pró Haddad, pró Ciro, Pró Boulos, Pró Marina, Pró ninguém. O que aconteceu no sábado foi Ele Não. O que cada um é pró, é problema de cada um. E um dos direitos no Brasil é poder não falar em quem a gente vai votar.

O que se gritou no sábado foi machistas e facistas não passarão. Pela igualdade, pelo amor, pelo fim do ódio, em nenhum momento as pessoas levantaram a bandeira do PT ou do PSDB, ou que partido for. Então a manifestação foi contra um cara ou pessoas de forma geral, que apóiam ele, que adotam posturas fascistas, racistas, homofóbicas. (...)

 Ontem eu fui dormir muito triste mesmo. Conversei com minha mãe, ela me disse que meu pai se souber que participei de um negocio desses vai morrer do coração. Eu disse, então infelizmente vai morrer do coração. Porque meu pai tem que aprender a me respeitar pela adulta que sou, pela mulher que sou. (...) Sinto muito, temos opiniões divergentes.

 Então vocês estão nessa idade, a gente não é obrigado a concordar com os pais. (...) ainda falei, pai, você tem duas filhas mulheres e um filho gay. Você tem certeza que vai votar no Bolsonaro? Vc já ta velho, ta aposentado, ta idoso, e nós estamos aqui, ó.

Vocês viram o que o vice do Bolsonaro falou agora? Que o 13º salário é um absurdo. Então se o Jair Bolsonaro ganhar, muito provavelmente perderemos o direito ao 13º e férias adicional.



 E outra, vocês sabem quem é o vice dele? É um general da ditadura. Se acontece como aconteceu, do Bolsonaro ser impedido, quem vai governar o país? É um general, daí adeus liberdade de expressão, adeus liberdade de imprensa. Adeus fazer o que quer. A gente tem que fazer o que o governo mandar, e quem não fizer vai ser torturado, vai ser morto. Gente que sumia e até hoje ninguém sabe onde é que está. Então a gente tem que pensar muito bem. Essas manifestações que estão acontecendo, elas não são a toa.

 35 mil pessoas foram pra rua aqui em Florianópolis, Não sei quantas mil em São Paulo, Rio de Janeiro, e pelo Brasil inteiro. Então a gente tem que parar pra pensar, por que é que isso está acontecendo. É uma coisa muito grave e não foi só no Brasil. Em Roma e Lisboa teve manifestações gigantescas. A Madona se manifestou pelo fim do fascismo. Porque a Madona já sofreu violência, ela já apanhou de ex-marido, então ela é totalmente contra o machismo, totalmente contra as ideias do Bolsonaro.

Parem e pensem no que está acontecendo. Reflitam sobre. E quem quiser manifestar alguma opinião pode falar, mesmo que seja discordando do que eu estou falando".

Confira a íntegra da Nota emitida pela escola: 


"Prezados Pais e/ou Responsáveis, Gostaríamos de esclarecer o posicionamento da Rede Visão de Ensino no que diz respeito a manifestações ideológicas, de ordem pessoal e descontextualizadas, em sala de aula, advindas de qualquer um dos nossos professores.



Somos uma Rede de Ensino com 35 anos de história e uma trajetória de sucesso. Juntamente com as famílias, somos responsáveis por repassar aos nossos alunos conhecimentos técnicos e gerais, que permitam uma sólida formação acadêmica e pessoal, formando cidadãos esclarecidos e preparados para vida.

Neste processo de formação, entendemos que nossa obrigação é possibilitar o esclarecimento sobre diversos assuntos, muitos deles complexos e polêmicos, por meio de nossas práticas pedagógicas, aulas, debates, trabalhos etc.

Entretanto, repulsamos qualquer atitude de imposição ideológica e pessoal de nossos professores, em sala de aula, nas esferas política, religiosa, social ou de qualquer outra natureza, independentemente de qual seja o posicionamento. Obviamente, um grupo de professores deve tratar desses assuntos como conteúdo programático, nas aulas, mas não de maneira pessoal e sim em um contexto de discussão e reflexão.

Tendo em vista os nossos manuais e regimentos internos, todo e qualquer professor que se manifestar tendenciosamente sofrerá as devidas sanções previstas.

Na referida trajetória, sempre fomos reconhecidos por uma Rede de Ensino que respeitou as individualidades de nossos pais, responsáveis, alunos e funcionários, e este é um valor que continuará a permear sempre a nossa gestão.

Por fim, gostaríamos de nos desculparmos por quaisquer transtornos gerados e reforçamos nossa total disponibilidade para outros esclarecimentos". [Para ouvir o áudio, clique AQUI].


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