O falso discurso conservador de Amoêdo sobre drogas, aborto, união e adoção homossexual

O falso discurso conservador de Amoêdo sobre drogas, aborto, união e adoção homossexual

Um dos candidatos à Presidência que vem recebendo maior atenção da grande mídia é João Amoêdo, do Partido Novo. O que nos chama atenção sobre o presidenciável, no entanto, é a sua posição sobre algumas pautas, como à descriminalização da maconha, aborto e união homossexual.

O motivo desse texto é o fato de Amoêdo ser associado por grande parte da sua militância ao pensamento conservador, algo que vai muito além das pautas econômicas defendidas pelo candidato, que nesse aspecto é notadamente liberal.

Ao que parece, parte dos eleitores de João Amoêdo enxerga no candidato uma espécie de equilíbrio entre o conservadorismo e o progressismo. Entretanto, temos motivos para acreditar que tal pensamento é fruto de uma ênfase muito mais midiática sobre a figura do candidato do que da análise dos seus discursos mais simples.



Confusão sobre a descriminalização das drogas


Começando pelo assunto drogas, observamos que a divulgação sobre o posicionamento de João Amoêdo sobre essa pauta é quase restrita às - drogas - de forma geral, mas não acerca do que ele pensa, por exemplo, sobre o porte de maconha para consumo pessoal.

Quando perguntado se concorda com à descriminalização (ou legalização) das drogas, João Amoêdo é contundente ao dizer que é contra "no primeiro momento", sugerindo algumas ressalvas.



O mesmo deixa entender que sua posição pode ser revista futuramente, caso eleito, se ficar comprovado que em outros países tal política de descriminalização deu resultados positivos. Amoêdo expressou esse raciocínio em uma entrevista recente para a Jovem Pan, assim como na sabatina da ISTOÉ em julho.

A pergunta sobre "drogas", no entanto, não é específica. Ela engloba todos os tipos de drogas. Mas em certa ocasião, quando falou de forma mais específica sobre à descriminalização da - maconha - durante outra entrevista, dessa vez concedida para O Antagonista em 11 de janeiro desse ano, Amoêdo declarou:

“Nos casos de pequeno porte de maconha, onde tem um grande número de apreensões e prisões decorrentes disso, e é um volume pequeno, eu acho que deveria ter uma descriminalização para um pequeno porte do usuário”. [Grifo nosso]. Confira abaixo, do minuto 22 em diante:



Como ocorreu de forma semelhante nas outras entrevistas, Amoêdo também fez questão de frisar no início da sua fala sobre o assunto que a sua posição é "no momento atual". Mas para O Antagonista o mesmo deixou claro que defende à descriminalização da maconha em pequenas quantidades.


Na prática, a descriminalização fica caracterizada pela - ausência - de proibição do uso. Em que nível se dá essa descriminalização, esse é outro assunto. O fato é que atualmente a Lei n. 11. 343/2006 proíbe o porte, armazenamento e cultivo da maconha, independentemente da quantidade. Portanto, Amoêdo pode não defender à legalização das drogas (em geral) "no momento atual", mas pessoalmente defende à descriminalização da maconha para usuários.

Vale esclarecer que descriminalizar não é o mesmo que legalizar. Em uma sabatina para o portal G1 e rádio CBN realizada agora em setembro, Amoêdo foi perguntado se é favorável à - legalização - da maconha, e o mesmo disse que "não". Essa declaração não contraria o que ele disse para O Antagonista em janeiro, visto que na primeira ocasião a sua posição foi sobre descriminalização e não legalização.

Aborto previsto em lei, incluindo anencéfalos


Outro ponto que merece destaque sobre a posição do candidato João Amoêdo é a sua posição sobre à legalização do aborto. Ele disse que é pessoalmente contra, salvo nos casos previstos em lei. Ou seja, abortos resultantes de estupro, risco de vida para a mãe ou de bebês diagnosticados com anencefalia. O leitor pode conferir essa declaração na mesma entrevista concedida para O Antagonista.



É preocupante a declaração de Amoêdo, tendo em vista que ele mesmo disse durante sabatina no Roda Viva, da TV Cultura em maio desse ano, que é liberal na economia, mas se considera "conservador nos costumes".

Na realidade é uma contradição a posição de Amoêdo, também, sobre o aborto. Isso porque o conservador não precisa ser "favorável" ao aborto quando previsto em lei, para defender a legitimidade da lei. Cumprimento da lei e posicionamento ético-moral são coisas diferentes.

Nesse aspecto, o verdadeiro conservador diria que é contrário ao aborto, mas que respeita às leis vigentes, democraticamente estabelecidas, que autorizam o aborto em circunstâncias extremas.

Amoêdo diz que no caso de um estupro, por exemplo, a mulher deve ter o direito de decidir. Porém, ele não destaca alternativas que enxergam - também - a vida do bebê, como a doação voluntária para adoção. Este seria o posicionamento ético de um verdadeiro conservador.

Ou seja, o conservador não avalia apenas o direito de decisão, autorizado por lei, mas também os aspectos éticos envolvendo a circunstância como um todo, incluindo a vida da segunda vítima resultante do estupro, que é a do bebê.

União civil homossexual


A imagem conservadora de João Amoêdo é completamente desfeita quando ele defende claramente a união civil homossexual, ou "casamento gay", como é popularmente conhecido. Este posicionamento do candidato pode ser encontrado com facilidade, por exemplo, nas mesmas fontes citadas anteriormente.



Defender a união civil homossexual está longe de ser um posicionamento conservador, dado que às implicações dessa regulamentação afetam não só a vida da comunidade LGBT, mas toda a sociedade. Mais uma vez ressaltamos que o pensamento conservador procura enxergar não só o processo de decisão, mas suas consequências.

Como se não bastasse, na sabatina realizada pelo portal G1 e CBN, Amoêdo também disse ser favorável a adoção de crianças por casais homossexuais, algo que reforça a sua defesa da união civil homossexual, pautas nada conservadoras para um candidato que se diz "conservador nos costumes".

Finalmente, parece não restar dúvida de que João Amoêdo é um autêntico liberal na economia, mas contraditório no aspecto ético e moral. Quando analisado seu discurso com cautela, o candidato demonstra confiança no plano econômico, mas contradição nos demais. Cabe ao eleitor colocar na balança o que no contexto atual pesa mais para o Brasil.

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