Participação política de proprietários de armas nos EUA aumenta significativamente, aponta estudo


Novo estudo relata que proprietários de armas nos Estados Unidos estão aumentando o nível de participação política, não apenas votando, mas também doando para verbas de candidatos e contatando autoridades eleitas.

"Parte da razão pela qual as opiniões majoritárias sobre a legislação de controle de armas não estão se transformando em política é que os proprietários de armas são um grupo político muito forte, que detém muito peso e influência, apesar de ser uma minoria na política americana", disse Abbie Vegter, estudante de graduação em ciência política.

Vegter está colaborando na pesquisa com os professores de ciência política da KU Don Haider-Markel e Mark Joslyn. Eles apresentaram suas descobertas, “Motivated Voices: Gun Ownership e Propensity for Political Participation”, em 2 de setembro, como parte da reunião anual da American Political Science Association em Boston.

Haider-Markel e Joslyn publicaram vários estudos sobre política de armas nas últimas décadas.

No recente estudo, os pesquisadores examinaram o comportamento político de proprietários de armas comparando com os anos de eleição presidencial entre 1972 e 2012. Primeiramente, eles descobriram que os proprietários de armas se tornaram cada vez mais ativos politicamente durante esse período.

Às descobertas podem ser fundamentais para determinar por que a grande legislação de controle de armas no Congresso continua indefinida, mesmo depois de tiroteios em massa como Newtown em 2012 e outros, mesmo quando a maioria das pessoas tendem à apoiar leis de armas mais rigorosas.

"Nossa principal conclusão estabelece os donos de armas como um grupo social distinto e vemos como esse grupo social influencia sua probabilidade de participar na política", disse Vegter.

Grande parte das discussões políticas em torno das armas tendem a se concentrar em grandes grupos, como a National Rifle Association [ARN], mas Vegter disse que os resultados do estudo mostram um quadro diferente.

"Apenas um em cada cinco proprietários de armas pertence à ARN, então achamos que há algo mais acontecendo do que apenas a ARN [influenciando] quando se trata de mobilização", disse ela.

Existe algo que pode explicar as razões para possuir uma arma e como às pessoas tendem a enxergar esse equipamento como parte da sua identidade:

“Possuir uma arma para caçar não significa necessariamente que ser um caçador é uma parte fundamental da sua identidade”, disse ela. “Mas possuir uma arma porque acha que é um direito essencial garantido na Constituição é mais uma parte da sua identidade política. É algo mais intrínseco desde o início à política”.

Vegter disse que os pesquisadores ainda estão explorando o que impulsionou essa mudança de atitude entre os proprietários de armas, seja em resposta à legislação anterior sobre o controle de armas em nível estadual, seja em reação a certos candidatos eleitos que tinham opiniões mais fortes sobre o controle de armas.

Os conservadores parecem ter feito um melhor acordo para concretizar essa tendência e buscar mobilizar politicamente os proprietários de armas em anúncios de campanhas e outras ações, disse ela.

"Um aspecto a ser observado será o nível de envolvimento, especialmente entre os estudantes que sobreviveram ao tiroteio de 14 de fevereiro na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, Flórida. Muitos deles têm defendido em campanhas e na mídia nacional políticas mais rígidas de controle de armas, o que manteve a questão em evidência por mais tempo do que normalmente ocorre após um tiroteio em massa", disse ela.

Comentário:

O estudo confirma o que a história americana demonstra. O direito a posse de armas nos Estados Unidos, de fato, tem tudo a ver com a identidade do norte-americano, que por sua vez foi construída mediante os ideais do protestantismo europeu.

A noção de autodefesa está intimamente associada à proteção da propriedade privada, da liberdade individual e da família. Possuir uma arma significava/significa garantir a sobrevivência desses ideais em períodos de colonização e disputas internas por terras.

O aumento da participação política dos grupos pró-armamento é um reflexo das ameaças provocadas pelo avanço das ideologias moralmente liberais (de esquerda), que não por acaso resultou na ascensão do ex-presidente Barack Obama.

Atualmente Donald Trump personifica boa parte dos ideais fundamentais norte-americanos, por isso ao mesmo tempo em que é tão combatido por alguns setores, também é muito louvado pelos americanos, que apesar de não terem o monopólio da grande mídia, possui o poder de voto.

                                                                                                                         
                                                                                                                         Por: George Diepenbrock 

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