Bolsonaro engoliu a Rede Globo: "Roberto Marinho foi um ditador ou democrata?"

O candidato à Presidência da República, Jair Messias Bolsonaro, participou da série de entrevistas promovida pela Rede Globo com os presidenciáveis 2018, e terminou colocando a emissora em uma situação de vexame nacional.


Como já era esperado, a entrevista ocorrida na noite desta terça-feira se transformou em um confronto de opiniões e indução de pensamentos, com o âncora da Rede Globo, William Bonner, interrompendo constantemente às respostas do candidato Bolsonaro, lado à jornalista Renata Vasconcellos.



De modo geral, nenhuma surpresa nos questionamentos. Temas como "homofobia", "desigualdade de gênero", desemprego e violência fizeram parte do quase debate, ficando inicialmente o momento mais tenso para o questionamento de Bolsonaro sobre a possível desigualdade salarial entre os apresentadores do telejornal.

No final das contas, Renata Vasconcellos terminou confirmando os argumentos do próprio Bolsonaro, ao sugerir que recebe o mesmo salário de William Bonner.

Bolsonaro expõe contradição da Rede Globo


O ponto mais tenso da entrevista ocorreu quando William Bonner fez referência ao regime militar, afirmando que segundo "historiadores sérios" e os "livros de história" houve um "golpe" no Brasil em 1964.

Da mesma forma como fez durante a sua entrevista na Globo News, proporcionando um dos maiores "micos" do telejornal do país à apresentadora Míriam Leitão, Bolsonaro respondeu ao âncora do Jornal Nacional citando a declaração do proprietário da Rede Globo, Roberto Marinho, divulgada na época em que o Exército Brasileiro assumiu o controle do país, em 1964:



"Participamos da revolução de 1964, identificados os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas ameaçada pela radicalização ideológica, greves, distúrbios sociais e corrupção generalização", disse Marinho, segundo a citação de Bolsonaro em pleno horário nobre da Globo.

Ou seja, se foi ditadura que houve em 64, por que o proprietário da Rede Globo, maior emissora de TV na época, havia apoiado os militares? Com base nisso o candidato questionou os âncoras: "Roberto Marinho foi um ditador ou um democrata?".

"Kit gay" nas escolas


O vexame da Rede Globo não parou por ai. Após ser indagado por Renata Vasconcellos acerca de supostos atos de homofobia, Bolsonaro tentou explicar que essa pecha lhe foi atribuída porque ele se posicionou contra a distribuição de um material escolar que ficou conhecido como "kit gay" nas escolas de ensino fundamental.



"Tirem às crianças da sala", disse o candidato, referindo-se ao livro que levou consigo e pretendia mostrar em rede nacional. Veja uma das páginas no livro abaixo:

Páginas do livro "kit gay" que Jair Bolsonaro tentou mostrar no Jornal Nacional

Tanto William Bonner como Renata Vasconcellos disseram que o material não poderia ser mostrado na TV. Os câmeras retiraram no ar, mostrando apenas o perfil da bancada. Bolsonaro retrucou, alegando que o teria sido recomendado para escolas do ensino fundamental, para crianças de até seis anos.

Mesmo não tendo conseguido mostrar o material, Bolsonaro conseguiu transmitir uma mensagem clara para a população, conseguindo o foco da câmera ao denunciar a intenção do ativismo LGBT de promover a erotização precoce nas salas de aula.

Finalmente, ao que parece, Bolsonaro sai fortalecido da entrevista, pois conseguiu não apenas responder de forma clara os questionamentos, como "mitar" (como dizem seus apoiadores) ao colocar a Rede Globo contra a parede. Assista a entrevista abaixo:



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