China autoriza retorno do Google, mas sem conteúdos sobre direitos humanos e religião


O Google terá que se submeter às leis da China como "requisito prévio e indispensável" para retornar ao mercado do país, segundo um editorial publicado nesta segunda-feira no "Diário do Povo", o principal jornal oficial chinês


"A China dá as boas-vindas ao Google, mas a empresa deve cumprir com as leis do país se realmente deseja retornar", disse o jornal, órgão oficial do Partido Comunista da China (PCCh).

Na quinta-feira, o "The Intercept" filtrou que o Google, bloqueado na China desde 2010, está planejando relançar seu motor de busca nesse país com resultados censurados para cumprir com os requisitos das autoridades chinesas.

A versão censurada bloquearia buscas sobre direitos humanos, religião e protestos pacíficos, o que motivou as críticas de organizações como a Anistia Internacional.

No entanto, para a China o ciberespaço "deve ser regulado por leis e regulações nacionais", e "não será permitido que a internet fique cheia de pornografia, violência, mensagens subversivas, separatismo étnico, extremismo religioso, elementos racistas e terrorismo", explica o editorial.

A publicação também assegura que a China é agora "bem mais aberta" do que há oito anos, mas que seguirá garantindo que "as atividades no ciberespaço são seguras para a sociedade".

O editorial também critica a decisão do Google de sair do mercado chinês há oito anos, o que foi "um grande equívoco".

"O certo é que o Google sempre foi uma marca politizada. E isto é uma tragédia, porque perdeu oportunidades de ouro no desenvolvimento de internet deste país", afirma o jornal oficial.

Retornar à China está agora em mãos da empresa, já que, da mesma forma que qualquer outra multinacional, pode ganhar o mercado chinês "desde que respeite as leis e regulações" nacionais, segundo o "Diário do Povo".

Comentário:

Como em todo regime autoritário, a informação é filtrada conforme os interesses do regime. Neste sentido, o que é considerado "terrorismo" e "subversivo", por exemplo, pode ser qualquer coisa, inclusive posições contrárias à ideologia comunista, a qual domina a China.

Chama atenção também a proibição de conteúdos relacionados à religião, o que é bastante compreensível, visto que foi, por exemplo, através do cristianismo protestante que a democracia e liberdade de expressão se alastrou por todo o Ocidente.

Para o Google, pouco importa o que é sensível para o regime comunista chines. A empresa está interessada no mercado de 1,7 bilhões de habitantes, um potencial lucrativo estrondoso se comparado aos outros países.

Fonte: EFE

COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.