Trabalhar por turnos aumenta risco de câncer, derrame e doença cardíaca, aponta estudo


Trabalhar em turnos noturnos ou em outros horários fora do padrão aumenta o risco de obesidade, diabetes e outros distúrbios metabólicos, o que também aumenta o risco de doença cardíaca, derrame e câncer, segundo uma nova pesquisa.

Não está completamente claro os motivos desses riscos, mas um novo estudo conduzido na Washington State University (WSU) aproximou os cientistas das respostas.

Publicado na edição online desta semana dos Anais da Academia Nacional de Ciências, o estudo dissipa a crença de que a perturbação metabólica nos trabalhadores de plantões é impulsionada principalmente pelo relógio principal do cérebro, que normalmente mantém nossos corpos em um ciclo de dia e noite e usa dicas de luz para sincronizar os ritmos dos órgãos e tecidos do corpo.

Em vez disso, o estudo revelou que relógios biológicos separados (os chamados osciladores periféricos) no fígado, intestino e pâncreas possuem uma "mente" própria.

Trabalhando com colegas da Universidade de Surrey, a equipe da WSU coletou amostras de sangue de voluntários saudáveis ​​que haviam acabado de concluir um cronograma simulado de turno diurno ou um programa simulado de turno noturno.

Os pesquisadores analisaram as amostras de sangue de metabólitos - produtos de reações químicas envolvidas na digestão, como a quebra e a oxidação de moléculas de alimentos, bem como em outros processos metabólicos em células e órgãos.

Eles descobriram que, seguindo o horário do plantão noturno, os ritmos de 24 horas nos metabólitos relacionados ao sistema digestivo haviam mudado em 12 horas, embora o relógio biológico mestre no cérebro dos participantes tivesse se movido apenas cerca de 2 horas.

Relógios biológicos em órgãos digestivos


"Ninguém sabia que os relógios biológicos nos órgãos digestivos das pessoas são tão profundamente e rapidamente modificados por turnos, embora o relógio mestre do cérebro mal se adapte a esses horários", disse o co-autor do estudo, Hans Van Dongen, diretor do WSU Sleep and Performance Research Center e professor do Elson S. Floyd College of Medicine.

"Como resultado, alguns sinais biológicos em corpos de trabalhadores de plantões estão dizendo que é dia enquanto outros sinais estão dizendo que é noite, o que causa a interrupção do metabolismo", acrescentou.

Van Dongen disse que o próximo passo é descobrir se os ritmos metabólitos alterados são impulsionados pelos horários alterados de sono/vigília dos trabalhadores em turnos, pela mudança no horário da ingestão de alimentos ou por ambos.

Uma vez que isso seja conhecido, os cientistas poderiam tentar identificar os processos celulares e/ou hormonais subjacentes, que apoiariam o desenvolvimento de novos tratamentos para ressincronizar os relógios de cérebro e corpo dos trabalhadores em turnos para evitar consequências negativas a longo prazo para a saúde.

Consequências a longo prazo para a saúde


O trabalho da equipe de pesquisa também pode ter implicações para o estudo de outras doenças crônicas que os trabalhadores de plantões são mais suscetíveis, incluindo doença renal crônica e câncer de mama, próstata e pele.

"Acreditamos que o nosso é o primeiro estudo a sugerir um mecanismo para a conexão entre o trabalho por turnos e a doença renal crônica", disse Shobhan Gaddameedhi, também co-autor da pesquisa e professor assistente na Faculdade de Farmácia e Ciências Farmacêuticas da WSU.

Ele observou que o grupo do turno noturno simulado tinha ritmos alterados em dois metabólitos comumente associados à doença renal crônica - triptofano e quinurenina. No entanto, como um biólogo especialista em câncer, Gaddameedhi, em primeiro lugar, quer desvendar a ligação entre o trabalho por turnos e o câncer.

"É possível que mudanças no metabolismo dos trabalhadores em turnos estejam associadas à atividade alterada dos processos celulares que podem estar envolvidos no desenvolvimento do câncer mais tarde na vida", disse Gaddameedhi.

"Uma vez que entendemos esses processos celulares, poderíamos identificar os genes envolvidos e usar esse conhecimento para encontrar formas de prevenir o câncer em trabalhadores por turno".


Universidade Estadual de Washington 

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