Revista ISTOÉ chama filho de Bolsonaro de "cão raivoso" em matéria ativista


Que a ética jornalística no Brasil está falida não é novidade, salvo raras exceções. A grande mídia entrou na guerra de narrativas a fim de influenciar direto e implicitamente o entendimento do cidadão comum. Agora, será que essa realidade virou terra de ninguém, onde vale tudo, inclusive chamar filho de pré-candidato à Presidência da República de "cão raivoso"?


"O pitbull da família Bolsonaro". Esse é o título da matéria que a ISTOÉ publicou no último dia 29/06, em referência ao Deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Messias Bolsonaro. Na abertura do texto lemos o seguinte:

"Filho de Jair Bolsonaro, candidato do PSL ao Planalto, o deputado Eduardo Bolsonaro age como cão raivoso nas redes. Enquanto o presidenciável assopra, para tentar se tornar mais palatável ao eleitor, o rebento não conhece limites: mostra que é mais radical que o radical".

A matéria traz como imagem de capa uma foto de Eduardo Bolsonaro (a mesma posta acima, divulgada pelo próprio Deputado em sua conta no Twitter no início do ano passado), onde ele aparece segurando um fuzil e vários outros ao seu lado.


Evidentemente, a intenção é associar a imagem aos ataques proferidos na matéria, causando mais impacto na mente do leitor acrítico. A foto foi retirada durante uma viagem de Eduardo Bolsonaro aos Estados Unidos, onde ele visitou a casa de um amigo que, ao que parece, possui uma coleção de armas. Ela foi uma entre várias fotos semelhantes, veja outro exemplo aqui.

Ataques diretos revelam ativismo político de jornalista


A matéria foi escrita por Ary Figueira. Um breve levantamento de informações em sua conta no Facebook é possível identificar a linha de raciocínio do autor, ao menos no âmbito político. Em 27 de março, por exemplo, o mesmo compartilhou um texto do Leonardo Sakamoto, conhecido por defender assiduamente pautas de esquerda. No texto, Sakamoto faz críticas ao juiz Sérgio Moro.


Em 31 de janeiro, Ary Figueira compartilhou uma matéria do canal "Brasil de Fato", uma das várias mídias utilizadas para promover os ideais da esquerda e defender os seus autores. No texto, o canal divulga em tom de felicidade um churrasco promovido por estudantes no triplex do Edifício Solaris, utilizado por Lula para tentar lavar dinheiro fruto da corrupção, segundo o Ministério Público.

Para que o nosso leitor não tenha dúvida sobre o que estamos tentando demonstrar, em 25 de janeiro o Ary Figueira publica um texto do Eugênio Bucci, intitulado "A Justiça obscura e sua tragédia", onde o mesmo critica a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF-4. "Decisões baseadas em circunvoluções processualísticas e pouco lastreadas em fatos evidentes", diz um trecho do artigo.

Diga-me o que tu compartilhas que eu te direi quem és! Podemos resumir assim a nossa análise.

Ressalvas


Há uma diferença substancial entre mídias de opinião e informação. O Opinião Crítica, por exemplo, é uma mídia majoritariamente de opinião. O nome já diz muita coisa. Nesse terreno o foco é justamente opinar, o que significa que a visão do(s) autor(es) sem dúvida alguma trará suas impressões, afinal de contas, é disso que o público interessado deseja saber.


A ISTOÉ, por outro lado, é uma revista de informação que, embora contenha colunas independentes, como é o caso do texto avaliado, possui maior compromisso com a neutralidade das informações. Isso, porque, o leitor comum não sabe diferenciar uma coisa da outra. Ele vai absorver o conteúdo pessoal do autor como informação do veículo, simplesmente lendo o texto corrido associado ao seu nome.

Em outras palavras, não é a matéria do Ary Figueira atacando a família Bolsonaro, mas a revista ISTOÉ. Ora, quer fazer ativismo político através do jornalismo? Crie um blog pessoal ou qualquer outro canal que deixe claro esse propósito. Do contrário, é jogo sujo.

Quando, além da confusão entre informação e opinião, o veículo permite a publicação de ofensas diretas à figuras públicas, certamente o seu nível de credibilidade cai. Há também uma diferença entre criticar posturas e ofender a imagem de pessoas. O que a matéria "O pitbull da família Bolsonaro" fez não foi uma crítica à postura, mas uma ofensa ao filho do presidenciável, algo lamentável.


Por: Will R. Filho

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