REPÚDIO: Psicóloga Ana Bock convoca para vigília "Lula Livre" e viola a ética profissional

Uma das maiores referências da Psicologia Social no Brasil, a psicóloga Ana Bock fez convocação para a vigília "Lula Livre", causando indignação e tristeza em muitos colegas de profissão


Para quem não conhece, Ana Mercês Bahia Bock, ou simplesmente "Bock", como é conhecida no meio acadêmico, é uma das autoras e professoras de psicologia mais citadas no Brasil, considerada uma autoridade no ramo da Psicologia Social. Entretanto, um vídeo publicado por ela na semana passada causou indignação em muitos colegas de profissão, por deixar evidente a confusão que a autora vem fazendo da psicologia social com suas ideologias políticas.


Antes de tudo, é fundamental que o leitor leia o texto: "Aparelhamento Ideológico na Psicologia - Do Pensamento Científico ao Sindicalismo", onde explicamos a importância de separar a ciência das ideologias. Sua compreensão desse conceito é determinante para considerar nossa posição.

Há anos através do Opinião Crítica denunciamos o ativismo político e ideológico dentro dos Conselhos de Psicologia, especialmente no tocante ao movimento LGBT. Infelizmente, o vídeo onde Ana Bock, que foi presidente de Conselho Federal de Psicologia por três gestões, aparece convocando os psicólogos para a vigília "Lula Livre", comprova esses alertas.

Não é pelo simples fato da psicóloga ter um posicionamento político, mas por ela associar o seu posicionamento ao que acredita ser uma pauta da psicologia enquanto ciência humana e social.


Que fique claro, nossa crítica não é por Ana Bock, como cidadã, se alinhar com políticas da esquerda, do Partido dos Trabalhadores (PT) e outras perspectivas políticas. Constitucionalmente ela tem esse direito e pode se manifestar o quanto quiser, assim como todos os psicólogos - fora do exercício profissional e fora dos Conselhos de Psicologia - podem, também, se alinhar com políticas da direita e conservadoras.

Nossa crítica também não é por Ana Bock falar em nome do Instituto Silvia Lane, do qual ela é presidente, visto que se trata de um órgão privado com visão própria e que - não fala - em nome dos psicólogos brasileiros, mas sim e exclusivamente dos seus associados.

Nossa crítica é por Ana Bock falar como uma profissional, induzindo a população, estudantes de psicologia e outros profissionais à convicções políticas e ideológicas próprias, convocando esses profissionais e a sociedade para uma "conversa", a fim de induzí-los contra o sistema judiciário brasileiro, tendo em vista que ela e seus pares negam a legitimidade da condenação judicial de Lula.

Violações do Código de Ética do Psicólogo


Em sua fala, Ana Bock deixa claro dois momentos distintos. O primeiro, ela enfatiza que está falando "como Instituto" e como "cidadã". Até ai tudo bem. Apesar de ser vergonhosa a defesa de um condenado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, de fato, como cidadã ela possui esse direito de livre opinião.


"Como cidadãos, estamos convencidos de que Lula é um preso político, precisa ser libertado e seguir realizando o seu papel de ator na construção de um país justo", disse ela no vídeo.

Entretanto, no segundo momento, Ana Bock destaca que não fala mais como Instituto, nem como cidadã, mas sim como uma profissional. Ou seja, como psicóloga que está se dirigindo para a população. Observe a transcrição abaixo:

"Como profissionais relacionados com a produção de subjetividades, nos sentimos obrigados a convidar a gente brasileira. Impressiona como o golpe de 2016 manipula subjetividades. Nossa gente brasileira resulta convencida de inverdades e sujeita a posições preconceituosas e equivocadas que não propiciam condições psicologicamente saudáveis. Por isso temos a ver com isso. Por isso precisamos conversar. Venha conversar...", declara.

A Dra. Bock sabe exatamente o que está fazendo. Ela distingue claramente o momento da sua fala como associação privada e cidadã, da sua fala como profissional. O motivo disso é porque, ao que parece, ela imaginou que poderia dissociar uma coisa da outra, para evitar ser acusada de violar o Código de Ética profissional.


Todavia, se essa foi a sua intenção, não adiantou nada, pois o segundo momento da sua fala também é de natureza política, classificando como um "golpe" o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Pior do que isso, ainda no trecho onde fala como profissional ela convoca a população e os profissionais para a tal "conversa" marcada na concentração onde é realizado a vigília "Lula Livre".

Itens e artigos violados


O item número III dos Princípios Fundamentais do Código de Ética do Psicólogo, está escrito que  "o psicólogo atuará com responsabilidade social, analisando crítica e historicamente a realidade política, econômica, social e cultural".

É dever do psicólogo fazer uma leitura crítica do seu contexto. O fato, porém, exige que tal leitura seja responsável ao ponto de não colocar em cheque a psicologia enquanto ciência e área de conhecimento respeitável em nosso país. Por isso, no item IV está escrito:


"O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade, rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada."

Estamos falando aqui de uma referência da Psicologia Social no país. No momento em que Ana Bock se pronuncia como profissional, dirigindo-se aos colegas da profissão e estudantes, posicionando-se contra uma decisão judicial largamente discutida e confirmada por diferentes instâncias do poder judiciário do país, ela não está aviltando a psicologia? Ela não está incitando a sociedade contra o sistema judicial brasileiro, utilizando seu nome de psicóloga para isso?

"Rejeitando situações...", é o que diz o texto do item IV. Ana Bock certamente não rejeitou a vergonhosa situação de confundir o seu nome de profissional com a defesa de um condenado por crime de corrupção.

Outra violação está na letra "I" do Artigo 2º do Código de Ética, que proíbe os psicólogos de "induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços".


Ana Bock falou no segundo momento como profissional. E como profissional ela induziu a participação de pessoas na vigília "Lula Livre" onde, como psicóloga social, ela esteve para uma roda de conversa. "Temos a ver com isso. Por isso precisamos conversar. Venha conversar...". Ora, este é ou não um serviço oferecido e induzido por ela?

De forma semelhante, resta a letra "B" do mesmo Artigo 2º, que proíbe o psicólogo de "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais".

O exercício profissional de um psicólogo social, entre outras atividades, está justamente em rodas de conversa, palestras, conscientizações e outros trabalhos voltados para a população. Ana Bock não apenas deixa claro que seu convite é como profissional, como afirma que estará na vigília "Lula Livre" para "conversar" em defesa do "preso político". Ou seja, uma nítida declaração de ativismo político em nome da psicologia, algo proibido pelo Código de Ética.

O que sobra da Psicologia no Brasil?


O posicionamento vergonhoso de uma psicóloga como a Ana Bock em defesa de um político condenado por corrupção, utilizando o nome da psicologia para isso, é a certeza do quanto a psicologia no Brasil está sendo prostituída enquanto ciência.

Por tais posicionamentos, vemos o quanto os alunos de psicologia estão saindo das universidades intelectualmente alienados, sem poder fazer distinção entre pensamento científico e postura ideológica. É uma pena, principalmente porque sabemos que o órgão que deveria fiscalizar e reprimir esse tipo de ativismo político em nome da profissão, que é o Conselho Federal de Psicologia, não faz esse papel quando se trata de ações que são do seu interesse.

Resta aos bons profissionais, que zelam por uma psicologia isenta de partidarismo e ideologias, atuarem em defesa da profissão, repudiando os que mancham o nome da categoria e colocam em cheque o respeito que a psicologia - ainda - possui na sociedade.

Assista o vídeo abaixo:





Por: Will R. Filho

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