Marina Silva é flagrada lendo a Bíblia em voo - Mas, isso faz diferença para os bebês?


A pré-candidata à Presidência da República esse ano, Marina Silva, foi flagrada durante um voo para São Paulo lendo a Bíblia durante a viagem. Conhecida, entre outras coisas, por ser evangélica da Igreja Assembleia de Deus, a presidenciável declarou recentemente que apesar de ser contra o aborto, defende a realização de plebiscito para a população decidir a questão.

A declaração de Marina Silva foi dada durante uma entrevista para a jornalista Mariana Godoy, no último dia 22. A explicação da presidenciável foi a seguinte:


"Minha posição é contra o aborto, mas eu defendo plebiscito para que se faça o debate, porque o que nós todos queremos é que ninguém tenha uma gravidez indesejada. Não imagino que alguém possa defender aborto como método contraceptivo, então nós temos que trabalhar para que nenhuma mulher tenha gravidez indesejada, mas, numa democracia, é melhor o debate com toda a sociedade do que reduzido apenas ao Congresso".

Marina Silva fala de democracia, mas ignora a representatividade


O discurso de Marina Silva, infelizmente, é evasivo e acovardado. O caráter da pré-candidata e suas convicções pessoais parecem inabaláveis, mas a capacidade de enfrentar o julgamento da opinião pública pelo que realmente acredita demonstra ser a sua maior dificuldade.


Criticada desde às eleições passadas, quatro e oito anos atrás, por não se posicionar de forma clara sobre temas polêmicos, a pré-candidata parece ter escolhido o plebiscito como alternativa de escape, tentando agradar multidões.

Há dois erros fundamentais no raciocínio de Marina Silva. O primeiro deles é sobre o que ela chama de "democracia". Ora, por acaso um candidato, eleito pelo povo, ao defender sua opinião sobre questões como o aborto, decidindo não favorecer medidas que o legalize, deixa de ser democrático?

Se tal candidato foi eleito democraticamente, então a sua postura diante de tal decisão é fruto da democracia. Qualquer decisão que venha tomar quando estiver no poder é uma consequência direta da maioria que o elegeu, democraticamente. Não há qualquer autoritarismo nisso. Isto se chama representatividade.

A representatividade é no que votamos. Quando escolhemos um candidato que diz ser contra "A" ou "B", votamos porque esperamos que ele faça política em prol disso em que acredita, quer seja "A" ou "B".


Agora, se esse mesmo candidato, ao chegar no poder, disser que fará um plebiscito para a população decidir sobre "A" e "B", em quê terá valido o voto do eleitor? Ou será que o eleitor está interessado em ter no poder uma pessoa sem convicções próprias, incapaz de defender os próprios valores?

A Bíblia contraria Marina Silva


Marina Silva diz ser contra o aborto e a descriminalização da maconha, mas ao mesmo tempo recorre ao discurso de plebiscito, ao que parece, para não se comprometer com os contraditórios. Ela ignora o conceito de representatividade, apelando para o de "democracia", para tentar justificar a sua abstenção de responsabilidade diante de uma posição que dever ser contundente.

A Bíblia que Marina Silva lê durante o voo, a qual a figura messiânica do seu mentor intelectual, o Reverendo Caio Fábio, fez questão de afirmar que "já conhecia: ela sempre lê a Bíblia, sempre ora para tomar decisões", contraria a própria Marina.


Não há neutralidade moral na vida de um cristão. Só existe o dever de representar os valores de Cristo, custe o que custar. Ao menos, foi isso o que quis dizer o próprio Jesus no livro de Lucas 11:23: "Toda pessoa que não está comigo, contra mim está, e aquele que comigo não ajunta, espalha".

Ou seja, não há meio termo em nome do Estado, dos homens e seus conceitos sobre "democracia". O cristão que não estiver disposto a cumprir o dever de ser "sal e luz" onde quer que esteja, não é cristão. Um exemplo claro disso podemos observar no livro de Atos, capítulo 5, quando Pedro e outros apóstolos foram presos por anunciar o evangelho.

Chamados para prestar esclarecimentos sobre o fato perante o Sumo Sacerdote e os anciãos judeus, eles foram questionados por não terem interrompido suas pregações. A resposta deles, no entanto, foi: "Mais importa obedecer a Deus do que aos homens".


O mesmo compromisso com os valores de Jesus Cristo foi ensinado pelo Apóstolo Paulo, na carta aos Romanos, capítulo 12 e verso 2: "Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".

Em outras palavras, o Apóstolo dos Gentios convoca os cristãos para a inconformidade diante do mundo e não para a adequação a ele. Para uma postura ativa contra o "deus deste século" e não para a passividade diante do caos.

Por fim, se Marina Silva não encontra nas páginas da sua Bíblia a certeza pela qual deve se apegar para assumir posturas decisivas sobre temas como o aborto e drogas, o que esperar dela diante do caos cultural em que vive o Brasil, plebiscitos?

Por: Will R. Filho

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