Geração viagra - Sexo ao custo da imaturidade e artificialização do prazer


Quem não quer horas e horas de muito sexo e prazer? Mas o quanto você está disposto(a) fazer para alcançar o máximo de prazer na cama?

Este é um dilema que vem sendo enfrentado por milhares de pessoas, especialmente jovens, que têm nas relações sexuais mais do que um momento de natural realização. Um momento de autoafirmação. Você é um deles? Leia com atenção. 



Essa nova motivação sexual, típica do que chamamos aqui de “geração viagra”, é preocupante do ponto de vista psicológico, pois revela dificuldades na compreensão não apenas do relacionamento sexual propriamente dito, mas principalmente sobre si mesmo. 

O que faria jovens, cada vez mais jovens, encarar uma pílula para impotência sexual como um estimulante da relação, sem que estejam sofrendo de alguma disfunção sexual? Essa “turbinada” na hora do sexo na verdade é uma ilusão de autoestima que pode esconder os seguintes conflitos: 

1 – Supervalorização da performance



Resultado: Dependência psicológica (podendo ser química), alienação ideológica, incapacidade de avaliar relações interpessoais e desenvolvê-las com base na qualidade dos relacionamentos. Na forma como eles são, criando a imagem de "sujeito ideal";

2 –Relacionamentos cada vez mais descartáveis

Resultado: Pessoas consequentemente descartáveis, diminuição do valor humano pela supervalorização da performance/estética;

3 – Insegurança afetiva, emocional, ideológica



Resultado: Imaturidade afetiva, despreparo para lidar com as frustrações pessoais pela dependência do artificialismo "milagroso" (da pílula) que dá a ilusão de "potência" resumida ao sexo, mas não à vida; 

4 – Falta de conhecimento e domínio próprio

Resultado: Sujeição a qualquer coisa que prometa fazer por ele àquilo que ele mesmo aparentemente não consegue dominar;

5 - Ansiedade

Resultado: Aprofundamento da dependência pela ilusão de "potência" adquirida sob o efeito da pílula. 

Estes são alguns problemas visíveis nessa geração viagra. Destes, o que nos chama mais atenção é o número um e três (supervalorização da performance e insegurança afetiva). 

Um, porque demonstra o total desvio de foco no relacionamento humano, e três porque revela a pobreza com que tratamos a educação dos filhos, não sendo capazes de transferir valores e afirmação de caráter suficientes para lhes dar segurança nas relações sociais. 



É surpreendente saber que muitos jovens dizem com total naturalidade que não têm relações sexuais sem fazer uso do azulzinho (viagra). Não estamos nos referindo a homens com disfunção erétil, mas de rapazes entre 20 e 25 anos. O que dirá adolescentes? 

Será a capacidade dessas pessoas de se relacionarem de forma tão deficiente emotivamente o que faz elas pensarem que horas de "boa performance" é o maior determinante para a satisfação sexual? É provável que sim.

O sexo que você faz é a pessoa que você é


Ora, a cama é parte do que vivenciamos no dia-a-dia. O mesmo caráter demonstrado numa relação sexual, seja implícito ou explícito, o que nos motiva, aprisiona, satisfaz e frustra, é também o que buscamos em situações comuns do cotidiano.

Em outras palavras, o sujeito é, no sexo, nada mais do que já experimenta no seu dia-a-dia. Eis o motivo pelo qual recorre à "pílulas", no fim de potencializar não o sexo, propriamente, mas o seu comportamento como um todo. Sua insegurança e autoimagem.

O desempenho sexual não é medido no tempo que se passa fazendo sexo, mas em como e o motivo pelo qual se faz sexo. E esta maneira de fazer sexo não vem em um manual de instruções. Não acompanha pílulas, muito menos receitas milagrosas. Ela é desenvolvida naturalmente, com o tempo, quando seu principal objetivo se chama relacionamento. 

Porém, relacionar-se implica em conhecer a si mesmo e também o outro, de tal forma que a insegurança (n. 3) torna-se confiança. Que a falta de domínio (n.4) torna-se conhecimento próprio. Que a superficialidade (n.2) se torna em valor próprio e que a supervalorização do prazer (n.1) se torna em valorização da maneira como o momento acontece ali, na hora, ao lado de quem você ama ou está apaixonado(a).



Se relacionar significa construir sentimentos e pautar suas escolhas na coerência que eles possuem ao te fazer feliz, não por um instante apenas, mas de preferência por toda sua vida. Esta compreensão parece difícil para você? Acredite, é mais simples do que pensa. Alias, sua simplicidade é tamanha que parece não agradar a muitos. 

Objetivar as coisas parece mais fácil, afinal, o prazer não seria mais um meio de consumo? Por que não tratá-lo apenas como um produto qualquer? Assim, quem sabe, teremos pessoas-produtos e então poderemos escolher mulheres e homens expostos em vitrines.

Família? Que nada! Um dia compraremos nas prateleiras o "kit prazer" e a família virá de brinde envolto por uma fita plástica em que estará escrito: Relacionamento! 

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