CRP-12 divulga cartilha atacando psicólogos que ajudam LGBTs na mudança de orientação sexual


O número de psicólogos frustrados com a psicologia no Brasil aumentou significativamente nos últimos anos. Em grande parte, isto se deve ao aparelhamento ideológico nos Conselhos de Psicologia, que no lugar de fiscalizar o exercício ilegal da profissão e regulamentar possíveis métodos, tem feito do poder público um palanque para promoção de interesses de grupos e pessoas, contrariando não apenas grande parte da categoria, como às leis que regulamentam a função das autarquias no país.

Um exemplo recente que comprova isso é a denúncia feita por um(a) profissional vinculado(a) ao Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina (12ª Região), acerca de uma cartilha distribuída pelo órgão aos profissionais do estado, versando em defesa da Resolução 01/99, que regulamenta a atuação dos psicólogos quanto ao tratamento das homossexualidades.


A referida Resolução, para o leitor que talvez não saiba, é alvo de críticas desde o momento em que foi criada, em 1999. Vários profissionais alegam que ela extrapola o simples dever de coibir atitudes preconceituosas e discriminatórias em relação à orientação homossexual.

Para esses profissionais, o documento possui uma margem de interpretação no parágrafo único do Artigo 3º e em todo o Artigo 4º (leia aqui para entender), que permite a utilização do texto de forma tendenciosa, no sentido de impedir que os psicólogos não possam emitir opiniões, fazer publicações, pesquisas acadêmicas, dar palestras ou mesmo exercer o direito à liberdade religiosa, sem que sejam perseguidos e acusados de violar o Código de Ética da profissão.


Com base nisso, alguns processos judiciais já foram movidos para tentar invalidar a Res. 01/99, e um deles obteve sucesso em 9 de setembro do ano passado (2017), quando o juiz Waldemar Cláudio de Carvalho, da 14ª Vara da Justiça Federal em Brasília, acatou o pedido de uma Ação Civil limitando a utilização da referida Resolução.

Manifestações nos Conselhos de Psicologia


Desde então, vários Conselhos de Psicologia têm se manifestado em defesa da Resolução 01/99, alegando que ela está sofrendo uma "onda de ataques" de psicólogos "fundamentalistas" que desejam o "retrocesso" na conquista de "direitos" das pessoas homossexuais, transexuais, travestis e etc.

A cartilha acima, do CRP-12, é uma dessas manifestações. A princípio, não haveria surpresa alguma se o texto estivesse resumido à derrota sofrida novamente pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), após o juiz Waldemar negar em 28 de junho desse ano (2018) o recurso que o órgão moveu contra a decisão de novembro passado. Todavia, o texto vai muito além.

Uma parte da cartilha diz o seguinte:

"A Resolução 001/1999 não proíbe que psicólogos(as) atendam pessoas que estejam em sofrimento psíquico por conta da orientação sexual que experienciam".

Até ai tudo bem, certo? Mas logo em seguida o texto continua da seguinte forma:

"A psicologia vem compreendendo, ao longo dos anos, que as orientações sexuais não-heterossexuais não devem ser tratadas como um problema em si. Neste sentido, o principal fator determinante de sofrimento seria o próprio sistema heteronormativo que estrutura a nossa sociedade", (grifo nosso).



Opa! Então, se o indivíduo procurar ajuda de um psicólogo alegando que está em conflito com sua homossexualidade, por exemplo, o profissional deve encarar que o fator determinante desse sofrimento é o "sistema heteronormativo que estrutura a sociedade"?

Segundo a recomendação do texto, sim! Para um leitor minimamente atendo, está claro que o documento faz um jogo de ideias, onde exclui todas às possibilidades de conflitos de natureza sexual, para culpar a "heteronormatividade" como o grande problema do sofrimento emocional que muitos LGBTs enfrentam.

Na página posta em nossa imagem de capa, o texto continua defendendo o mesmo argumento para tentar explicar o motivo pelo qual alguns LGBTs procuram os psicólogos querendo mudar de orientação sexual, como segue:

"Tais sofrimentos se relacionam a diversas situações de homofobia e transfobia que experienciam cotidianamente. Situações de violência que fazem os sujeitos sofrerem e que, por isso, precisam ser considerados pelos(as) psicólogos(as)".

Mais uma vez, o que o texto faz implicitamente é colocar a culpa de tais sofrimentos apenas na sociedade, família, na religião e no preconceito. Observe que não há qualquer consideração acerca de outras causas que possam originar tais conflitos, das quais falaremos mais adiante. Tudo se resume à duas coisas: "heteronormatividade" e "homofobia".

O que ativistas nos Conselhos de Psicologia lutam para esconder da sociedade


O que lemos acima é um exemplo clássico do que é fruto de uma ideologia. A ideologia faz exatamente isso: mascara a realidade para dar voz apenas ao que é do seu interesse, procurando impor como verdade algo que despreza todos os pensamentos contrários.

Caso não tenha lido, recomendamos o texto: "Aparelhamento Ideológico na Psicologia - Do Pensamento Científico ao Sindicalismo". Esse texto será importante para a sua compreensão acerca das diferenças entre ideologia e ciência, e como isso atualmente está afetando a ciência não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro.


Em primeiro lugar, a postura dos que defendem os argumentos postos na cartilha acima é fruto de uma compreensão original, que embora não explícita por falta de embasamento científico, está indiretamente na argumentação. Se trata da compreensão de que a homossexualidade, transgeneridade e outras expressões são inatas. Ou seja, de que tais pessoas "nascem assim".

Eles desejam que a sociedade e principalmente os próprios LGBTs pensem isso, pelo simples fato de que, se não nasceram assim, obviamente há uma explicação de caráter ambiental para o desenvolvimento de tais orientações sexuais. Ora, se não são inatas, como são construídas e firmadas?

Todos os seres humanos são heterossexuais por natureza


A única orientação sexual biologicamente herdada é a heterossexual. Para frustração do ativismo LGBT e contrariedade das suas falácias, a "heteronormatividade" não é uma norma por acaso. Ela é uma norma exatamente porque é, biologicamente, a norma.

"Às diferenças sexuais no comportamento, na cognição, nos valores e nas preferências são parte das naturezas humanas masculina e feminina inatas e distintas; homens e mulheres são intrinsecamente diferentes. Os cérebros humanos masculinos e femininos são diferentes, assim como seus órgãos reprodutores". (MILLER; KANAZAWA, 2007, p. 38)

Quem define isso não são ideias desconexas da realidade, muito menos qualquer viés de cunho moral ou religioso, mas os fatos da forma como a natureza nos apresenta. Mas a alienação ideológica é tão danosa entre os ativistas infiltrados nos Conselhos de Psicologia que até o conceito de "natureza" eles pretendem desconstruir. Mas a ciência está contra eles:

"Sabe-se hoje em dia que não são apenas fatores culturais ou sociais que levam um menino a ter um comportamento e a menina, outro. Existem, sim, fortes influências biológicas, orgânicas, hormonais nesta evolução de fatos. Assim, é muito mais comum uma menina procurar uma boneca do que brincar de mocinho". (GAUDERER, 1996, p. 110).


Nenhum ser humano nasce assexuado. Nossa definição sexual, assim como as características físicas associadas a ele, são pré-estabelecidas ainda no útero materno, evidenciando a heterossexualidade como um padrão biológico e não um mero capricho cultural. Portanto:

"A socialização de gênero ajuda a acentuar, solidificar, perpetuar e reforçar as diferenças inatas entre homens e mulheres, mas não causa e nem cria tais diferenças. Em outras palavras, homens e mulheres não são diferentes por serem socializados de maneiras diferentes, são socializados de maneiras diferentes porque são diferentes. A socialização de gênero não é a causa das diferenças de sexo, mas uma consequência". (MILLER; KANAZAWA, 2007, p. 38).

A construção das orientações sexuais


Em nível primário, não há sexualidade formada quando nascemos. Há apenas o sexo formado. Todavia, é perfeitamente lógico compreender e reconhecer (porque está provado cientificamente) que tanto a sexualidade do macho como da fêmea é direcionada pela influência genética dos seus corpos, o que justifica a heteronormatividade.

Contudo, há elementos do meio que interferem nessa formação, frutos de vários fatores. No aspecto afetivo e psicológico, a - identidade - sexual tanto do heterossexual quanto do homossexual (e etc.) são construídas socialmente. Note que utilizamos a palavra "identidade". Isso, porque, a identidade é o que orienta a sexualidade.


Identidade é a forma como nos vemos. A maneira como nos vemos é resultado das experiências que temos no decorrer da vida em relação com outras pessoas. Para Julie Harren Hamilton, especialista em terapia familiar, escritora e ex-professora assistente de Psicologia da universidade Palm Beach Atlantic (EUA), a identidade homossexual nasce "tipicamente a partir de uma combinação de fatores temperamentais e fatores ambientais que ocorre na vida de uma criança".

Esse entendimento está de acordo com a Psicóloga Angela Louzada Santos, Mestre em Psicologia e Educação, ao dizer que, segundo a psicanálise, "a relação primária com a mãe é fundamental para o organização psíquica do feminino e masculino", explicando que a homossexualidade surge como fruto dessa relação quando é conflituosa, o que significa ser uma adaptação a um conflito originalmente familiar.

A visão de Louzada também é defendida, por exemplo, pelo psicanalista Tony Anatrella e pelo psicólogo Gerard J. van den Aardweg, escritor e Doutor em Psicologia pela Universidade de Amsterdã, na Holanda, o qual atribui a identificação com os modelos "materno" e "paterno" a origem da formação da identidade sexual (ou seja, orientação sexual, tanto hétero como homo).


"Normalmente, o instinto de imitação de um menino, depois de cerca de três anos, es­pontaneamente se dirige para modelos masculinos: pai, ir­mãos, tios, professores e, na puberdade, para outros heróis masculinos. A necessidade de imitação das meninas dirige-se para modelos femininos. Isso é visto como uma característica inata ligada ao sexo.", escreveu ele.

Traumas e conflitos familiares


Grande parte dos homossexuais, transgêneros, travestis e etc., relatam terem vivido em contextos familiares em conflito. O ambiente familiar e a relação com o pai, principalmente, é a principal fonte de sofrimento dos que procuram a clínica psicológica, segundo o relato de vários psicólogos clínicos.

Muitos desses "pacientes" não têm em mente a motivação de lidar com essas questões, especialmente quando são pessoas mais velhas, acima dos 30 anos, porque acreditam que já "nasceram assim". Por conta disso é comum buscarem ajuda para lidar com a ansiedade, depressão, compulsão, dificuldade de envolvimento emocional ou mesmo de libido, entre outros.


Entretanto, no decorrer dos atendimentos, a conscientização acerca desses conflitos pode fazer com que seja necessário explorar mais a fundo suas origens. É nesse período que vem à tona questões de ordem familiar, como relatos de ausência do pai, rejeição, abandono, agressão, superproteção da mãe ou avós e outros fatores.

Outro ponto chave são os relatos de abuso sexual. Há pessoas que, naturalmente, desenvolveram um bloqueio mental e afetivo acerca desses episódios. Se trata do que a psicanálise chama de "mecanismo de defesa". Ele é vital em determinado período da vida, para que a vítima do abuso consiga lidar com o sofrimento e seguir adiante.

Quando tais bloqueios são quebrados, por vontade própria do indivíduo que decide relatar esse episódios, muitos atribuem a orientação sexual ao que sofreram no passado, como consequência do trauma. Um exemplo recente disso é o caso de Graziele Galvão, veja aqui.

O que é um fato observado na atualidade, vários autores já confirmaram através de pesquisas. Veja abaixo alguns dos motivos atrelados ao desenvolvimento da orientação homossexual, segundo os respectivos pesquisadores:

"Distanciamento do pai cedo na infância, porque o pai foi percebido como hostil ou distante, violento ou alcoólatra, (Apperson 1968: Bene 1965: Bieber 1962, Fisher 1996: Pillard 1988: Sipova 1983);

Mãe superprotetora (meninos), (Bieber, T. 1971: Bieber 1962: Snortum 1969);

Mãe estava carente e exigente (meninos), (Fitzgibbons 1999);

Mães emocionalmente indisponíveis (meninas), (Bradley 1997: Eisenbud 1982);

Pais não conseguiram incentivar (representatividade/referencial) a identificação do mesmo sexo, (Zucker 1995)

Falta de brincadeiras mais “duras” (meninos), (Friedman, 1980: Hadden 1967a);

Falta de identificação com colegas do mesmo sexo (dificuldade de socialização), (Hockenberry 1987: Whitman 1977);

Não gostam de esportes de equipe (dificuldade de socialização) (meninos), (Thompson 1973);

Falta de coordenação manual ou visual e resultante provocação dos colegas (meninos), (estigmatização) (Bailey 1993: Fitzgibbons 1999: Newman 1976);

O abuso sexual ou estupro, (Beitchman 1991: Bradley 1997: Engel 1981: Finkelhor, 1984; Gundlach 1967);

Fobia social ou timidez extrema, (Golwyn 1993);

Perda dos pais por morte ou divórcio, (Zucker 1995);

Separação dos pais durante decisivas fases de desenvolvimento. (Zucker 1995)."

Então, a heteronormatividade e a homofobia são os problemas?


Finalmente, como o(a) leitor(a) já deve ter observado, daria para transformar esse texto em um artigo muito extenso se fosse o nosso interesse, repleto de citações e exemplos do cotidiano. Todavia, esse não é o espaço adequado para um debate mais profundo.

Os exemplos citados são apenas alguns e eles deixam claro que é possível, sim, que pessoas homossexuais, transgêneros e outros passem por conflitos associados ao desenvolvimento e fixação de suas orientações sexuais, e que isso não tenha relação alguma com os argumentos apresentados na cartilha do CRP-12.

Além do contexto familiar e dos traumas sexuais, há um terceiro ingrediente nisso tudo, que é a "modelagem cultural". O que a perspectiva behaviorista da psicologia explica como "reforço de contingência" está sendo explorado ao máximo nos meios de comunicação, de forma que crianças e adolescentes atualmente estão sendo induzidos à crise de identidade por conta dessa promoção desenfreada das ideologias sexuais.


É justamente por essa ampla gama de possibilidades acerca da formação da identidade sexual que o profissional de psicologia não pode ser tolhido de acolher o sofrimento dos seus clientes com ressalvas e imposições político-partidárias.

Assim como há indivíduos homossexuais plenamente realizados, e vivendo bem assim, há muitos outros que não estão felizes e desejam mudar tal condição. O que os psicólogos devem fazer, ignorar ou simplesmente fazê-los acreditar que é culpa do "sistema"?

Compreender o motivo desse desconforto de forma enviesada não é uma postura científica, muito menos ética. Cabe lembrar o Artigo 2º, letra "b" do Código de Ética do psicólogo, que não vale apenas para os "fundamentalistas", mas também para os "progressistas".

Se o sofrimento trazido por um LGBT na clínica psicológica é fruto de uma origem traumática e um contexto de sofrimento, que para tal indivíduo explica a sua condição sexual na atualidade, isso deve ser considerado e trabalhado pelo profissional da psicologia sem qualquer enviesamento ideológico, quer no sentido de adaptação e permanência na condição sexual atual, quer no sentido de mudança.

Em todo caso, mudanças são possíveis, sim. E quem às determina é o próprio indivíduo que sofre, bem como a natureza do sofrimento. Reconhecer e aceitar isso é algo que se os ativistas nos Conselhos de Psicologia não tiverem a honestidade intelectual de fazer, terão que engolir!


Por: Will R. Filho

REFERÊNCIAS:


MILLER, Alan. S; KANAZAWA, Satoshi. Por que homens jogam e mulheres compram sapatos. Rio de Janeiro. Prestígio, 2007.

GAUDERER, Christian. Sexo e Sexualidade da Criança e do Adolescente. Rio de Janeiro. Rosa dos Tempos, 1996.

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Anônimo
14 de julho de 2018 13:39

caro wil , que universidade voce estudou psucologia ? baseado em qual bibliografia,autor , teoria , que leu, estudou na universidade , que consegue afirmar e legitimar com toda essa certeza essa frases , "A única orientação sexual biologicamente herdada é a heterossexual " . O que voce faz nesse blog nao tem nada de cientifico e nem de psicologia , e sim se utiliza de textos de pessoas que nem reconhecidos no meio acadamico sao , para impor a sua visao ideologica de mundo , querendo mostrar para pessoas leigas , desinformadas , que a ciencia tem uma conclusao definitiva e universal sobre a sexualidade humana , o que nao e verdade . Seu wil faz um grande favor a sociaedade joga no lixo seu diploma de psicologo e vai trabalhar com outra coisa .

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