Seremos os próximos? Exclusões seletivas não são ações contra "fake news", mas outra coisa


É preocupante a informação de que o Facebook excluiu, na última quarta feira (24), cerca de 196 páginas e 87 perfis de natureza política, ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) e outros, como a do Movimento Brasil 200, do ex-presidenciável Flávio Rocha. Afinal, estamos assistindo a cooperação da maior rede social do mundo com políticas ideológicas autoritárias?

Chama atenção o fato de que todas as páginas excluídas estavam ligadas à direita e ao conservadorismo. Mais ainda, quando vemos que se trata do MBL, um grupo que foi crucial no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, ao articular diversas manifestações pelo país antes e depois do ocorrido.


A projeção nacional do MBL e seu crescimento para o ramo político, conseguindo eleger integrantes como o Fernando Holiday (vereador de SP) e lançando pré-candidatos ao cargo de deputado federal, como o Kim Kataguiri, coordenador do movimento, além de apoiar inúmeros outros, aumenta mais a suspeita de uma ação orquestrada contra o avanço da direita não apenas em terras tupiniquins, mas em toda a América Latina.

O procurador da República, Ailton Benedito, que desde setembro passado vem investigando o Facebook por supostos atos de censura contra alguns perfis brasileiros, já pediu explicações da plataforma, segundo informações do Ministério Público Federal de Goiás. É possível que uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) também seja aberta para investigar o caso.

Argumentos não convenceram


Segundo Nathaniel Gleicher, líder de cibersegurança do Facebook, a exclusão das páginas foi "parte de nossos esforços contínuos para evitar abusos e depois de uma rigorosa investigação", disse ele em um comunicado, com informações da Gazeta do Povo.

"Nós removemos uma rede com 196 Páginas e 87 Perfis no Brasil que violavam nossas políticas de autenticidade. Essas Páginas e Perfis faziam parte de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação”, explica Gleicher.

Entretanto, inúmeras páginas ligadas à esquerda no país que claramente disseminam informações falsas, por exemplo, sobre a prisão do ex-presidente Lula, continuam no ar. A alegação de que Lula é um "preso político" e de que o juiz Sérgio Moro possui complô com os Estados Unidos e partidos como o PSDB é algo comum em perfis como o da presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias, também senador pelo PT.

A verdade é que a propagação do discurso de combate às "fake news" pode estar sendo utilizada de forma seletiva, como argumentou o Dr. Ailton Benedito em sua conta na rede:


"Se o #FaceBook tivesse o objetivo honesto de combater #FakeNews, deveria excluir todas as e postagens, páginas e perfis que propagam a #FakeNews de que o impeachment de Dilma Rousseff teria sido “golpe”, porque a verdade inatacável é que se tratou de processo absolutamente legal".

Não defendemos a total credibilidade de um ou outro movimento, mas sim a transparência e igualdade no tratamento das notícias falsas, o que não parece estar sendo praticado pelo Facebook.

Se este policiamento seletivo ficar comprovado, não será surpresa alguma vermos uma reação em cadeia de censura a páginas como o Opinião Crítica e muitas outras que servem de contraponto ao politicamente correto estabelecido nas redes sociais.

Entretanto, esperamos que a justiça brasileira cumpra o seu papel e preserve nossa liberdade de consciência, opinião e expressão, mesmo através de postagens no Facebook, visto que a empresa não pode atuar no país sem estar enquadrada em nossa legislação.

Fica a nossa observação.

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