Inspirado na gestão de Lula, novo Presidente da Espanha adota política feminista



O novo presidente do governo da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, combinará em seu gabinete, de perfil feminista e europeísta, ex-ministros e caras novas na política espanhola.


Embora seja o próprio Sánchez quem o tornará público amanhã de maneira oficial, hoje já se sabia quem estará à frente de sete ministérios, cinco dos quais estarão ocupados por mulheres.

O gotejamento de nomes começou ontem com o do ex-presidente do Parlamento Europeu, Josep Borrell (2004-2007), à frente das Relações Exteriores e hoje se soube que outra especialista em temas europeus, Nadia Calviño, ocupará a pasta de Economia.

Calviño, formada em Economia e em Direito, é atualmente diretora-geral da Direção de Orçamentos da Comissão Europeia em Bruxelas.

A designada por Sánchez para tramitar a economia espanhola ocupou os postos de diretora-geral adjunta na Direção de Concorrência na Comissão e de diretora-geral na Direção de Mercado Interno, e tem um perfil marcadamente técnico.

Uma mulher com ampla experiência política, Carmen Calvo, ocupará a vice-presidência do Executivo e ficará responsável também pelo Ministério de Igualdade, iniciado durante o governo de José Luis Rodríguez Zapatero (2004-2011), de quem foi ministra de Cultura, e eliminado depois pelo conservador Partido Popular (PP).

O seu perfil feminista será previsivelmente uma das marcas do novo governo de Sánchez, ao mesmo tempo em que personifica, como constitucionalista e negociadora da aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola na região da Catalunha após a declaração unilateral de independência, a defesa da unidade e da integridade territorial da Espanha no gabinete socialista.

Para o diálogo com a Catalunha será fundamental também a catalã Mertitxell Batet, com grande experiência na política nessa comunidade autônoma espanhola, à frente de um Ministério para Administração Territorial criado por Sánchez.

Na nova administração socialista, o Ministério de Meio Ambiente somará as áreas de Energia, Água e Mudança Climática, e à frente dele estará Teresa Ribeira, uma especialista na matéria com dilatada experiência em temas ambientais.

O seu trabalho até agora nesse campo, muito reconhecido em nível internacional, lhe colocou entre as candidaturas mais bem avaliadas para suceder a costa-riquenha Christiana Figueres como secretária de Mudança Climática da ONU, embora o posto tenha finalmente ficado com a mexicana Patricia Espinosa.

Outras duas mulheres, María Jesús Montero, que assumirá o Ministério da Fazenda, e Carmen Montón, que ficará com o de Saúde, se somam à força feminina prometida por Sánchez para seu governo.

Entre os nomes informados hoje figura também o de José Luis Ábalos, homem de confiança do novo presidente do governo espanhol, que ocupará a pasta de Fomento.

Considerado a coluna vertebral do Partido Socialista (PSOE) e parte do núcleo duro de Sánchez, não se descarta que Ábalos combine seu novo cargo com sua atual tarefa como secretário de Organização da legenda.

Os novos responsáveis ministeriais informados hoje se encaixam com o perfil do governo projetado por Sánchez, formado unicamente por membros do PSOE, paritário e comprometido com a Europa, a igualdade e o meio ambiente.

Além disso, Sánchez anunciou que criará um Alto Comissariado para a Pobreza Infantil e tem a intenção de propor que outras formações políticas possam participar da renovação de membros do Tribunal Constitucional, do Conselho Geral do Poder Judicial e do Conselho de Administração da Rádio Televisão Espanhola (RTVE).

O novo presidente do governo da Espanha mantém a ideia de governar sozinho, apesar de os socialistas espanhóis terem sozinhos apenas 84 dos 350 deputados do Congresso, frente às 134 cadeiras do PP de Rajoy, agora na oposição.

Isto lhes obrigará a ter de negociar com outros partidos para desenvolver suas iniciativas no Congresso.

Comentário:

Em 2015 Pedro Sánchez esteve no Brasil e se reuniu com o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atualmente preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Na ocasião, o líder espanhol disse que Lula "é uma referência em política global, da boa política”.

Se a inspiração de Sánchez é Lula e sua forma de fazer política, o futuro cenário econômico e político da Espanha, atualmente a quarta maior economia da União Europeia, não parece nada promissor, levando em consideração a situação atual do Brasil e a residência do ex-Presidente.

No mais, o socialista segue a cartilha da esquerda mundial, o que não surpreende sua pauta dita "feminista" e a narrativa em prol da igualdade de gênero. Resta saber se isto será suficiente para conduzir o país e lidar com a onda conservadora que vem crescendo na Europa.

Fonte: EFE
Comentário: Will R. Filho

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