Por que um presidiário aparece nas pesquisas para o cargo mais importante do Brasil?


Na última semana tivemos a divulgação da pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, entre outras, para o cargo de Presidente da República do Brasil, referente às eleições desse ano. O que ainda chama atenção do público, no entanto, não são os resultados por si mesmos, mas o fato de um presidiário aparecer nos resultados.

Levando o assunto à risca, é perfeitamente possível dizer que o Brasil realmente não é um país para ser levado a sério. O que parece mero jogo político e marqueteiro, na verdade, reflete com precisão a imagem que o país possui lá fora: "O país do carnaval, da corrupção e do futebol".

Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a mais de 12 anos de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção, decisão esta fruto de ampla investigação e sentenças judiciais proferidas não apenas por um, mas vários juízes da mais alta competência.

Lula está atrás das grades há mais de dois meses, entretanto, sua foto ainda é estampada nos principais noticiários como um possível candidato para o cargo mais poderoso do país. A cumplicidade da grande mídia com o jogo de marketing promovido pelos apoiadores do criminoso revela o quadro moralmente degradante que atravessamos.

O Partido dos Trabalhadores (PT) atua de forma gritante contra o judiciário brasileiro, mandando às favas qualquer moralidade pública. Insistem em dizer que o presidiário será candidato à presidência, traduzindo fielmente a natureza corrupta que nasceu em seu berço e ideologicamente permanece até hoje.

A responsabilidade da mídia


Pesquisas podem ser encomendadas a institutos como o Datafolha, o que nos diz muita coisa e sugere o motivo pelo qual vemos discrepância entre o que ocorre nas ruas e é divulgado nas pesquisas. A maior gravidade, no entanto, está no respaldo que a grande mídia dá ao divulgar os resultados.

Ao publicar nos principais telejornais, impressos e mídias digitais resultados incluindo o presidiário Lula como potencial candidato, o jornalismo abre mão do seu compromisso com a verdade, uma vez que passa informações falsas sobre a possibilidade de tal candidatura.

Legalmente, Lula não tem qualquer possibilidade de se candidatar. Toda conjectura judicial envolvendo o seu caso é mero jogo político. Quando a grande mídia endossa resultados como o divulgado pelo Datafolha, está contribuindo para a legitimação da impunidade e o caos político do país.

Se fazer jornalismo é informar os fatos com base no compromisso com a verdade, deve fazer parte desse compromisso dizer ao cidadão o que a lei estabelece como regra eleitoral.

Se condenado em decisão judicial por colegiado em 2º instância não pode se candidatar, o destaque de uma pesquisa envolvendo o seu nome não é o resultado, mas o que a lei determina. Isto, sim, é endossar a verdade.

Enquanto formadores de opinião, jornalistas e agendes públicos não assumirem o compromisso de tratar os fatos como eles são, preferindo em nome de outros interesses dar mais destaque ao que criminosos desejam fazer para se livrar das suas penas, o Brasil continuará sendo o país da corrupção.

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