Copa? Mas, que Copa? O antes e depois do Brasil durante a Lava Jato


Quem diria! Começou o campeonato de futebol mais importante do mundo, mas ainda assim o clima festivo no Brasil parece estar praticamente inalterado. A Copa do Mundo de Futebol perdeu a fantasia na mente do brasileiro ou é só uma questão de momento?

O Brasil é conhecido como o "país do futebol", mas também o "país da corrupção" e do "carnaval", não por acaso. Nos últimos cinco anos, porém, a Operação Lava Jato, posta em prática pela Polícia Federal, mudou o quadro cultural e político em terras tupiniquins.


Pela primeira vez na história o Brasil se tornou conhecido internacionalmente pelo combate ao crime organizado. Personalidades como o juiz Sérgio Moro e a equipe de procuradores do Ministério Público Federal, chefiadas por Deltan Dallagnol, se tornaram grandes ícones do povo, inspirando uma geração cansada da corrupção que por décadas assola o país.

Sem dúvida o brasileiro mudou. Estamos mais conscientizados politicamente e isso faz com que velhas estruturas de modelagem cultural, como a Rede Globo e toda a TV aberta, percam poder de influência sobre nós.


Às redes sociais e o acesso mais facilitado às mídias alternativas, como o Opinião Crítica e inúmeros outros sites independentes, também ajudou muito na construção desse novo cidadão, cada vez mais crítico e exigente, o que é ótimo!

Há poucos dias da Copa do Mundo de Futebol, várias pessoas não sabiam a data de abertura do evento ou mesmo quando seria o primeiro jogo da seleção brasileira. Se não fossem os ambulantes que vendem bandeirinhas e outros acessórios da seleção nas ruas, talvez o conhecimento ficasse ainda mais difícil. Os amistosos da seleção, então, passaram despercebidos para muitos.

O antes e depois da Lava Jato


A mudança na cultura política do Brasil iniciou em junho de 2013, na ocasião dos protestos pelo "passe livre", em São Paulo. Na ocasião, a ex-Presidente Dilma Rousseff teve o seu governo abalado e a possibilidade do impeachment surgiu pela primeira vez, bem como o pedido por uma nova constituinte.


Em 2014, ano de eleição presidencial, a disputa acirrada acompanhada por inúmeras denúncias de corrupção envolvendo lideranças do Partido dos Trabalhadores, no caso conhecido como "mensalão", aumentou o interesse do brasileiro pela política. Àquele foi o ano em que surgiu a Lava Jato, deflagrada em março.

O resultado das eleições presidenciais não agradou boa parte dos brasileiros, desconfiados de fraude nas urnas eletrônicas. Isso fez com que já em março de 2015, mais precisamente no dia 15, cerca de 1 milhão de pessoas fossem às ruas protestar contra o Governo.

2015 foi um ano de protestos constantes e aumento da insatisfação com o rumo econômico do Brasil. A bola de neve cresceu, até que em 2016, também em março, novas manifestações reuniram milhões de pessoas pedindo a concretização do impeachment de Dilma Rousseff, aberto em dezembro de 2015 e finalizado em 31 de agosto do ano seguinte.


Enquanto isso, a Lava Jato não parou de deflagrar novas fases, revelando cada vez mais os bastidores do maior esquema de corrupção que o mundo já viu. Grandes empresários, lideranças políticas e até um ex-Presidente da República se tornaram réus, resultando na condenação e prisão de Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção e lavagem de dinheiro em 7 de abril de 2018.

Quem diria que o combate a corrupção no Brasil se tornasse o principal interesse do brasileiro? Que a situação econômica e política fossem, de fato, tratados com mais seriedade pelo cidadão, independentemente da classe econômica? Que assuntos envolvendo a moralidade, a família, drogas, aborto, a educação e até a liberdade religiosa fossem mais importantes do que 22 homens disputando uma bola no "país do futebol"?

Quem diria?


Por: Will R. Filho

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