Adolescente comete suicídio sob gritos de "pula, pula" - Alguma diferença de assassinato?


No último dia 06, um adolescente de 17 anos cometeu suicídio ao pular de uma passarela por volta das 11 horas, na BR-116, em Curitiba - PR. O jovem – que terá o nome preservado – permaneceu no lugar por cerca de uma hora, sendo contido pela equipe do Corpo de Bombeiros. Mesmo já demonstrando sinais de desistência, o rapaz resolveu tirar a própria vida, após incentivo de pessoas que assistiam o drama.

Vídeos publicados nas redes sociais mostram pessoas desejando a morte do adolescente. Em uma gravação, um soldado do Corpo de Bombeiros afirmou que o jovem já estava desistindo de se suicidar, mas que um "coro" de pessoas gritando "pula, pula", interferiu na ação e terminou motivando o rapaz para que ele pulasse.

As cenas são chocantes e não recomendamos aos leitores. Nossa intenção foi constatar esse absurdo para a redação de uma matéria para outro site, de caráter informativo, mas que podemos trazer ao Opinião Crítica por se tratar de uma problemática humana envolvendo o desejo pela morte.

Infelizmente, o episódio é tão lamentável e entristecedor que é impossível não se ver chocado diante das palavras de pessoas desejando assistir, literalmente, o suicídio de outro ser humano.


Qual é a diferença de quem incentiva o suicídio para quem assassina friamente outro ser humano?


Se é possível dizer que há diferenças, elas só existem quanto aos métodos de assassinato, pois na prática a brutalidade é a mesma. Juridicamente também há diferenças, mas falamos aqui do caráter humano do ato. Emocional e psicologicamente, desejar que outra pessoa tire a própria vida é tão cruel quanto assassiná-la com as próprias mãos.

Não é por acaso que o incentivo ao suicídio, ou facilitação dele, é crime segundo o decreto de lei nº 2.848/1940, embora a pena seja menor que o ato de assassinato praticado, sendo a prisão de dois à seis anos. O fato é que todo assassino em potencial é alguém que deseja a morte e não sente dor por ela.

Perder a noção do sofrimento humano, sendo incapaz de sentir a dor do "outro", é perder a referência da própria humanidade. Observe que no episódio não vemos apenas o desejo de alguns em querer a morte de outra pessoa, mas também de - assistir - a morte. Essa atitude é típica de perfis psicopatas.

A indiferença diante do sofrimento humano é algo marcante em nossa geração. Não se trata, apenas, de algumas pessoas, mas também do contexto onde elas vivem. Com base nisso, publicamos o texto: "A sedução do bizarro na moda zumbi - Por que o terror atrai tanto às pessoas?", onde falamos como a morte se tornou banal e o terror uma forma de romantizá-la. Leia para saber mais aqui.

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