Venezuela lança o "Petro", a criptomoeda que visa superar o bloqueio econômico dos EUA


Começou ontem a ser vendida a moeda virtual venezuelana, o petro, tentativa do regime de Nicolás Maduro para ultrapassar os problemas de liquidez do país, que tem se mostrado incapaz de cumprir com as suas obrigações financeiras internacionais.

"Demos início formal, e com sucesso, à concretização do processo de pré-venda do nosso criptoativo, o petro", anunciou o vice-presidente Tareck el Aissami, numa intervenção realizada na sede da presidência, o palácio de Miraflores, em Caracas.

Terão sido transacionados em venda privada 38,4 milhões de petros, de uma emissão total de cem milhões, e colocados outros 44 milhões em oferta pública. O remanescente ficou reservado pelo governo.

O valor de cada petro é equivalente ao valor de um barril de petróleo venezuelano, atualmente cotado a 60 dólares.

O lançamento do petro fora inicialmente anunciado pelo presidente Nicolás Maduro no final de 2017, com o objetivo "de realizar transações financeiras e obter novas formas de financiamento", disse então o dirigente venezuelano.

Para Maduro, a Venezuela é alvo de uma "guerra econômica" dirigida pelos Estados Unidos e apoiada pela oposição interna. Washington decretou sanções econômicas em 2017 e proibiu que investidores privados americanos de adquirirem títulos de dívida pública da Venezuela.

Desde então, o país tem tido grande dificuldade em obter divisas e em refinanciar a sua dívida. O Departamento de Estado americano já advertiu que qualquer aquisição da moeda virtual venezuelana será equivalente à violação das sanções em vigor contra este país.

Em geral, os analistas de mercados exibiram claro ceticismo perante a operação, considerando que o nível de investimento a ser alcançado será insuficiente para as necessidades de financiamento da Venezuela. Alguns referiram que a conjuntura econômica do país, caracterizada pela hiperinflação e o peso desmesurado da despesa pública, manterão afastados os investidores.

Foi destacado ainda que, ao contrário de outras moedas virtuais (ou criptomoedas), que são criadas de forma descentralizada, o petro é emitido de forma centralizada pelo governo de Caracas [tornando a Venezuela o primeiro país do mundo a lançar uma moeda virtual oficialmente].

Finalmente, foi sugerido que o surgimento do petro irá contribuir ainda mais para a desvalorização da moeda oficial, o bolívar [que hoje vale míseros US$ 0,00004]. (...)

Comentário:

Segundo um levantamento realizado pela empresa de consultoria econômica Hercon, mais de 70% dos venezuelanos vivem em condição de pobreza. A inflação do país aumentou 2.500% e cerca de 90% da população não possui renda suficiente para viver de forma digna.

Os recentes embargos econômicos dos Estados Unidos, precisamos ressaltar, se deu após o regime de Nicolás Maduro instaurar medidas autoritárias, como o fechamento do Congresso, destituição de juízes, procuradores e a perseguição aos opositores políticos do regime.

É o governo socialista de Nocolás Maduro, somado à herança de Hugo Chaves, que veem destruindo a economia venezuelana e, consequentemente, a qualidade de vida do seu povo.

As eleições marcadas para o próximo dia 22 de abril deverão exemplificar mais cenas de autoritarismo, manipulação eleitoral e opressão deste, que, apesar de já ser considerado um governo ditador, continua sendo apoiado pelos partidos de esquerda do Brasil.


Com informações: Diário de Notícias
Comentário: Will R. Filho

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