Solidão e falta de cuidado diminui capacidade do cérebro e aumenta risco de câncer, aponta estudo

Solidão e falta de cuidado diminui capacidade do cérebro e aumenta risco de câncer, aponta estudo


Relações sociais significativas são uma parte importante da saúde emocional e da qualidade de vida, mas também existem laços entre conexão social e saúde cerebral


Em um estudo recente que ajudei a conduzir na Universidade Estadual de Ohio, meus colegas e eu encontramos maiores taxas de concentração e dificuldades de memória entre sobreviventes do câncer de mama que experimentaram altos graus de solidão, em relação a outros com taxas mais baixas de solidão.

Pesquisas anteriores já descobriram links entre solidão e bem-estar físico - sentir que a qualidade de seus relacionamentos não é boa é um fator de risco para uma grande variedade de problemas de saúde, incluindo problemas cardiovasculares -, mas nosso estudo recente abriu novos fundamentos na busca de conexões entre isolamento social e funcionamento cognitivo.


Está muito claro que pessoas mais solitárias enfrentam dificuldades de concentração e memória, algo que realmente não sabíamos antes.

Explorando o vínculo entre a solidão e o cérebro


Os cientistas já entenderam que a solidão pode ter um impacto negativo no cérebro. Existe uma conexão entre os sentimentos negativos [como a falta de amor] e um tipo de inflamação cerebral conhecida por ser um fator de risco para a doença de Alzheimer, o que sugeri um vínculo potencial entre a solidão e a capacidade geral do cérebro de funcionar.

Ao mesmo tempo, haviam poucas investigações demonstrando que a solidão poderia impactar os aspectos-chave da cognição, como a atenção e a memória.

A fim de determinar se a solidão poderia levar à diminuição da saúde cerebral, minha equipe de pesquisa e eu estudamos três grupos de sobreviventes do câncer de mama, juntamente com grupos de controle que incluíam indivíduos que não eram sobreviventes de câncer.

Para os dois primeiros estudos, os participantes auto-descreveram o grau de solidão percebida e [aspectos da] função cognitiva; um grupo recebeu mais questionários da pesquisa padrão e testes de cognição.

As três fases do estudo produziram resultados notavelmente consistentes. Não foram apenas os sobreviventes de câncer de mama mais solitários que enfrentaram dificuldades cognitivas. As questões de atenção e memória também apareceram entre os grupos de controle [que não tiveram câncer], sugerindo que era a solidão, e não o tratamento do câncer, que explicava a concentração e a memória em declínio.

O caminho adiante - O dilema do tratamento


O vínculo entre isolamento social e saúde cerebral parece ser um avanço importante para o tratamento de problemas cognitivos. Mas a pesquisa levanta algumas questões adicionais complexas e destaca a dificuldade de medir variáveis ​​subjetivas que afetam o desempenho cognitivo.

Agora temos uma base para explorar os laços entre solidão e doenças neurológicas como a doença de Alzheimer. Explorar a conexão entre isolamento social e distúrbios cerebrais graves pode ajudar os médicos a desenvolver novos métodos de tratamento para abordar problemas cognitivos, além de ajudá-los a reconhecer algumas das causas de concentração e problemas de memória em seus pacientes.


Ao mesmo tempo, a solidão é um conceito abstrato, baseado em sentimentos subjetivos sobre como alguém se sente conectado ou desconectado com o mundo. Os pesquisadores ainda não estão seguros sobre como, ou mesmo se a solidão pode ser tratada clinicamente, pois não temos evidências claras sobre como reduzir a solidão. É um problema difícil de resolver.

Ainda assim, a nova pesquisa reitera uma idéia importante: a saúde física e a saúde mental não são apenas impactadas por doenças, mas também por esses fenômenos um pouco mais abstratos de se sentir amado ou cuidado.

Conexões sociais significativas podem ser tão fundamentais para o bem-estar de alguém como uma dieta saudável. Assim como devemos ter nutrição para viver e prosperar, também precisamos do sustento de nossas relações sociais também.

Comentário:

O que nos chama atenção é o fato de que tal estudo, assim como vários outros que seguiram a mesma linha de pesquisa, aponta para o que já é sabido há milhares de anos. Ora, a Filosofia, Teologia, Psicologia, Antropologia e a própria Biologia já revelaram esses indícios e outros mais.


Dessa forma, o que parece estar por trás dessas pesquisas, na verdade, não é a busca por novos conhecimentos, apenas, mas como alcançar meios de submeter àquilo que a humanidade já reconhece como verdade aos interesses da indústria da saúde.

Em todo caso, é bom que os aspectos emocionais e relacionais do ser humano estejam sendo correlacionados ao modelo biomédico. A psicologia é a grande mestre nesse assunto. Se tivermos que dar mais ouvidos aos profissionais do comportamento, portanto, que seja aos psicólogos.


Por: Dr. Jaremka / Psychology Today
Comentário: Will R. Filho

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