ESTRATÉGIA DE MARKETING OU PROPAGANDA ENGANOSA?


Marketing estratégico em resumo, não é nada mais do que a elaboração organizada de meios para atingir um objetivo final. Seja a promoção de um produto, serviço ou até mesmo a promoção de você mesmo, afinal, todos nós fazemos nosso marketing quando queremos alcançar algo. “Todos vendemos nosso peixe...”

É comum empresas diversas querendo a promoção de seu produto ou serviço fazerem uso do marketing estratégico, mas até que ponto este marketing deixa de ser ético, passando a ferir a moral de outros?

Toda estratégia de marketing deixa de ser ética e plausível quando se vale da ignorância de outros, da boa intenção, do momento emocional desequilibrado a que uma pessoa pode se encontrar ou simplesmente da omissão de informações que são decisivas quanto ao interesse do consumidor. O bom marketing estratégico é aquele que fazendo uso das qualidades de seu próprio produto ou serviço, consegue despertar interesse do público alvo, valorizando seus diferenciais e ganhando o respeito de seus usuários.

Um exemplo clássico de quando o marketing deixe de ser estratégico para se tornar numa violação da moral popular, são algumas empresas de capacitação profissional, que fazem uso de um jogo evasivo de informações e promessas para conquistar clientes.

O cidadão recebe uma ligação dizendo que ele (ou filho) ganhou uma “bolsa” de estudos, patrocinada por alguma ONG, empresa privada ou órgão público e que por isso precisa comparecer até – tal hora – em um determinado endereço para fazer sua inscrição num curso de sua escolha. Você chega no endereço e, geralmente, após preencher uma ficha pedindo informações como nome, profissão e endereço, é atendido por uma pessoa que se passa por Diretor, Professor, Coordenador, Psicólogo ou Assistente Social, mas que na verdade é um vendedor(a).

Perceba então que o marketing estratégico ai já foi embora e muito tempo, não se trata de marketing, mas sim de picaretagem, pois toda a informação recebida até então esta repleta de MENTIRAS.

Você então passa por uma entrevista onde o “vendedor” disfarçado busca retirar informações de sua vida pessoal, tipo anseios profissionais, condição financeira, incitando emoções e, principalmente, a sensação de “prejuízo” na sua vida, para que você se sinta induzido e obrigado a recuperar um tempo perdido. Feito isso o atendente lhe explica o que você ---realmente----ganhou! Geralmente é apenas um “curso” de 2, 4 ou 6 dias, sendo apenas uma ou duas horas de aula cada dia. Você então descobre que não se trata de nenhum curso –-profissional---, mas sim uma pequena amostra gratuita.

Frustrado(a) com o “benefício” você então pergunta como faz para fazer o curso completo, o atendente diz que você teria que pagar um valor X, (que é um valor irreal, sempre bem acima da média, coisa de 200, 300 até 400 reais a mais). Você então fica mais frustrado(a) ainda, pois sabe que nunca poderia pagar esse valor. É ai então que o atendente subitamente, como quem recebe uma mensagem vinda do céu, diz para você que talvez tenha como lhe encaixar num programa especial, bolsa ou parceria, mas que para isso ele tem que colocar você naquele instante, no mesmo dia, pois o suposto “benefício” já havia sido encerrado ou irá encerrar nas próximas horas.  Você então se vê diante de uma “grande” oportunidade e fica sensibilizado(a) com o esforço do seu atendente.

Feito isso, o atendente lhe passa todas as condições do curso ---completo----, primeiro dizendo o que um aluno supostamente sem o benefício paga em sua escola; “o aluno particular paga X disso, mais X daquilo, mais X disso, mais a matricula de X e a mensalidade de X”. _Nossa? Agora ele diz qual é o seu benefício: “você não vai pagar isso, nem aquilo, nem isso, isso também não, e ao invés de pagar X de matrícula você paga apenas X% da mensalidade”. Detalhe; a primeira mensalidade tem que ser no ato... caso contrário, perdeu o benefício!

Na segunda possibilidade, o atendente após a entrevista lhe explica todo o curso que você ira fazer, sendo que lhe passando um valor ----irreal---, ou seja, ele põe um valor bem acima do normal para depois dizer que: “devido a bolsa que você ganhou ser de X%, você não vai pagar isso, nem isso, nem isso, mas apenas uma pequena parcela de X”.

No final das contas o marketing estratégico transformou-se num amontoado de mentiras para atingir um único objetivo; o bolso do cliente. Não existe parceria com empresa nenhuma, muito menos com ONGs. Tudo não passa de uma farsa para envolver o cliente num jogo emocional onde no final o que vale mesmo é a cor do dinheiro. O valor final é que é o valor real do curso e o suposto benefício é apenas uma maneira de lhe tirar de casa e envolvê-lo num sentimento de oportunidade única ao chegar no local.

Esse não é o marketing estratégico em que acredito... e você, o que acha?

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