O MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO - DUAS CRÍTICAS

Freud devia ter muitos motivos para reduzir a vida humana a esfera sensorial dos “instintos básicos” e as necessidades do ego. Seus escritos em “O mal-estar na Civilização” demonstram um autor intrigado, não com a sociedade apenas, mas ao que parece com sua própria vida. Talvez o mal-estar da civilização seja na verdade, antes de tudo o mal-estar de Freud, que com claras literalizações de seu eu expressa bem a sua agonia em compreender o sentimento “oceânico”, talvez, de suas frustrações.

Em princípio é conveniente se pensar até que ponto determinada filosofia é válida e digna de respaldo? Penso que quando é composta por um conjunto de argumentos amparados por várias disciplinas do saber humano, bem como quando se utiliza de um número máximo de questionamentos daquilo que busca entender. Dessa forma posso pensar no seguinte:

1º - Freud põe o mal-estar humano como uma situação imposta pela civilização frente a supressão das condições originais humanas expressas através dos instintos libidinais, que para ele fora o único meio de se atingir a felicidade e plena humanidade.

Crítica – Freud não deve ter buscado em nenhum cultura elementos visíveis para sustentação dessa sua conclusão, visto que não há, um só registro de qualquer cultura, seja pré-histórica ou atual, capaz de exemplificar a vivência – não civilizadanos padrões que ele descreve. A visão que tem alguns pensadores de uma humanidade livre de regras civilizantes e dotada de uma vivência plena de suas pulsões instintivas simplesmente – NÃO EXISTEM!

A mais isolada tribo indígena possui seu próprio modelo de sociabilidade, que imputa regras, sujeição a autoridades, ritos religiosos e conseqüentemente justiça. Ora, o que entendemos civilização não esta no nível de instrução ou qualidade tecnológica, mas nas relações sociais desenvolvidas por um povo.

2º - Freud aponta a religião e o amor como sendo espécies de “desvios” tomados pelo humano, como subterfúgio, isto é, como forma de suprimento de suas carências provocadas pelo aniquilamento de suas pulsões, satisfações libidinais, em face da organização das relações humanas em torno de uma civilização. Desse modo, a religião para ele é o reflexo de uma condição, emocional e intelectualmente imatura, pois reflete o apego a um objeto – Deus-pai – que visa suprir o amputamento da humanidade plena através dos instintos do id.

Crítica – É considerável a violação radical de Freud ao modelo de uma Filosofia mais especulativa, a qual se oferece elementos mais precisos para se chegar a uma compreensão dos porquês da representação do – sentimento religioso – através da religião, bem como as concepções do amor. Freud ao compreender o sentimento religiosos como um déficit de impulso sexual, esquece-se de além buscar compreender as milhares de evidências e causas para o fenômeno do sentimento religioso através de documentos e fatos cientificamente comprovados através da história, parece ignorar que, da mais antiga e isolada tribo à mais evoluída civilização, o sentimento religioso difere das circunstâncias culturais, evolutivas ou políticas de um povo. Se para ele é a vivência plena das satisfações – momentâneas – humanas que qualificam a felicidade e que isso, por ser sinônimo de amadurecimento aniquilaria de vez a existência do sentimento religioso humano, em qual povo, cultura por mais remoto que seja há tal exemplo, da exclusão desse sentimento? Pense.

Fica aqui então essas duas críticas para sua reflexão. Se você tem uma opinião construtiva, contribua, deixe aqui seu comentário logo abaixo.

Abraço e até a próxima...

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