E se Temer fosse afastado da Presidência? Pense bem antes de falar em corrupção


Logo após a rejeição pelo Congresso Nacional das denúncias de corrupção envolvendo o Presidente Michel Temer, uma série de manifestações de caráter popular surgiram, especialmente na internet, alegando que o fato das denúncias não terem sido aceitas, podendo acarretar no seu afastamento do cargo, demonstra a existência de uma certa "conspiração" que visa proteger o atual governo.

Os partidos de "esquerda" e seus militantes, então, se aproveitam do cenário para dizer que a população que protestou contra o governo petista de Dilma Rousseff, provocando o seu impeachment, queria na verdade expulsar o PT do planalto para entregar o poder nas mãos de siglas como o PSDB e o PMDB, sendo por isso coniventes com a corrupção presente nesses partidos.

O engraçado é perceber como a palavra "corrupção" rapidamente ganhou força e sentido na ala da oposição. Mas, será mesmo que a questão se resume ao interesse por justiça?


Até que ponto a decisão pelo possível afastamento do Presidente Michel Temer no atual cenário político e econômico do Brasil seria a melhor decisão? Ou, sendo mais específico: até que ponto a decisão de rejeitar as denúncias e manter o atual governo tem a ver com julgar se o Presidente é ou não culpado das acusações?

Acredite, se você não pensou nessas questões o quanto deveria e foi logo "baforando" críticas contra a decisão favorável ao Presidente, é muito provável que esteja sendo "vítima" de uma narrativa dos partidos que visam mascarar a verdadeira intenção por trás dos fatos. Esse texto é uma pequena tentativa de lhe fazer pensar toda essa bagunça "para além" do processo judicial em curso. Acompanhe:


O contexto do governo Dilma não foi o mesmo que o atual


Se você acha que o impeachment de Dilma Rousseff foi provocado apenas pelo descobrimento das "pedaladas fiscais" está muito enganado(a). A descoberta das "pedaladas" foi apenas uma consequência de um cenário econômico que se tornara cada vez mais insustentável.

Por que, afinal, o Brasil estava em recessão? De onde surgiram 12 milhões de desempregados? Por que o PIB estava em decréscimo? Como a cebola, batata, o feijão, o tomate e vários outros itens da economia doméstica chegaram a preços assustadores devido ao aumento constante da inflação?

Isso tudo, claro, sem mencionar a falta de verbas para continuar custeando programas como o Minha Casa Minha Vida, o Bolsa Família, FIES e o intercâmbio educacional de estudantes do Ensino Médio. A Caixa Econômica, por exemplo, vem durante anos tendo a necessidade de ajustar sua política de financiamento imobiliário por falta de verbas para liberação do crédito, apesar do aumento na procura da casa própria. Ora, se há aumento, não deveria refletir maior dinheiro na poupança e poder aquisitivo? Só que não!

A liberação do crédito "fácil" com a finalidade de aumentar o número de pessoas com a casa própria (para fins de marketing político), gerou grande número de inadimplência, prejudicando a arrecadação do banco. Cria-se a ilusão de que o trabalhador comum, mesmo sem a certeza de um emprego estável ou regular, possa custear a prestação do seu imóvel quando, na verdade, diante da crise e falta de trabalho não possui o suporte necessário para manter o investimento. 

Por se tratar do maior banco público com influência governamental, é óbvio que os programas criados e mal administrados pelo governo não serão postos como os verdadeiros culpados da crise financeira do banco, visto que o próprio banco é utilizado como ferramenta de marketing político. A gestão da instituição tende à cumprir os interesses do governo. Por essa razão você dificilmente saberá que apenas com o FGTS o banco possui uma dívida de R$ 260 BILHÕES e já pediu, esse mês, mais 10 bi para honrar novos contratos de financiamento.

No governo atual, por outro lado, a economia do país vem aos poucos se recuperando. A inflação está controlada e os índices já projetam um pequeno crescimento do PIB para o próximo ano, retirando o país da recessão. Não é um paraíso, evidentemente, mas é um avanço se comparado ao quadro anterior, especialmente considerando o pouco tempo da atual gestão e o estrago produzido pelo antecessor. 

Portanto, a questão aqui se trata principalmente de números e não de amor partidário. Se trata de considerar o que está sendo, ao menos na - economia - mais coerente com as necessidades do país.

A diferença está em reconhecer a corrupção, mas decidir com estratégia, visando o menor risco para o país


Outro ponto chave para entender a rejeição das denúncias contra o Presidente Michel Temer está no fato de que vários políticos que votaram a "seu favor" não o fizeram por (de)sacreditar no seu envolvimento em corrupção, mas sim por entender que o seu afastamento no atual contexto pode favorecer a desestabilização econômica e política do país, algo pretendido pela esquerda.


A diferença entre quem apoia a continuidade de Temer até o final do mandato para quem apoiava Dilma Rousseff ano passado está no desapego aos corruptos. Enquanto o eleitor da Dilma se fazia de "surdo, cego e mudo" para a situação do país e as denúncias de corrupção envolvendo a PresidenTA, seu partido e aliados, o cidadão que hoje defende a continuidade de Temer (e que certamente não o elegeu em 2014) enxerga com tranquilidade as denúncias porque sabe que em 2018 dará sua resposta nas urnas, uma vez que não possui "bandido de estimação".

Em outras palavras, não se trata de não acreditar no possível envolvimento de Michel Temer com a corrupção, até porque ele foi o vice-presidente de Dilma, certo? Com tanta experiência política de ambos, difícil imaginar quem aprendeu mais com o outro.

Se trata de reconhecer que restando apenas um ano para as próximas eleições, o prejuízo de afastar outro Presidente do cargo será muito maior do que os pequenos avanços que a gestão atual tem proporcionado no plano econômico.


A intenção da esquerda é criar o caos com o afastamento de outro Presidente para construir a possibilidade de eleições diretas


Lembra das manifestações ocorridas em junho de 2013, supostamente pelo "passe livre"? Naquela ocasião surgiu o pedido pela criação de uma "Assembleia Constituinte" exclusiva e originária. Ora, 2013 foi o ano em que o governo Dilma começou a desmoronar. Não por acaso a esquerda, visando a possibilidade do impeachment, iniciou o pedido por um tipo de reforma política que, na verdade, pretendia estabelecer um NOVO ESTADO.

Esse é o significado prático de uma Constituinte soberana, originária e exclusiva: a criação de uma nova Constituição, por grupos que, supostamente, falariam em nome do povo, mas que no contexto de aparelhamento estatal como é o nosso, significaria um golpe de Estado, exatamente como ocorrido na Venezuela recentemente, na gestão de Nicolás Maduro.

Esse pedido surgiu, também, em razão de outro pedido (sempre nas manifestações de esquerda), que foi o das Eleições Diretas. Como esse tipo de eleição não está previsto em nossa Constituição, a única forma de fazer isso, na ocasião, seria acrescentando uma emenda constitucional ou criando uma nova Constituição por completo, que seria a Constituinte.

Desde então, o pedido por eleições diretas passou a fazer parte das manifestações de esquerda nas situações de crise governamental. Isso, porque, diante das acusações de corrupção e impeachment iminente, eleições diretas seria uma via de escape para os partidos de esquerda conseguirem eleger seus representantes, sem correr o risco de perder o poder através de eleições normais ou mesmo pelo cumprimento da justiça, como ocorreu no caso Dilma.

Atualmente a situação não é diferente. A esquerda no Brasil está em crise, sem força - moral - e com muito dos seus representantes atrás das grades. Os que (ainda) não estão, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderão estar muito em breve, eliminando as chances da ideologia esquerdista retornar ao poder em 2018. Em contrapartida, representantes da direita e a "onda conservadora" vem crescendo no país, não apenas no campo político, mas também no cultural. 

Isto posto, a melhor alternativa para partidos como o PT e o PSOL atualmente é NÃO aguardar as eleições de 2018, mas sim tentar antecipá-la, porém, por meio da força de movimentos sociais aparelhados, e muito bem financiados, para criar no país a situação de caos necessário para que a possibilidade de uma eleição direta, por exemplo, dê a figuras como Lula a chance de subir ao poder antes de ser definitivamente condenado e impedido de disputar qualquer cargo público.

Isso tudo, obviamente, feito por meio de forte articulação política, dentro do Congresso e também com o apoio da máquina de manipulação da opinião pública, que é a grande mídia aparelhada. Não pense que não há esse risco, porque ele existe e sua eficácia está no "troca-troca" entre políticos de "rabo preso" com a justiça.

Conclusão


Infelizmente no cenário político brasileiro, nós cidadãos somos obrigados a ter que escolher "dos males o menor". Isso vale também para políticos sérios que estão no Congresso, precisando tomar decisões difíceis que nem sempre aparentam ser a moralmente correta, mas que são necessárias para o contexto atual de poderosos e ocultos interesses envolvidos.

Nos resta acompanhar e pesar na balança os pontos que consideramos positivos e negativos, sem esquecer que nada na política se resume à uma decisão, ou voto, mas que envolve estratégias muito além desses. Saber enxergar e compreender quais são essas estratégias é um desafio, mas certamente te ajuda a julgar melhor quem pode receber o seu voto.


Por: Will R. Filho

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27 de outubro de 2017 23:39

Parabéns pelo EXCELENTE texto ! Exatamente o que penso, a quem interessa a saída de Temer neste momento a não a esquerda!

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