Se nazismo é de direita ou esquerda, isso não é o mais importante

Após as manifestações de grupos associados ao nazismo na cidade universitária de Charlottesville, no Estado americano de Virgínia, o debate sobre as raízes ideológicas do nazismo ficou acentuado entre militantes políticos, formadores de opinião, curiosos e acadêmicos em geral. A questão é: o nazismo é de esquerda ou direita?

Longe do que já existe por ai, aqui você não verá uma análise histórica em defesa de "a" ou "b", mas sim uma crítica ao que mais parece uma guerrilha de narrativas inútil e distante do aspecto mais importante sobre o assunto acerca do nazismo e outras ideologias espúrias. 

Sim, compreender as raízes conceituais de uma ideologia e como ela ganhou/ganha corpo na sociedade através de visões políticas, éticas e econômicas específicas, é realmente necessário. Entretanto, quando falamos de algo em comum que afeta ambos os lados e encontra um mínimo de consenso em todas as partes envolvidas, que é o racismo, por exemplo, o que se torna mais importante?


Entender as genealogias de um fenômeno presente pode servir para esclarecer suas origens e algumas das suas motivações, mas quando isso se torna o foco central das análises ao ponto de roubar o centro das atenções de um debate, o fator primordial dos nossos esforços, que é o combate à toda forma de atitudes e ideias inaceitáveis em uma sociedade, como é a segregação racial, deixa de existir ou, no mínimo, perde sua força.

É interessante observar como alguns são seduzidos com facilidade pelo ímpeto de querer vencer um discurso que, na prática, é inútil do ponto de vista prático. 

Grandes análises, investimento em marketing e horas de gravação para resolver a ´"problemática" sobre a raiz ideológica do nazismo certamente não é tão significativo para 80% da população, do que concordar, ambos os lados, que o nazismo e ideologias semelhantes, quer de "direita" ou de "esquerda", são inaceitáveis, destrutivos e ultrajantes moral e eticamente para a humanidade.

Ver a quantidade de mídias, pequenas e grandes, personalidades, anônimas e famosas, se preocupando mais em fundamentar sua opinião sobre o nazismo ser de "esquerda" ou de "direita", mais do que com o espantoso fato da sua ainda existência, tal como ideologias semelhantes, presentes tanto na "esquerda" como da "direita", é perder o rumo das ações e não compreender a maior lição deixada na história recente:

Qualquer ideologia que não respeita às liberdades individuais, o valor intrínseco da vida humana sem distinção de raça, cor, etnia, religião ou costumes, a tolerância pelas diferenças e a necessidade do diálogo para resolução dos conflitos, é maligna e deve ser combatida.

Nesse perspectiva, já não importa se falamos de nazismo, comunismo, ultranacionalismo, "supremacismo" ou qualquer outra leitura ideológica da sociedade, pois o que fica em evidência é o respeito pela vida humana e suas necessidades vitais, como a liberdade de opinião, expressão, ação, igualdade de direitos, e isso não é uma questão de interpretação histórica, mas de sobrevivência!


Por: Will R. Filho

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