ALERTA: Maconha aumenta surtos psicóticos e diminui a capacidade cognitiva, especialmente em adolescentes, aponta novo estudo

ALERTA: Maconha aumenta surtos psicóticos e diminui a capacidade cognitiva, especialmente em adolescentes, aponta novo estudo

Estudo realizado na Universidade de Montreal, no Canadá, confirma o vínculo entre o uso de maconha e o aumento de experiências psicóticas, especialmente em adolescentes.

O uso recorrente de maconha por adolescentes aumenta o risco de experiências psicóticas em 159%, de acordo com um novo estudo canadense publicado no "Journal of Child Psychology and Psychiatry".

O estudo também relata os efeitos do uso da maconha no desenvolvimento cognitivo e mostra que a ligação entre o uso de maconha e as experiências psicóticas é melhor explicada por sintomas iminentes de depressão.

"Para entender claramente o impacto desses resultados é essencial definir primeiro quais experiências psicóticas são essas: experiências de distorção perceptiva, idéias com conteúdo incomum e sentimentos de perseguição", disse Josiane Bourque, principal autora do estudo, Doutoranda do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Montreal. [...]


Ela acrescentou: "Nossos achados confirmam que se tornar um usuário de maconha mais frequente durante a adolescência está, de fato, associado ao risco de sintomas psicóticos. Esta é uma grande preocupação de saúde pública para o Canadá".

Quais são os mecanismos relacionados ao uso de maconha e eventos psicóticos?


Um dos objetivos do estudo foi compreender melhor os mecanismos pelos quais o uso de maconha está associado à experiências psicóticas. Bourque e sua supervisora, a Dra. Patricia Conrod, no Centro de Pesquisa do Hospital da Universidade de Sainte Justine, sugeriram que deficiências no desenvolvimento cognitivo devido ao uso indevido de maconha podem, por sua vez, exacerbar experiências psicóticas.

Esta hipótese, no entanto, foi confirmada parcialmente. Entre as diferentes habilidades cognitivas avaliadas, o desenvolvimento do controle inibitório foi a única função cognitiva afetada negativamente pelo aumento do uso da maconha.

O controle inibitório é a capacidade de reter ou inibir comportamentos impulsivos em favor de um comportamento mais adequado ao contexto [em outras palavras, o usuário tem sua capacidade de avaliação prejudicada, visto que a "inibição" não é uma função automática do organismo, mas sim o resultado de padrões éticos/morais adquiridos ao longo da vida.].

A equipe da Dra. Conrod mostrou que esta função cognitiva específica está associada ao risco de outras formas de abuso de substâncias e dependência:

"Nossos resultados mostram que, embora o uso de maconha esteja associado a uma série de sintomas cognitivos e de saúde mental, apenas um aumento nos sintomas da depressão - como pensamentos negativos e baixo humor - poderia explicar a relação entre o uso de maconha e o aumento de experiências psicóticas entre os jovens", disse Bourque.


Qual é o próximo passo referente à utilização da maconha?


Esses achados têm implicações clínicas importantes para programas de prevenção com jovens que relatam ter experiências psicóticas persistentes. "Embora a prevenção do uso da maconha na adolescência seja o objetivo de todas as estratégias anti-drogas, as abordagens de prevenção direcionadas são particularmente necessárias para atrasar e prevenir o uso de maconha entre os jovens com risco de psicose", disse Patricia Conrod, também autora do estudo e professora do Departamento de psiquiatria da Universidade de Montreal.

Conrod, no entanto, é otimista em relação a uma coisa: o programa de prevenção que ela desenvolveu baseado nas escolas, "Preventure", provou ser efetivo na redução do consumo de maconha na adolescência em 33% no geral.

"Nos programas futuros, será importante investigar se este e outros programas de prevenção específicos similares podem atrasar ou prevenir o uso de maconha em jovens que sofrem de experiências psicóticas", disse ela. "Embora a abordagem pareça promissora, ainda temos que demonstrar que a prevenção da droga pode prevenir alguns casos de psicose". [...]

Comentário:

O Canadá é um dos países onde a discussão sobre a legalização do uso recreativo da maconha é constante, motivo pelo qual essa pesquisa tem suma importância. Assim como alguns especialistas de Saúde Mental no Brasil também advertem, o uso de substâncias psicotrópicas em geral, a exemplo da maconha, favorece o aumento de problemas associados a esse consumo, uma vez que o indivíduo é afetado cognitivamente, influenciando seu estado emocional/psicológico como um todo.

Evidentemente, uma coisa é falar de uso contínuo e outra é o uso casual. Me refiro em termos estatísticos, para efeito de estudo científico. A pesquisa não se refere ao uso esporádico, mas é importante frisar que o uso abusivo começa através da ocasião. Não dá para saber quem será um dependente ou não. O fato é que todos, a partir do momento que utilizam a droga, estão sujeitos à dependência e suas consequências destrutivas.

Portanto é importante afirmar, sempre: evite o primeiro trago, gole, cheiro, a primeira experiência. Nem toda curiosidade e boa e saber diferenciar isso pode lhe custar a vida.


Por: Mélanie Dallaire - Universidade de Montreal 
Comentário e adaptação: Will R. Filho

COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima