INÉDITO: Igrejas protestantes e a católica assinaram acordo de comunhão sobre "justificação pela fé"

Uma coalizão mundial de igrejas reformadas que representam aproximadamente 80 milhões de cristãos assinou uma declaração ecumênica com a Igreja Católica Romana para "superar divisões" desde a época da Reforma Protestante.


A Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas (WCRC) assinou uma "Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação" com líderes católicos, luteranos e metodistas na semana passada em uma igreja em Wittenberg, na Alemanha.

De acordo com um comunicado de imprensa da WCRC, "a declaração afirmou que condenações mútuas pronunciadas pelos dois lados durante a Reforma [Protestante] não se aplicam aos seus atuais ensinamentos sobre justificação".


De acordo com o acordo, originalmente assinado pela Igreja Católica e a Federação Mundial Luterana em 31 de outubro de 1999, católicos e protestantes "agora podem articular um entendimento comum de nossa justificação pela graça de Deus através da fé em Cristo".

"Não abrange tudo o que qualquer igreja ensina sobre a justificação, engloba um consenso sobre verdades básicas da doutrina da justificação e mostra que as diferenças remanescentes em sua explicação não são mais ocasião para condenações doutrinárias", afirma parte da Declaração Conjunta.

A declaração define a justificação como:

"O perdão dos pecados, ... a libertação do poder dominante do pecado e da morte (Rm 5: 12-21) e da maldição da lei (Gal 3: 10-14). É a aceitação em comunhão com Deus: agora, mas também plenamente no reino de Deus (Rom 5: 1). Ele se une com Cristo e com a sua morte e ressurreição (Romanos 6: 5). Ele ocorre na recepção do Espírito Santo no batismo e incorporação no único corpo ... Tudo isso é de Deus somente, por amor de Deus, pela graça, pela fé no 'evangelho do Filho de Deus' (Romanos 1: 1-3)".

A declaração também afirma que, uma vez que os justificados "caem no pecado ... eles devem constantemente ouvir as promessas de Deus novamente, confessar seus pecados (1 Jn 1: 9), participar do corpo e do sangue de Cristo e serem exortados à viver de maneira justa de acordo com a vontade de Deus."

"É por isso que o apóstolo diz aos justificados: 'efetuai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade...' Mas a boa notícia permanece: 'Agora não há condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus' (Rom 8,1) e em quem a Cristo segue (Gál 2,20). O ato de justiça de Cristo leva a justificação e vida para todos "(Rm 5:18)."

[...]

O presidente da WCRC, Jerry Pillay, disse em uma declaração  que a assinatura do acordo ecumênico era "um dia histórico", descrevendo-o como "significativo e simbólico" [...].

A WCRC foi fundada em 2010 em Grand Rapids, Michigan, com a fusão da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas e do Conselho Ecumênico Reformado.

O bispo católico Brian Farrell, secretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, fazia parte da delegação enviada à Wittenberg para a cerimônia da semana passada.

O bispo Farrell disse à rádio do Vaticano  que a Igreja Católica e as denominações protestantes chegaram a um entendimento mútuo sobre a Doutrina da Justificação de que "somos salvos pela graça, mas isso requer que mostremos a nossa mudança de relacionamento com Deus mediante boas obras".

"Os católicos e a maioria das igrejas protestantes históricas agora concordam com a essência da justificação, por isso temos uma base muito mais forte para construir nossa relação espiritual e eclesial", acrescentou Farrell.

Comentário:

Mesmo que o discurso nem sempre se traduza na prática, e que a grande maioria dos fiéis não compreendam bem o conceito bíblico de "Justificação pela Fé" (o pilar da Reforma Protestante), o que foi acordado se aproxima muito mais da doutrina reformada e, portanto, da igreja protestante, do que da tradição católica.

Um dos grandes pontos de divergência entre católicos e protestantes está no fato de que a igreja evangélica entende que segundo à Bíblia a salvação é exclusivamente pela graça de Deus, de modo que não podemos fazer absolutamente nada para que sejamos salvos, senão apenas reconhecer o sacrifício de Cristo, o significado da sua morte e ressurreição no plano espiritual, se arrependendo dos pecados para que sejamos transformados pela ação do Espírito Santo.

Em outras palavras, qualquer ação humana que visa oferecer alguma "promessa" para Deus visando obter dele algum benefício não tem valor algum, invalidando qualquer meritocracia de "obras" humanas, já que "...pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.
Não vem das obras, para que ninguém se glorie;" (Efésios 2:8,9).

Isso fica claro no seguinte trecho da declaração:

"Tudo isso é de Deus somente, por amor de Deus, pela graça, pela fé no 'evangelho do Filho de Deus'".

A necessidade de se arrepender e mudar de vida não é vista como uma "obra", mas sim como um dever e consequência da ação do Espírito Santo na vida da pessoa que reconhece Cristo como seu Senhor. Ou seja, em todo caso é Deus quem faz todo o serviço. É Ele quem opera a transformação. Nada vem do ser humano, senão a liberdade (dada pelo próprio Deus) de poder negar ou aceitar a salvação através de Cristo.


Fonte: The Christian Post
Comentário: Will R. Filho


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