ALERTA: Estímulos visuais em excesso prejudica o desenvolvimento cognitivo das crianças, aponta nova pesquisa

Enquanto editoras procuram produzir textos cada vez mais coloridos e emocionantes para atrair compradores, os psicólogos da Universidade de Sussex mostraram que ter mais de uma ilustração por página resulta em um menor aprendizado de palavras entre crianças do ensino fundamental.


Os resultados, publicados na revista de Desenvolvimento Infantil [em inglês], apresentam uma solução simples aos pais e professores para alguns dos desafios da educação pré-escolar, e podem ajudar no desenvolvimento de materiais de aprendizagem para crianças muito pequenas.

O pesquisador e co-autor da pesquisa de doutorado, Zoe Flack, disse: "Felizmente, as crianças gostam de ouvir histórias, e os adultos gostam de ler para crianças. Mas as crianças que são muito jovens para ler não sabem como se orientar, porque não seguem a estrutura do texto. Isso tem um impacto dramático sobre como elas aprendem novas palavras de histórias".


Os pesquisadores leram livros de histórias para crianças de três anos com uma ilustração por página (a página da direita estava ilustrada, a página da esquerda estava em branco) ou com duas ilustrações por vez (as duas páginas tinham ilustrações), com ilustrações apresentando a criança novos objetos nomeados na página.

Eles descobriram que para as crianças que foram lidas histórias com apenas uma ilustração por página aprenderam duas vezes mais palavras do que as crianças que foram lidas histórias com duas ou mais ilustrações.

Em uma experiência de acompanhamento, os pesquisadores adicionaram um simples gesto de mão para guiar as crianças para onde olhar na ilustração correta, antes que a página fosse lida. Eles descobriram que esse gesto foi eficaz para ajudar as crianças a aprenderem palavras quando viram mais de uma ilustração por página.

Zoe, que escreveu uma postagem em seu blog sobre a pesquisa, disse: "Isso sugere que simplesmente orientar a atenção das crianças para a página correta ajuda a se concentrar nas illustrações certas, e isso, por sua vez, pode ajudá-las a se concentrar em novas palavras.

"Nossos achados se encaixam bem com a 'Teoria da Carga Cognitiva', o que sugere que as taxas de aprendizado são afetadas pela complexidade de uma tarefa. Nesse caso, dando pouca informação às crianças de uma por vez ou orientando-as para a informação correta, podemos ajudar as crianças a aprenderem mais palavras".

A co-autora da pesquisa, Dr. Jessica Horst, disse: "Outros estudos mostraram que a adição de "sons e assobios" aos livros de histórias como abas para manusear e animais antropomórficos diminui o aprendizado. Mas este é o primeiro estudo que examina como a diminuição do número de ilustrações [estímulos] aumenta a aprendizagem das palavras das crianças a partir dos livros de histórias".

Ela acrescentou: "Este estudo também tem importantes implicações para a indústria do e-Book. (...)

O estudo é um dos muitos realizados na Universidade de  Sussex, através de um grupo de pesquisa que se concentra em como as crianças aprendem e adquirem linguagem. Pesquisas anteriores mostraram que as crianças aprendem mais palavras ouvindo as mesmas histórias e também na hora do sono.

Comentário:

A natureza nem sempre corrobora com a dita "evolução tecnológica". Há um tempo de maturação e desenvolvimento cognitivo, também, para o ser humano. Isso não descarta nossa capacidade de adaptação e desenvolvimento, mas deixa claro que ela não é algo tão abstrato e relativo como alguns imaginam. Existe uma condição fundamental, da qual dependemos, e se bem respeitada, nos desenvolvemos da melhor forma possível.

O estudo é crucial em nossos dias, uma vez que vemos crianças, cada vez mais jovens, utilizando tecnologias como aparelhos de celular, para se manterem "entretidas", enquanto seus pais fazem outras tarefas. São os chamamos "menores digitais abandonados. Por fim, o estudo não revela apenas o cuidado que devemos ter sobre a quantidade de estímulos que damos às nossas crianças, bem como o caráter insubstituível das relações humanas, especialmente a que envolve pai/mãe e filho(a).



Por:  Jacqui Bealing - University of Sussex 
Comentário: Will R. Filho

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