COMPROVADO: Seriado "13 Reasons Why" fez crescer número de suicídios e especialistas pedem a remoção do conteúdo ao Netflix

COMPROVADO: Seriado "13 Reasons Why" fez crescer número de suicídios e especialistas pedem a remoção do conteúdo ao Netflix


Um novo estudo comprovou que o lançamento do seriado "13 Reasons Why" da Netflix está relacionado ao crescimento significativo nas buscas por suicídio na internet.


Se você não ouviu falar da série de televisão da Netflix "13 Reasons Why", basta perguntar ao adolescente mais próximo. Eles vão te dizer que é um seriado muito popular entre os seus colegas, retratando a angústia e o eventual suicídio de uma adolescente que deixou seus relatos gravados em uma fita cassete para que seus amigos pudessem ouvir.

As implicações do programa foram bastante debatidas. Alguns elogiaram o seriado por seu conteúdo sincero, enquanto outros alegaram que ele representa um incentivo ao ideal suicida, podendo afetar muitos espectadores.


O estudo liderado pelo professor da Universidade Estadual de San Diego, John W. Ayers, investigou o histórico de pesquisas dos americanos na internet, dias após a transmissão da série, e descobriu que as buscas sobre o suicídio e como cometer suicídio cresceram no auge do seriado.


Identificando tendências


Ayers e seus colegas se voltaram para os dados do Google Trends, um arquivo público de pesquisas agregadas na Internet. A equipe focou em pesquisas provenientes dos Estados Unidos entre 31 de março de 2017, a data de lançamento da série, e 18 de abril, uma data selecionada porque o suicídio do antigo jogador da NFL (Liga Nacional de Basquete), Aaron Hernandez, pode ter influenciado as tendências [nas buscas].

Todas as pesquisas incluíram a palavra "suicídio" - exceto para aquelas que acompanhavam a palavra "esquadrão", as mais comuns ​​sobre o filme "Esquadrão Suicida", lançado no mesmo período da série. Além disso, para entender como o conteúdo da pesquisa também mudou, eles analisaram consultas de pesquisa específicas comuns relacionadas ao suicídio.

A equipe comparou a freqüência de pesquisa dessas frases ao longo desse período com um cenário hipotético em que os capítulos de "13 Reasons Why" nunca haviam sido lançados, com base em previsões usando tendências históricas de busca.

"Esta estratégia nos permitiu isolar qualquer efeito que "13 Reasons Why" teve, sobre como o público se envolveu e pensou em suicídio", disse Benjamin Althouse, pesquisador do Instituto de Modelagem de Doenças e co-autor do estudo.

Todas as consultas sobre o suicídio foram 19% maiores do que o esperado após o seriado. Algumas dessas comparações mostraram números mais elevados do que o esperado sobre pesquisas para frases como "hotline suicida" (até 12%) ou "prevenção suicida" (até 23%). Mas uma porcentagem alarmante também veio de frases como "como se suicidar" (26% maior), "cometer suicídio" (18%) e "como se matar" (9% maior).

"Em termos relativos, é difícil precisar a magnitude da influência do programa '13 Reasons Why''', acrescentou o co-autor do estudo, Mark Dredze, professor de informática na Universidade Johns Hopkins. "Na verdade, houve entre 900.000 e 1.500.000 mais pesquisas relacionadas ao suicídio do que o esperado durante os 19 dias após o lançamento da série".

Um desafio de saúde pública


Não está claro se alguma dessas pesquisas [no Google] levou diretamente ao suicídio, disse Ayers, mas pesquisas anteriores descobriram que o aumentos nas buscas na internet por métodos de suicídio estão correlacionados com os casos de suicídios reais.

"Embora seja encorajador que o lançamento da série concorde com uma maior conscientização sobre o suicídio e a prevenção do suicídio, como aqueles que procuram  'prevenção do suicídio', nossos resultados reforçam os piores medos dos críticos do seriado: o programa pode ter inspirado muitos a agir com pensamentos suicidas, procurando informações sobre como se suicidar", disse Ayers.

A equipe observa que alguns dos danos potencialmente relacionados à liberação da série poderiam ter sido evitados seguindo padrões de mídia existentes.

"A Organização Mundial da Saúde desenvolveu diretrizes para os fabricantes de mídia, visando evitar esse problema", disse o co-autor Jon-Patrick Allem, pesquisador da Universidade do Sul da Califórnia. "É fundamental que os fabricantes de mídia sigam essas diretrizes. Por exemplo, essas diretrizes desencorajam conteúdos que focam no ato de suicídio ou suicídio. '13 Reasons Why' dedicou 13 horas a uma vítima de suicídio, mostrando o suicídio em detalhes horríveis".

"Esses problemas são exacerbados porque a mídia na internet existe para sempre, o que significa que mais pessoas estão sendo expostas aos danos potenciais da série até agora", acrescentou Eric Leas, formado recentemente no programa de doutorado conjunto em saúde pública e co-autor da pesquisa.

"Estamos alertando a Netflix para remover o seriado e editar seu conteúdo, para que fique alinhado com os padrões da Organização Mundial da Saúde antes das publicações", concluiu Ayers.

"Além disso, a programação da segunda temporada e todos os meios de comunicação relacionados ao suicídio podem ser submetidos a esses testes antes da liberação, para evitar que o conteúdo, mesmo que bem intencionado, produza resultados não desejados".

Comentário:

O estudo comprova o que outros especialistas alertaram também aqui no Brasil. Caso não tenha lido, veja a matéria onde um Psiquiatra da UNICAMP alertou sobre os riscos da série 13 Reasons Why.


Por: Michael Price -  Universidade Estadual de San Diego 
Comentário: Will R. Filho

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