Escola Sem Partido e Lei Harfouche ganharam reforço de peso: "As crianças têm que aprender conteúdos", defende pedagoga mundialmente famosa


Em uma entrevista concedida ao Jornal espanhol El País publicada na última quinta feira, a pedagoga Inger Enkvist, autora de livros como "Repensar a Educação" e mais de 250 artigos científicos durante 30 anos de pesquisa, deu opiniões que reforçam o projeto Escola Sem Partido e a Lei Harfouche.

A opinião da mulher que é considerada uma das maiores autoridades mundiais em educação escolar é como um golpe fatal nos críticos do Escola Sem Partido e da Lei Harfouche:

"A nova pedagogia promove a antiescola. As escolas foram criadas com o objetivo de que os alunos aprendessem o que a sociedade havia decidido que era útil. Qual é o propósito da escola se o estudante decide o que quer fazer?", questionou Enkvist ao explicar que a tendência das novas metodologias, onde os alunos decidem mais como desejam aprender, pode ser prejudicial para o aprendizado escolar.


"Essas correntes querem enfatizar ao máximo a liberdade do aluno, quando o que ele necessita é de um ensino sistemático e bem estruturado, sobretudo se levamos em conta os problemas de distração das crianças. Se não se aprende a ser organizado e a aceitar a autoridade do professor no ensino fundamental, é difícil que se consiga isso mais tarde."

No Brasil, os autores do projeto Escola Sem Partido defendem que os alunos precisam aprender antes de tudo conhecimentos objetivos. Ou seja, as disciplinas de português, matemática, biologia, química, física, história, etc., para que só então através dessa bagagem de conteúdos possam formular e lidar com outros assuntos, mais subjetivos e abstratos. É justamente o que Enkvist quer dizer sobre a necessidade de um "ensino sistemático e bem estruturado":

"...o professor organiza o trabalho da classe. Se os alunos planejam seu próprio trabalho, é muito complicado que obtenham bons resultados, e isso desmotiva o professor", disse ela, ao defender que o aprendizado dos alunos precisa estar baseado na competência do(a) professor(a), como autoridade na sala de aula, e não como os alunos desejam aprender, o que significaria uma flexibilização excessiva e infrutífera do ensino.

"Essas metodologias estão distanciando das salas de aula os professores mais competentes. Já não se considera benéfico que o adulto transmita seus conhecimentos aos alunos e se fomenta que os jovens se interessem pelas matérias seguindo seu próprio ritmo. Em um ambiente assim não é possível ensinar porque não existe a confiança necessária na figura do professor. Viver no imediato sem exigências é bem o contrário da boa educação."

Enkvist defende que é preciso exigir disciplina dos alunos, algo que não é possível se não houver, na sala de aula, a transmissão de conhecimentos, o que significa uma metodologia prática que favoreça esse clima de aprendizagem.



Observe: ela não está se referindo à opinião política, religiosa ou moral do professor, mas sim ao conteúdo das disciplinas que estão sendo deixadas de lado, exatamente porque muitos professores estão mais empenhados em fazer da sala de aula um ambiente de confronto e exposição de opiniões diversas (algo puramente subjetivo e relativo) do que de transmissão das disciplinas. Por isso ela crava:

"As crianças têm que aprender conteúdos, e não o chamado aprender a aprender. Não basta dizer aos alunos que devem tomar decisões. Não vão saber como fazer isso". Isso porque, para ela, quem "já tem uma base de conhecimentos, que conta com mais recursos internos", está mais preparado para lidar com os desafios da vida como um todo, e isso "é a educação que lhe proporciona". 

Ela dá como exemplo um músico de jazz, que ao improvisar, faz isso após aprender "500 melodias" para só então conseguir formular suas próprias frases musicais. Ou seja, diz ela: "A teoria é necessária para que surja a criatividade".

A opinião de Inger Enkvist reforça a intenção do projeto Escola Sem Partido


Mais uma vez a opinião da autora reforça a defesa do projeto Escola Sem Partido, ao dizer que os professores não podem usar a sala de aula para transmitir outros conteúdos que não sejam o das disciplinas, visto que os alunos são como músicos que estão apenas aprendendo e, portanto, para que possam lidar com questões subjetivas e mais complexas, precisam primeiro memorizar as "500 melodias" (matemática, português, biologia, etc.)

Os defensores do Escola Sem Partido afirmam que no Brasil há uma espécie de "doutrinação" nas escolas, onde os alunos invés de estarem aprendendo as matérias escolares de modo imparcial, estão sendo submetidos pelos professores ao aprendizado de ideologias políticas e morais, utilizando suas disciplinas para influenciar a visão de mundo desses alunos de acordo com a opinião dos próprios professores, sem respeitar a individualidade de cada aluno e a educação dada por seus pais.

Enkvist também acredita em algo que outro Projeto de Lei polêmico conhecido como "Lei Harfouche" também defende, que é a disciplina. Para ela, à aquisição de conhecimento é um ato de disciplina que também pode ser ensinado no ambiente escolar:

"Quanto mais autodisciplina, mais possibilidades você tem pela frente e menos desesperado se sentirá diante de uma situação limite."

A Lei Harfouche, que leva o nome do Procurador Sérgio Harfouche, é um projeto que estabelece mecanismos de intermediação entre a escola, os pais e a sociedade, junto aos alunos, de forma que através de regras disciplinares o problema que hoje é uma crise nacional nas escolas, que é a indisciplina e evasão escolar, possa ser melhor combatido.

Na prática, segundo a Lei Harfouche, o aluno que agride um colega, por exemplo, quebra uma cadeira da escola, ameaça um professor ou é pego usando drogas, armas, etc., invés de ser expulso do ambiente escolar ou mesmo ir parar numa delegacia para menores, pode ser punido (corrigido) com ações disciplinares, consentida pelos pais e a escola (consequentemente pela comunidade), que visam compensar os danos causados e ao mesmo tempo ensiná-lo à respeitar regras.

A Lei Harfouche pretende evitar consequências mais graves para a vida dos alunos fora do ambiente escolar


A intenção do projeto, portanto, é que ao dar a oportunidade do aluno indisciplinado poder se redimir do seu erro, através de um castigo imposto pela própria escola, ele possa permanecer no mesmo ambiente escolar, próximo dos professores, colegas e familiares, tendo a chance de aprender a importância do aprendizado escolar, tornando-se, assim, alguém mais disciplinado. 

O castigo dessa forma, assim como no ambiente familiar onde os pais punem seus filhos quando cometem erros, é um instrumento que visa ensinar - na prática - as consequências do erro para o aluno, evitando que ele sofra consequências piores fora da escola, caso não aprenda o valor da disciplina, do respeito ao próximo e dos estudos.

Para Enkvist "viver no imediato sem exigências é bem o contrário da boa educação". O termo "educação" se refere ao ambiente escolar. Isto significa que exigir do aluno o cumprimento de regras, não apenas no estudo das disciplinas, mas na adequação ao ambiente escolar, pode requerer aplicação de castigos que visam recuperar esse aluno. Dai o motivo pelo qual a importância da Lei Harfouche é reforçada por essa autora.

Finalmente, fizemos aqui uma interpretação da entrevista de Inger Enkvist para o El País aplicada ao contexto brasileiro, onde indisciplina não é sinônimo apenas de alunos "birrentos", desobedientes ou preguiçosos, dificuldades essas que podem ser tratadas com muita paciência, diálogo e ações didáticas teóricas, mas sim de jovens que não respeitam autoridades, agridem física e moralmente professores e colegas, trazem para dentro da escola a "boca de fumo" e possuem sérios problemas familiares. Nesse contexto a disciplina precisa, sim, ser mais radical, objetiva e prática.

Assim, concluímos que tanto o Escola Sem Partido como a Lei Harfouche ganharam na opinião de Inger Enkvist mais um reforço de peso, que deve ser ouvido por nossas autoridades, mas principalmente pela sociedade, os pais, interessados em combater a doutrinação ideológica e a indisciplina nas escolas do Brasil.



Por: Will R. Filho 

COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima
26 de julho de 2017 09:16

Então, fui atrás da entrevista original e você está distorcendo completamente a fala da educadora. Ela faz referência a modelos pedagógicos como o da Escola da Ponte em comparação com a pedagogia tradicional que ela defende. Nada a ver com os conceitos do Escola sem partido. Se você usar este argumento com alguém que conhece o assunto você vai perder a discussão.

Resposta
avatar
26 de julho de 2017 12:28

Olá Deborah, como vai?

Respeitamos sua perspectiva, mas discordamos dela. Não há uma distorção da fala da educadora. O que há é uma interpretação do seu conceito em favor dos projetos Escola Sem Partido e Lei Harfouche. Tal interpretação foi dita no texto:

"...fizemos aqui uma interpretação da entrevista de Inger Enkvist para o El País aplicada ao contexto brasileiro".

Distorcer é dizer o que não foi dito, acrescentar ou manipular. Nada disso foi feito no texto. A interpretação, por outro lado, é mostrar como determinado conceito se aplica ao que pretendemos esclarecer e defender. Foi isso o que fizemos.

O fato é que o pensamento da autora sobre educação "tradicional" reforça os projetos citados, pois enfatiza os mesmos princípios que estes defendem, a saber: o ensino de conteúdos objetivos e o rigor na disciplina baseado na autoridade do professor(a).

Dessa forma, entendemos que o - conceito - da autora vai além duma crítica à Escola da Ponte, porque atinge também outros contextos, e métodos, dos quais o Brasil faz parte. A interpretação e aplicação dessa crítica ao nosso contexto é apenas uma questão de adaptação, uma vez que a essência do conceito é muito semelhante aos projetos citados.

Abraço.

Resposta
avatar