Consumo excessivo de álcool na adolescência causa deficit cognitivo e aumenta risco de dependência química, diz nova pesquisa

O consumo excessivo de álcool durante a adolescência e juventude altera as estruturas e a função do cérebro, podendo causar deficit cognitivo e aumento do risco de desenvolver a dependência química.


O que seria uma comemoração sem álcool, se falamos de um evento particular ou profissional? Beber álcool é um hábito social bem enraizado e de longa data em muitos países ao redor do mundo, embora o fato de o álcool ter um impacto sobre a saúde ser também algo bastante conhecido, especialmente quando se trata de beber em excesso.


Em particular, alguns adolescentes são conhecidos por frequentar festas e beber bastante, sem se preocupar muito com os efeitos que o álcool pode ter em sua saúde. Na verdade, beber em grandes quantidades é comum durante a adolescência, com quase 25% deles no ensino médio dos EUA informando que ficaram bêbados nos últimos 30 dias.

Os efeitos do consumo excessivo de álcool entre os jovens foram analisados ​​de perto em uma mini revisão publicada na revista "Fronteiras" [Frontiers - Setor de psiquiatria], por Anita Cservenka, professora assistente da Oregon State University, juntamente com outros autores.

"A adolescência é um momento em que o cérebro ainda amadurece, incluindo não só o desenvolvimento biológico, mas também a maturação de comportamentos psicossociais. Dado o aumento do consumo excessivo de bebidas alcoólicas nos jovens, a compreensão dos efeitos do consumo de grandes quantidades de álcool no desenvolvimento neural e o impacto nas habilidades cognitivas é muito importante ", disse a professora assistente, Cservenka.

O consumo excessivo significa quatro ou mais doses [copos ou latinhas, dependendo do teor alcoólico do produto] de bebidas em um período de duas horas para mulheres, cinco ou mais doses para os homens. A revisão destaca uma pesquisa existente que examina os efeitos nocivos de tais hábitos de bebida com o objetivo de orientar futuros estudos.

"Observamos seis áreas para determinar o impacto deletério do consumo excessivo de álcool na resposta cerebral, a saber: inibição da resposta, memória funcional, aprendizado verbal e memória, tomada de decisão e processamento de recompensas, reatividade do álcool e processamento sócio-cognitivo / sócio-emocional", explica Cservenka.

A revisão estabelece que o consumo excessivo de álcool entre os jovens está associado a um desgaste ou redução de áreas do cérebro que desempenham um papel fundamental na memória, atenção, linguagem, consciência e consciência, que incluem estruturas corticais e subcorticais.

Tomando o aprendizado e a memória como exemplos, os estudos mostraram que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas causam um déficit na capacidade dos jovens, por exemplo, de aprender novas palavras, o que deve estar associado à mudanças na atividade cerebral.

Olhando para o futuro, "essas alterações cerebrais, como resultado do uso excessivo de álcool durante a adolescência e a idade adulta jovem, podem resultar também no maior risco de desenvolver um transtorno de uso de álcool no futuro [dependência]. Por isso, é importante continuar aumentando a conscientização sobre os riscos da compulsão e promover pesquisas futuras nesta área. Nossa revisão fornece uma base útil para determinar as áreas que requerem mais atenção", conclui Cservenka.

Comentário:

O consumo excessivo de álcool entre os jovens etá diretamente relacionado aos padrões culturais de "diversão" e "prazer", como também com a falta de identificação motivacional e identidade local.

Não adianta apenas identificar os riscos pelo uso da substância se não houver também a conscientização acerca da promoção indevida da bebida alcoólica como estilo de vida.

Conscientizar é mais do que apresentar riscos, pois eles, por si só, não dizem nada ao jovem que não possui outra forma de enxergar "prazer". Conscientizar é, principalmente, oferecer alternativas sadias de cultura, entretenimento e perspectiva de vida.



Por: Melissa Cochrane / Frontiers
Comentário: Will R. Filho 

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