Papel higiênico da marca "Trump" gera polêmica com Presidente americano


Além da ironia ou da ofensa, dependendo do observador, de ver nas prateleiras das lojas um papel higiênico com a marca 'Trump', uma iniciativa do advogado mexicano Antonio Battaglia, a compra do inusitado produto será usado para gerar recursos para os imigrantes do país nos Estados Unidos.


"Não se pode negar que há uma parte engraçada, mas o produto, como é apresentado, não é uma ofensa ou uma falta de respeito. É para chamar a atenção", explicou em entrevista à Efe o advogado.

A ideia de oferecer um papel higiênico com a marca, que deve começar a ser vendida antes do fim de 2017, foi resultado da irritação com as mensagens antimexicanas agora presidente dos EUA, Donald Trump, desde o lançamento de sua campanha, disse Battaglia.


Trump chegou a classificar os imigrantes [ilegais] mexicanos de "criminosos" e "estupradores" [que entre eles também há], prometendo também construir um muro em toda a fronteira entre os dois países.

"Me incomodei e pensei em fazer um produto que deixasse uma mensagem clara em favor dos imigrantes. O papel (higiênico) tem isso", afirmou Battaglia, membro de uma família de empresários que produz sapatos para crianças no México.

O advogado disse estar pronto para doar 30% dos lucros gerados pelo papel higiênico para a proteção dos imigrantes ilegais tanto no México como os EUA.

"Os lucros serão para a proteção e a defesa de imigrantes, para o apoio legal deles e dos deportados. Estou pensando em 30% dos lucros. Para mim, o negócio é secundário", explicou.

Battaglia pensa que o sucesso será maior na fronteira, mas há estados como Guanajuato, de onde saem muito imigrantes, onde o papel de Trump também pode ser bem recebido.

O produto, no entanto, não teve um caminho fácil. Depois de registrar legalmente a marca, o advogado teve dificuldade de achar quem produzisse o papel, já que grande parte das fábricas está comprometida com as empresas internacionais que dominam o mercado.

"Encontrei um aliado que tem sua cadeia de produção e comercialização já formada", disse o advogado.

O investimento inicial é de 400 mil pesos (U$ 21,5 mil) que serão gastos na fabricação do papel. "Estamos esperando a produção, para ver como será no mercado e a resposta", explicou.

O objetivo do produto será o setor popular, por que o produto será enviado às centrais de abastecimento de todo o país, com uma especial ênfase nos estados situados ao longo da fronteira.

Battaglia explicou que o papel, por enquanto, será branco, sem nenhum desenho alusivo ao presidente americano. Num futuro próximo, é possível que seja incluído o nome da marca, mas nenhuma figura que possa representar uma "falta de respeito" com Trump.

Comentário:

A iniciativa, do ponto de vista democrático, é viável. No entanto, do ponto de vista diplomático e ético, não contribui em absolutamente nada com a crise migratória entre México e Estados Unidos. Pelo contrário, só incentiva uma ideia distorcida na relação entre as duas populações, dando margem para sentimentos xenófobos, visto que o Presidente americano representa, sim, grande parte da Nação americana.

A verdade é que Battaglia parece estar querendo se aproveitar das polêmicas midiáticas envolvendo Donald Trump para promover seus empreendimentos comerciais, algo, que, como já dito, não tem relação com ser legal ou não, mas sim com ser moralmente aceitável.

Por José Antonio Torres/Efe
Comentário: Will R. Filho

COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima