Governo proíbe fotos de mulheres sensuais em outdoor alegando serem propagandas "sexistas, discriminatórias e misóginas"


Políticos em Berlim estão perto de aprovar a total proibição da "publicidade sexista", visando impedir que mulheres seminuas apareçam nos outdoors da cidade.


Os anunciantes de Berlim podem ter que desistir da repetida "propaganda sexual" se quiserem promover seus produtos na capital alemã, depois que políticos locais estão prestes à proibir "propaganda sexistas". Uma nova proposta visa proibir a venda de espaço em cartazes para anúncios que se consideram degradantes para as mulheres.

O projeto de lei, que quer proibir a "propaganda sexista, discriminatória e misógina", foi proposto no distrito Charlottenburg-Wilmersdorf de Berlim, por políticos do partido esquerdista Die Linke .

É provável que a proposta passe, uma vez que os representantes locais do Partido Social Democrata (SPD) e os Greens [outro partido] já sinalizaram seu apoio à mudança.

A medida segue o anúncio de outubro passado de que o governo da coalizão de Berlim planejava proibir "propaganda sexista e discriminatória" em todo o estado.


Após as eleições estaduais em Berlim, em setembro, o SPD, Greens e Die Linke revelaram seus planos para os próximos cinco anos do governo de coalizão, que incluiu planos para enfrentar o "sexismo nos espaços públicos".

"O sexismo começa com uma imagem degradante de mulheres e indivíduos LGBTTIQ [ ! ], que é colocada em muitas áreas da vida cotidiana. O próximo convite para licitação para direitos de publicidade no estado de Berlim fará a exclusão da publicidade sexista e discriminatória em uma condição firme", escreveram eles em seu acordo de coalizão.

Legislação similar já foi aprovada no distrito berlinês de Friedrichshain-Kreuzberg. Em 2014, o conselho local proibiu "propaganda que degrada as pessoas por causa de seu gênero, orientação sexual ou identidade".

A legislação foi aprovada apesar da oposição dos políticos locais da União Democrata Cristã (CDU), que a chamou de parte de uma "orgia de proibição no distrito".

Escrevendo no jornal de Tagesspiegel, em Berlim, o colunista Harald Martenstein comparou a proibição com as regras impostas pelos talibãs. (...)

"O raciocínio afirma que, no futuro, a publicidade só pode ser legal se corresponder aos ideais políticos de uma vida emancipada, consciente e sustentável. A publicidade comprometida com as idéias políticas é algo que, até agora, era visto principalmente na Coréia do Norte. A frase 'representação inadequada de corpos', por outro lado, poderia ter sido adotada no manifesto do Talibã", escreveu Martenstein.

Apesar dos melhores esforços dos políticos, as agências oficiais de Berlim já foram acusadas de promover estereótipos sexuais.

No ano passado, o Berlim Verkehrsbetriebe (BVG), que gerencia o sistema de transporte da cidade, recebeu algumas queixas sobre uma série de anúncios que procuraram enfrentar o desvio de tarifas.



Em um anúncio [acima] que promove o bilhete do dia em Berlim, dois homens homossexuais que usam couro são retratados com a legenda: "Leve-o para a outra margem do rio: o bilhete do dia". A legenda é uma referência a um clube gay dos anos 70 em Berlim Ocidental.



Outro anúncio teve como objetivo chamar atenção para o fato de que os cachorros pequenos são autorizados a montar o metrô U-Bahn gratuitamente.

"Você não precisa esconder seus pugs", diz o anúncio [acima], sugerindo o fato de que pugs [raça de cachorro] também é uma palavra de gíria alemã para seios.

Comentário:

Nada melhor para revelar o caráter contraditório de uma ideologia do que uma boa dose de hipocrisia coletiva. Se a lógica da proposta é evitar imagens degradantes, "sexistas" e discriminatória das mulheres em propagandas abertas ao público, por que não proíbem também revistas, filmes pornográficos e a prostituição?

Ora, não há dúvida alguma de que a pornografia e a prostituição são infinitamente mais degradantes, humilhante e "sexistas" contra as mulheres. Todavia, os ideólogos de gênero ignoram essa realidade porque o que eles pretendem não têm relação alguma com o verdadeiro respeito e valorização da figura feminina. São interesses políticos!

A figura da mulher é utilizada como "objeto sexual" em muitas campanhas publicitárias e isso é um fato. Que esse tipo de uso estimula uma compreensão artificial da pessoa humana e a exploração da figura feminina como "mercadoria", também é outro fato. Todavia, como já dito acima, outros "usos e costumes", como a  pornografia e a prostituição são muito mais nocivos, invasivos e traumáticos para a mulher. Por que não proibi-los também?

A pornografia e a exploração sexual (prostituição) são ferramentas utilizadas pelos ideólogos de gênero para promover o liberalismo sexual ao nível do que psicopatologicamente consideramos perversão e distúrbios sexuais. Por isso são ignorados, embora ofereçam uma condição muito mais degradante e sofredora para às mulheres.

Outro aspecto que deve ser considerado é a liberdade da mulher em decidir acerca do que para ela é aceitável ou não. Propostas como essa, que visam proibir propagandas sensuais por considerá-las "sexistas", são muito mais invasivas e autoritárias do que libertadoras, pois impedem que a mulher fale por contra própria.

Em outras palavras, essas propagandas não existiriam se não houvessem mulheres dispostas à serem modelos. O mesmo vale para a prostituição e a pornografia em muitos casos. Discordar dessas coisas por razões éticas e morais, desde que dentro de certos limites, não significa ignorar o direito à liberdade que cada indivíduo possui de escolher o que fazer com a sua vida. O contrário disso é autoritarismo.

Portanto, o discurso da esquerda alemã é nada mais do que uma tentativa de se aproveitar de um viés publicitário para mais uma vez promover a ideologia de gênero. Não têm relação alguma com a condição de sofrimento das mulheres perante à exploração sexual, mas sim com a utilização dessas mesmas mulheres para exploração politico-ideológica.


Fonte: Sputnik
Comentário: Will R. Filho

COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima