O sofrimento é uma condição indispensável para os bons relacionamentos


Você pode ter achado estranho o título desse texto, mas acredite, é a mais pura verdade! O sofrimento não é só uma condição para bons relacionamentos, como uma das suas vantagens. A compreensão disso está na maneira como você encara às situações de sofrimento e o sentido que atribui a elas. Esse texto é uma pequena reflexão sobre como podemos entender a importância da “sofrência”.

Falo aqui de relacionamentos em geral, mas principalmente os amorosos. Antes de tudo, precisamos entender que relacionamento perfeito é apenas um ideal, mas não uma realidade em si mesma. Pessoas como eu e você são feitas de virtudes e defeitos. Há quem diga que até mesmo os defeitos são virtudes, dependendo da sua utilidade. Logo, se um relacionamento é o reflexo do que somos, ser “perfeito” ou não depende de como vivenciamos esse relacionamento, certo?


Em nosso mar de imperfeições navega o sofrimento. Ele é quem nos permite ver que não apenas nós, mas a própria vida possui “defeitos”. Sem as lentes do sofrimento a vida e nossas relações amorosas, acredite, seriam apenas uma ilusão. Uma fantasia! Aliás, é pela expectativa de viver essa fantasia que muitos se frustram nos relacionamentos, pois aprenderam através da TV e dos poemas de alguns poetas ludibriados pela paixão, por exemplo, que o sofrimento não faz parte da vida real. Eles foram levados a entender que amor e sofrimento não caminham juntos, construindo assim um ideal de “amor” bem distante dos nossos: defeitos!

Entretanto, amor e sofrimento caminham juntos, porque amar é aceitar o outro na sua condição de imperfeição. É ser para o outro alguém imperfeito exigindo dele algo que nós mesmos não podemos lhe oferecer. Por essa razão, a consciência de que somos imperfeitos é o primeiro passo para entender que o sofrimento faz parte de nós, visto que é umma conseqüência, também, das imperfeições.

Entender isso nos leva também ao segundo passo; perceber que quanto mais amamos, mais sofremos. Sim! O amor nos conduz ao sofrimento, porque ele nos leva ao desejo de querer o outro sempre bem, assim como a nós mesmos, bem, com o outro (risos). Esse é o desejo que nos coloca em conflito com o mundo, acarretando alguma forma de sofrimento, pois tudo o que atravessa nossa relação com o outro ameaça esse desejo, nos fazendo sofrer.

O terceiro passo, no entanto, é o mais importante. Você deve estar se perguntando se ainda vale à pena amar, certo?

Se o sofrimento é uma condição para bons relacionamentos, qual é o sentido de querer se relacionar? Afinal, o que desejamos acima de tudo é a felicidade, certo? Ora, é aqui onde entra o sentido da experiência e o valor da vida humana. Somos a única espécie que sofre por amor, simplesmente porque nossas vidas não faria sentido se não fosse em função do próximo. Não existiria um ser-no-mundo (humano) se vivêssemos isolados uns dos outros. É o abraço do outro que nos faz desejar estar perto dele. Seu olhar, sua escuta, atenção. Da xícara de café ao sexo!

Reagimos ao sofrimento porque somos humanos e é justamente isso que nos torna especial. Entender isso nos faz perceber que o sofrimento não deve ser motivo para desistir de amar, se relacionar, mas pelo contrário, deve nos fazer enxergar o amor como um processo de aprendizado, amadurecimento, autoconhecimento, para todos da relação.

Finalmente, quando passamos por essas experiências conscientes dessa realidade, então vivenciamos o mundo e o outro em sua forma real, não fantasiosa. O sofrimento perde o sentido de “sofrência” e passa a ser um processo. Uma fase, apenas um capítulo da sua história, mas não toda ela.

Pense nisso.


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