A carência de soluções imediatas versus a busca por identidade



Muitas pessoas estão carentes de ouvir o que precisam e acreditar no que desejam. Parte da sociedade está desiludida com o amparo, acolhimento e vivência humana, cujo significado de solidariedade, compreensão e igualdade estão sendo dissolvidos em marketing, moda e ausência de conceitos alicerçados em uma cultura incerta sobre identidade, crenças e valores.


O sujeito que hoje se presta a uma profissão, por exemplo, não tem na “vocação” um ideal de realização, mas de conquista, porque para ele além do conceito de vocação ser abstrato e desnecessário, não atende o que a demanda imediatista lhe exige como ideal. Ocorre, porém, que falar de vocação diz respeito a tratar de conceito, valores e tradições. Uma identidade que encontra em referências algo que possa balizar o seu ideal de procura, sendo a conquista consequência de um conceito muito maior do que o alcance de metas objetivas.

Em outras palavras, o que desejamos é atender uma demanda cada vez mais imediata, onde a obtenção de prazer e conforto frente à uma constância de problemas são objetivos majoritários por si mesmos. Temos nisso a própria construção de vínculo, referência de identidade e consolidação de ideais junto ao próximo. O que aparentemente nos conforta e ameniza o sofrimento perante a “vacuidade” de existência e compreensão da angústia.

Ao que parece, NÃO QUEREMOS COMPREENDER A RAZÃO DA ANGÚSTIA, porque isso exige de nós tempo, desacelerar a vida e voltar para dentro de si mesmo. Desligar o piloto automático e assumir o controle de coisas que desaprendemos a controlar.

O que queremos mesmo é solução imediata! Algo que nos faça “relaxar” e ter, na vivência de experiências que escapam nossas verdadeiras necessidades, motivos para continuar acreditando que somos felizes, mesmo que tudo não passe de uma ilusão.

Nesse mundo pós-moderno somos 144 caracteres, resumidos a um Twitter. A imagem posta em 160 x 160 pixels do Facebook. Frases de efeito copiadas de quem já faleceu, tentando traduzir sentimentos de uma identidade que não parece ser a nossa. Resultados fictícios de aplicativos que tentam dizer quem você é, como quem busca na avaliação de códigos padronizados a compreensão de si mesmo tentando se autoafirmar.

Somos a procura de uma escuta onde não há, na tela digital de um computador ou celular.

O aperto de mão que não se pode ter, apenas pela ilusão de conforto e relação de proximidade que algo nos oferece, ainda que fisicamente distante, mas visualmente próximo, parecendo ser àquele abraço que só existe em nosso imaginário.

É possível romper com esse padrão e começar algo novo. Enxergar as coisas de forma diferente e criar possibilidades para uma vida mais repleta de sentido. A questão é: você está disposto(a) a encarar os desafios da mudança?

Pense nisso.


COMPARTILHAR

Edição:

Somos uma mídia independente, oferecendo conteúdo com perspectiva cristã através de comentários sobre notícias do Brasil e do mundo. Para apoiar, compartilhe nossos textos e curta a página no Facebook.

Anterior
Proxima