INÉDITO: Ordem dos Pastores Batistas do Brasil faz "declaração sobre homossexualidade"



A Ordem de Pastores Batistas do Brasil, entidade vinculada à Convenção Batista Brasileira (CBB), órgão máximo da denominação batista no país, sendo a maior convenção batista da América Latina, representando cerca de 7.000 igrejas, 4.000 missões e 1.350.000 membros contabilizados, publicou um documento se posicionando contra à ideologia de gênero e a homossexualidade como orientação sexual, citando fundamentos bíblicos e ético-científicos como argumentos contrários ao que afirmaram ser um "desvio" e "disfunção" contra à criação de Deus.

Intitulado de "Declaração sobre homossexualidade, identidade de gênero, orientação sexual, uniões homo e poliafetivas", o documento informa que foi aprovado durante Assembleia em 18 de abril de 2017, na cidade de Belém, PA. O Opinião Crítica teve acesso ao documento, contendo seis páginas em formato PDF, mas que segundo informantes ainda será publicado oficialmente na próxima segunda feira (24), após reunião da Convenção.


De caráter religioso/teológico, mas também jurídico e científico, o texto começa apresentando as razões da publicação, entre elas, citando a preocupação com a liberdade de expressão e a violação dos "Códigos Legais da nossa Nação":

"O tema identidade de gênero e orientação sexual tem sido amplamente divulgado pelos meios de comunicação e sido objeto de discussão não apenas na sociedade, mas também no âmbito governamental e, especialmente, na obtenção de interpretação impositiva que busca cercear a liberdade de consciência e expressão, além de inserir terminologia e conceituação estranha aos Códigos Legais de nossa Nação causando inúmeros conflitos e interpretação equivocada das terminologias e significação das palavras. Sendo assim, este tema tem se tornado prioridade no cenário batista e especialmente nas discussões desta Ordem de Pastores. Este documento, portanto, pretende apresentar esclarecimentos e posicionamento desta Ordem aos seus associados, mas também à denominação batista e à sociedade em geral." (destaque nosso).

Após essa apresentação, o documento começa fundamentando a perspectiva bíblica acerca do tema. Reproduzimos abaixo exatamente como consta no texto original:

"COMPREENSÃO BÍBLICO/TEOLÓGICA

1.1 – Do ponto de vista da compreensão bíblica, a homossexualidade é claramente discutida
como sério afastamento, desvio e disfunção em relação à natureza humana e em relação
aos propósitos originais da criação conforme temos nos textos a seguir: Lv 18.22; 20.13; Is
3.9; Rm 1.24-27; 1 Co 6.9-10; 1 Tm 1.9-10; Ap 21.8, 27). Consequentemente, tais práticas
não são compatíveis com os ensinos bíblicos, nem com a natureza humana criada por
Deus.

1.2 – Sendo assim, a união homossexual, ainda que tenha amparo judicial em alguns sentidos,
não é compatível com a compreensão bíblica do matrimônio, cuja formação é
caracterizadamente heterossexual (Gn 1.27; 2.18,23-25).

1.3 – Conforme documento, já aprovado pela Assembleia da Convenção Batista Brasileira, “em
relação ao chamado casamento homossexual, entendemos que uniões legais amparam
arranjos de pessoas do mesmo sexo que decidem estabelecer um relacionamento de união
e que necessitem legar herança, visitar companheiros em hospitais, etc.”

1.4 – Nesse mesmo documento temos que “a Bíblia Sagrada apresenta a criação dos seres
humanos em dois sexos: ...homem e mulher os criou (Gn 1.27). Tal criação visava ao
casamento, expresso em companheirismo, união sexual e procriação (Gn 2.23-25). Jesus
Cristo reiterou esta norma ao afirmar que o Criador desde o princípio os fez homem e
mulher, e disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne (Mt 19.4-5).”

1.5 – Em resumo, entendemos que a Bíblia demonstra que a homossexualidade se constitui
desvio do caminho estabelecido por Deus. Por exemplo, em Levítico 18.22 a
homossexualidade é referida pelo hebraico to'evah indicando algo intrinsecamente mau,
rejeitável e abominável, portanto, incompatível com a matriz"

Além de enfatizar o que para a Ordem é a maneira como a Bíblia trata o tema, o documento critica a tentativa de alguns magistrados e grupos politicamente organizados de ignorar ou dar outro sentido para o que diz a legislação brasileira com relação à constituição familiar, que vincula a união legal entre "homem" e "mulher" como matriz da sociedade familiar.

O texto critica também a inclusão na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) do tema "ideologia de gênero" e "orientação sexual" para serem discutidos nas escolas.

"Veja que o termo “sexo” da Carta Magna é substituído na BNCC pelas expressões
“gênero”, além de mencionar “orientação sexual”, expressões estas que não têm
nenhuma ocorrência na Constituição Brasileira atual. Na Lei 10.406, de 10 de janeiro
de 2002, que institui o Código Civil Brasileiro as 15 ocorrências da palavra “gênero”
não têm nenhuma ligação à área sexual, sexualidade e mesmo orientação sexual", diz o trecho.


Sobre ideologia de gênero e diferenças entre homem e mulher


A Ordem dos Pastores Batistas do Brasil diz reconhecer às diferenças dos sexos, bem como a utilização do termo "gênero", porém, apenas associado ao sexo biológico. Neste caso, "gênero" diz respeito apenas ao masculino e feminino, ou homem e mulher. Isso, porque, segundo o documento, separar a identidade de gênero do sexo biológico é um equívoco, visto que o ser humano deve ser compreendido como um todo e a ele está vinculado, não podendo se separar "artificialmente":

"Entendemos as diferenças entre os sexos (masculino e feminino) e não aceitamos
qualquer forma de discriminação, preconceito e violência (doméstica, social, simbólica e
sexual) contra as mulheres ou homens, bem como defendemos a igualdade de direitos
sociais, trabalhistas, de respeito e outros, entre ambos os sexos.

Desta forma, não compartilhamos com a crença social, de que o ser humano é apenas
um "gênero" e que este "gênero" pode ser diverso e múltiplo, podendo o homem e ou a mulher
escolher esse "gênero" ou "outros gêneros" como substituto do sexo definido em termos
neurobiogenético.

Ao possuirmos diferente concepção, não estamos sendo preconceituosos, pois
estamos exercendo o direito de livre consciência e expressão e, assim, entendemos essa
abordagem como equivocada. Mais do que isso, acaba sendo ideológica, pois é impositiva
promovida por grupos que, contrariamente à Carta Magna, desejam desrespeitar a liberdade
de consciência e expressão, especialmente quando posicionamentos diferentes ao seu são
rotulados como "preconceituosos", em vez de serem tratados como livre expressão de
concepção própria ou coletiva."


Aspectos científicos contrários à ideologia de gênero, segundo a OPBB


A declaração da Ordem de Pastores Batistas do Brasil não se restringiu à esfera religiosa, apenas, mas abordou o tema "ideologia de gênero" também pela perspectiva científica, afirmando não haver respaldo científico para a promoção desse conceito, senão apenas como ideologia e não como dado científico consensual:

"ENTENDEMOS QUE

4.1 – A ciência não possui estudos conclusivos comprovados e representativos que
demonstrem alguma alteração morfofuncional cerebral que seja determinística, desde o
seu nascimento, naqueles que dizem ter tendência ou comportamento homossexual ou que
adotem outras “identidades de gêneros”. É necessário ainda considerar que afirmações
como as de que a identidade de gênero tem fundamentação cientifica, carecem da própria
segurança de pesquisa científica séria com reduzida curva estatística demonstrativa, sem
linha histórica de acompanhamento desde a infância, portanto, insuficiente para aplicar ao
gênero humano em sua inteireza populacional.

4.2 – Embora a Psicologia e a Psiquiatria tenham retirado a homossexualidade como “doença
mental” de seus compêndios, manuais estatísticos e códigos descritivos, entendemos que
a homossexualidade é tema também de outros campos de estudos e trabalho, tais como
da Teologia e da Ética, por ser um tema que está ligado ao relacionamento humano, não
podendo ser de exclusividade apenas daqueles campos de estudos, portanto, também
pertencente à agenda temática dos estudos religiosos e eclesiásticos;

4.3 – Que a normalidade da constituição sexual do ser humano é a heterossexualidade e que
a homossexualidade é desvio de finalidade sexual em relação ao plano da criação divina
para a raça humana e da construção neurobiogenética da pessoa;

4.4 – Que a pessoa, ao assumir a homossexualidade, poderá deixar esta condição ao se
converter ao Evangelho de Jesus Cristo, caminhando para sua transformação a partir dos
ideais éticos bíblicos e éticos;

4.5 – Que é nosso dever e direito expor a verdade bíblica e da ética cristã sobre este e outros
temas, sempre objetivando a restauração da pessoa por meio do Evangelho de Cristo, sem
promover ações discriminatórias ou preconceituosas.

4.6 – Quanto à identidade de gênero, o que se pretende atualmente é legitimar o conceito de
que a identidade psicológica de gênero seja diferente da identidade neurobiogenética do
indivíduo, portanto, nessa concepção, se o desejo do indivíduo for de não aceitar a sua
condição e predisposição neurobiogenética, tem o direito à “opção sexual” e escolher o que
melhor for para si em termos de gênero, isto é, tem o direito de escolher seu gênero, ou
outros gêneros conforme seus desejos, dentro dessa diversidade, pluralidade a orientação
sexual segue a mesma linha ideológica, esclarecendo que gênero e orientação sexual são
dois fatos diferentes, mas que acabam na prática se confundindo.

4.7 – Como se pode deduzir, é que toda essa argumentação passa a ser manuseio semântico
que pretende legitimar a homossexualidade, de modo que a pessoa não necessita se
submeter ao estabelecimento e predisposição e morfologia neurobiogenética.

4.8 – Defende-se ainda que a dinâmica e evolução cultural e antropológica abriram a
possibilidade da diferenciação entre a morfologia sexual e a identidade psíquica da pessoa
com aquele gênero. Ou seja, argumenta-se que pode haver uma contradição entre a
predisposição neurobiogenética e o gênero sexual ou sexo psíquico de preferência do
indivíduo, de modo que nem sempre a morfologia sexual poderá coincidir com a identidade
de gênero desejada pelo indivíduo.

4.9 – Essas abordagens, tanto a da escolha individual quanto a da cultural e antropológica, são
provenientes da legitimação do núcleo da Pós-modernidade (Hipermodernidade) em que a
fonte de verdade está no indivíduo e sua subjetividade, isto é, não há mais necessidade
que o indivíduo busque legitimação de seus atos fora de si (heteronomia), mas ele próprio
tem o direito de fazer suas escolhas a partir do que entende, sente ou acha que seja o
melhor para sua vida (autonomia). Assim, escolher gênero sexual (sexo psíquico) diferente
de sua morfologia sexual (sexo neurobiogenético) passou a ser socialmente justificável e
legitimado.

4.10 – Os argumentos favoráveis à escolha da identidade de gênero desconsideram que a
constituição neurobiogenética e a funcionalidade diferencial se tornam fatores fundantes e
identitários da pessoa, pois o homem tem uma constituição genética e neurológica (entre
outras) diferente da mulher e vice-versa. Então, a identidade de gênero, como tem sido
defendida, acaba reduzida a um recurso semântico-cultural-antropológico artificial que é
utilizado para se tentar legitimar, pela dinâmica ou evolução cultural, a contradição entre
identidade de gênero e sexo neurobiogenético."

Esse trecho continua até o item 4.16. Em seguida, a Ordem conclui o documento ressaltando o caráter conceitual da peça. Ou seja, eles deixam claro que a declaração se trata de - conceito - e não de preconceito, e visa contribuir para o esclarecimento da população, especialmente à comunidade religiosa das igrejas batistas no Brasil.

"TENDO EM VISTA ISTO AFIRMAMOS QUE

5.1 – Todo cidadão brasileiro tem o livre direito de consciência e expressão conforme temos
nos Incisos IV, VI, VIII e IX do Art. 5º da Constituição.3

5.2 – De modo algum a Ordem de Pastores Batistas do Brasil defende a intolerância ou
preconceito contra qualquer pessoa, inclusive as que desejarem seguir os indicativos
culturais ligados às alternativas recentes sobre a sexualidade. Entendemos que não há
preconceito com as conclusões aqui declaradas, mas conceitos, definições, compreensões
e proposições conforme pressupostos adotados. Neste sentido, não há qualquer
preconceito contra a homossexualidade, mas conceito, isto é, uma concepção sobre o tema
que se diferencia do que se propõem os meios massivos de comunicação e outros meios.
Por isso mesmo, não há aqui qualquer senso de intolerância, mas senso de inclusão
manifesto pelo amor ao próximo que se concretiza em sua transformação conforme os
ideais divinos da Criação a ser humano perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa
obra. (2 Timóteo 3.16,17).

5.3 – Entendemos que devemos aceitar todas as pessoas, sem distinção, e que, ao se
converterem ao Evangelho, as boas novas de salvação, alcancem a sua libertação e o
caminho para a sua restauração ao estado original da Criação pré-queda. Entendemos
também que os ensinos bíblicos são suficientes para indicar que as pessoas, depois de
convertidas ao Evangelho, devem deixar práticas contrárias aos princípios éticos bíblicos e
cristãos, sendo esse um dos papéis de apoio e suporte a serem exercidos pela igreja local,
em vez de abrir espaço para que continuem nessas práticas.

5.4 – Sendo assim, não comungamos com a promoção do que é chamado de diversidade ou
multiplicidade de gênero.

5.5 – Por fim, a Ordem de Pastores Batistas do Brasil entende que o Evangelho é superior à
cultura e que esta, embora real e concreta na existência humana, deve ser compreendida
à luz da essência da Bíblia, que sempre nos mantém a sua mensagem atualizada para
qualquer época, região ou cultura. Entendemos ser Cristo o transformador da cultura e,
neste sentido, a cultura traz a herança humana acumulada na linha do tempo, tendo
aspectos positivos e construtivos, mas também revela, em diversos sentidos, o estado de
contrariedade do ser humano desde a queda (Gênesis 3) contra Deus e seus princípios e
valores éticos e, que este mesmo ser humano poderá ser recuperado e a cultura poderá
ser renovada com o fim de glorificar a Deus e de realizar os seus propósitos, pois
acreditamos, conforme Bruce Nichols, que a norma de conduta da cultura hospedeira não
é o alvo, mas o ponto de partida. O Evangelho nunca é hóspede de qualquer cultura, mas
sempre o seu Juiz e Redentor.

A Comissão

Pr. Hist. Carlos César Peff Novaes,
Pr. Adv. Genilson Vaz,
Pr. João Reinaldo Purin Júnior
Prof. Dr. Luiz Roberto Silvado,
Prof. Dr. Pedro Moura
Prof. Dr. Lourenço Stelio Rega (relator)"

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Anônimo
13 de julho de 2017 07:01

O posicionamento de qualquer religião baseada em parte Bíblicas é normal e todo mundo sabe seus posicionamentos, pra mim é só mais uma bandeira que se ergue para dizer, Oi, também somos contra. Novidade nenhuma até aí.
O que me espanta é as pessoas para se sentirem santas perante as sociedades, não querem enxergar que existem sim pessoas de todos os tipos e gêneros. Ela foram criadas por quem ? Será que Deus as colocou aqui só para serem apedrejadas por vocês ?
Parem de olhar para as pessoas como se fossem melhores e estendam suas mãos e mostrem verdadeiramente quem foi e quem é Cristo Jesus.
Parem de fechar as portas, pois notarão que estão se trancando por nada.
Mania desse povo insistir em criar divisões ao invés de uniões.
Quero muito que exista um céu e que lá vocês se deparem e vejam o quão tempo perdido tentaram enganar a Deus dizendo que faziam em seu nome.
Continuam pedindo água e sendo negado.
Continuam pedindo pão e sendo negado.
Continuam pedindo um agasalho e sendo negado.
O que dizer então de quem pede somente um abraço e respeito por existir .
Vamos rever meus irmãos.
Em Levítico diz que posso vender minha filha. Que posso ter escravos, entre outras coisas.
Porque levar ao pé da letra uma constituição daquela época em que se apedrejavam pessoas em caso de adultérios. Nesse sentido é bom mudar, pois quantos de vocês não se casaram novamente ? A Bíblia não existe divórcio do Matrimônio e se separarem que não se unam com mais ninguém, pois estarão em pecado.
Vamos virar os holofotes para os outros, assim não seremos julgados, não é mesmo ?
Se falam de Cristo Jesus e em nome de Cristo Jesus, deveriam ser exemplos de pureza.
Se não são desse mundo e pregam isso, porque lutam contra quem quer somente uma vida digna e de reconhecimento ? Em que abala sua vida ?
Minha pergunta no fundo é só uma. Tudo isso é por Cristo mesmo ?
Sempre encontramos controvérsias .
Quantas pessoas se matando e é melhor fazer campanha contra tipos de famílias diferentes para mostrar o quanto somos melhores que elas.
Hipocrisia mandou lembrança . Cristo Vive e está vendo isso.
Olhem mais para seus lares e verão o quanto precisam arrumar suas próprias casas.

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