O conceito de humanidade está sendo extinto com a digitalização da vida


Em tempo de tantas desavenças e conflitos de opiniões, poucas atitudes contribuem mais para o nosso desenvolvimento do que a experiência da convivência. Mas, infelizmente, a convivência é algo que temos perdido cada vez mais, numa geração ditada por relacionamentos virtuais. Como isso afeta nossa percepção do que significa ser humano?

A humanidade é mais do que uma definição linguística. Não é, meramente, um termo que identifica uma espécie. Ser humano é pertencer a uma categoria de vida que ultrapassa o "simples" fato de ocupar um lugar no espaço. Nós "somos", porque temos consciência de que existimos, construindo a partir disso essa coisa que chamamos de "sociedade" e de "vida".


Nada disso seria possível sem a relação com o próximo. O conceito de humanidade não teria evoluído sem a necessidade de convivência. Sem o outro diante de nós para nos dá referência de como agimos, acertamos, se erramos, o que é necessário, sobre o que pensar. Tudo isso está sendo posto em cheque, inacreditavelmente, com a evolução da tecnologia.

A interação humana é a mais importante condição para definir o que nos torna humanos, compreendendo o outro com mais precisão, acerca do que, para ele, é uma necessidade tanto quanto a minha. O que é um "valor" não artificial ditado, por exemplo, por uma moda passageira, mas uma construção de saberes ao longo de centenas de anos.

O conhecimento fragmentado e pronto da internet aliado a recursos de relacionamentos virtuais instantâneos, têm produzido uma geração que possui muitos "contatos", mas não convívio. A gravidade disso está na importação desse padrão, anteriormente restrito ao mundo digital, para a vida real.

Na prática, as pessoas é que estão sendo "digitalizadas" sem perceber. Emoções, expectativas, ideias de valor, consumo e poder, tudo está sendo transferido para o mundo virtual. Neste sentido, o que é ser humano? Se o que somos é caracterizado pela convivência com o outro, é fácil entender que à medida que deixamos de ter o outro como referência, para substituí-lo por uma tela, deixamos de ser humanos. Nos tornamos parte da máquina!

Por fim, os resultados disso é que conhecemos cada vez menos o que é "ser humano", visto que estamos nos tornando "funcionais", mas não "relacionais". Úteis, mas não valiosos e únicos. Devido à isso, desaprendemos a respeitar, tolerar, reconhecer limites, perdoar, se colocar no lugar do outro, uma vez que esse "outro" fica cada vez mais distante. Se hoje estamos assim, como será o dia de amanhã?


Por: Will R. Filho

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