Quatro maneiras de evitar problemas emocionais com seus filhos



Esse texto é uma parte extraída da matéria onde tratamos como os pais devem lidar com seus filhos para evitar o "jogo" Baleia Azul. As quatro maneiras de evitar problemas emocionais com seus filhos seguem os mesmos princípios, uma vez que diz respeito à mesma dinâmica familiar.

01 - Escute mais, fale menos e demonstre afeto

Conversar não é apenas sentar e falar, mas principalmente saber ouvir. Muitos pais menosprezam às experiências, pensamentos e desejos dos seus filhos. Às vezes, minimizam o seu sofrimento apenas por acreditar que os problemas deles são insignificantes perante os seus. Ora, é um erro comparar sua condição à do outro. Ambos, pais e filhos, passam por contextos diferentes na vida, de modo que os problemas assumem o tamanho do sofrimento que é proporcional à maturidade de cada um.


Não queria desdenhar do sofrimento do seu filho(a) apenas porque considera os seus muito maiores, pois a maturidade que ele possui (o filho) é proporcional à sua maturidade e CONTEXTO onde vive, levando em consideração a época e costumes de cada geração.

Sendo assim, aprenda a escutar. Os jovens dessa geração estão "lotados" de informações, bombardeadas pela mídia, e não saber como processar e lidar com todas ao mesmo tempo é uma das coisas que têm produzido sintomas como a ansiedade, "hiperatividade" e até mesmo a dita "depressão", também por não conseguirem digerir tudo isso.

Falar e se expressar é uma das formas de lidar com esse problema, mas para tanto os pais precisam demonstrar serem receptivos, acolhedores e PACIENTES, demonstrando interesse e afetividade para os filhos. Por interesse, me refiro a não esperar a iniciativa dos filhos, mas ter você mesmo(a) essa atitude, diária de preferência. Lembre-se que esta geração não é encorajada a enxergar nos pais (na família) o "porto seguro" onde deva confiar. Eles recorrem, antes de tudo, à internet, depois às amizades reais (quando existem).

02 - Priorize seus filhos para que tenham seu "valor" como referência

Uma das questões que mais chama atenção de jovens em sofrimento emocional é a sensação de não estarem recebendo atenção suficiente de seus pais. Isso muitas vezes se manifesta na forma da frase "eles não me entendem...". Cuidado! Muitas vezes essa afirmação corresponde aos fatos, pois a compreensão requer intimidade, diálogo e confiança, coisas que nem sempre você transmite com o excesso de conversas superficiais, mas com sua PRESENÇA afetiva e moral em várias circunstâncias da vida familiar.

A sensação de não ser compreendido(a) e/ou ouvido(a) é o que leva muitos jovens a tomarem atitudes drásticas, apenas para chamar atenção dos pais e serem ouvidos. A automutilação, por exemplo, como alguns comportamentos e estilos visuais considerados "radicais" são, algumas vezes, uma forma de linguagem comportamental que visa comunicar aos pais (a sociedade) o estado emocional que tal pessoa se encontra.

A mensagem muitas vezes transmitida, embora não racionalizada pelos filhos (eles geralmente apenas sentem o desconforto. Sabem que há algo de errado, mas não compreendem), é muitas vezes um reflexo do que eles sentem como "falta de valor próprio". Isso, porque, quem dá esse valor é o olhar do "outro", nesse caso: os pais!

Se os filhos não sentem que estão sendo priorizados, consequentemente não se sentem valorizados. Dessa forma, eles buscam outros meios de buscar esse "valor" não conquistado, de várias formas. É ai onde entram as "modinhas" de grupos, tanto no mundo real como na internet, que podem ser positivas ou destrutivas. Elas, na prática, servem como substitutas do referencial afetivo que o jovem não encontrou em sua casa, lhe dando a sensação de ser "aceito" e "acolhido", ao se identificar com outros que vivem nas mesmas condições que ele.


03 - Cuidado não é oferta de material, mas de orientação e relacionamento

Alguns pais questionam os problemas dos filhos achando que estão sendo cuidados simplesmente porque possuem uma boa escola, boa casa, conforto, tudo o que desejam, etc. Um tremendo engano! O cuidado familiar não está associado a isso, apenas, mas principalmente à sua capacidade de orientação e relacionamento.

Perceba como a cultura vigente pode ser nociva para a concepção de cuidado familiar, pois ela tem dito que os pais não devem "orientar" seus filhos. Há, de forma implícita, um discurso que visa tentar retirar dos pais a autoridade sobre o cuidado dos filhos, especialmente no que compete às questões éticas e morais. Devido a isso, temos visto uma geração de jovens que não sabem o que é "frustração", porque tiveram pais que não aprenderam a importância de dizer "NÃO" aos filhos.

"Sim" e "Não" caminham juntos na orientação dos filhos e precisam estar em equilíbrio, de acordo com os preceitos éticos e morais da família. Quando isso fica em desarmonia, a relação do cuidado começa a se perder, pois cuidar implica, principalmente, em orientar. Todavia, como orientar sobre algo que não sabemos mais definir se é bom ou ruim, certo ou errado? Essa é a geração "metamorfose ambulante", cada vez mais refém do relativismo radical.

Para vencer isso, os filhos precisam de orientações e isso significa transmitir para eles o que é bom ou ruim, certo e errado, normal e anormal. A ausência dessas informações, de forma CLARA e sólida, é o que produzirá neles um mar de incertezas que poderá vir à contribuir com sua crise de identidade no mundo. Todavia, nada do que você disser fará sentido se não for resultado de uma vivência. Ou seja, você precisa se RELACIONAR.

A autoridade das suas palavras e a consequente transmissão de valores para os filhos não está na assertividade dos seus conceitos - apenas - mas, principalmente, na maneira como você os demonstra no dia-a-dia com seus filhos, ao lado deles. É a interação de "conceito + relacionamento" que produz o "valor", sendo isto a referência que seu filho vai ter- de você - ao longo de sua vida. Sem isso, ele será uma folha em branco servindo de rascunho para qualquer oferta de referência, positiva ou negativa.


04 - Alimente sentido para a vida dos seus filhos

Todo ser humano vive em torno de algum sentido. Mesmo quem nunca parou para pensar nisso, um dia irá se perguntar qual é o sentido da sua vida. Nós, como seres racionais, não vivemos em função do "nada". Precisamos alimentar nossos sonhos e expectativas, e por não vivermos em função de "instintos", mas apenas por impulsos fisiológicos básicos, fica à critério dos "sentidos" a grande motivação pela vida. Não é por acaso que em acordo com esse conceito Viktor Emil Frankl elaborou a "Logoterapia", abordagem essa da Psicologia que explora a busca do sentido como forma de lidar com dilemas humanos.

É nesse contexto que entra, por exemplo, a importância das religiões, da realização profissional, da superação física, por exemplo, através de algum esporte, da inovação e criatividade através das artes como a música, pintura, literatura ou tecnologia, etc. Em tudo isso é possível encontrar algum sentido para nos motivar. Destes, penso que o maior e mais fundamental é sem dúvida o "sentimento religioso", que não trata de uma religião enquanto sistema organizado, mas sim de uma noção implícita em todo ser humano de que existe uma razão pela qual devemos fazer o que é certo ou errado.

Todavia, a busca pelo sentido, especialmente o religioso, tem sido desvalorizada em nossa cultura, comprometida pelo imediatismo e pelo que chamo de "ser utilitário" em face aos avanços do globalitarismo.

A concepção de realização, como algo além da mera aquisição de posses e conquistas, está sendo perdida. O materialismo, de fato, e o desprezo por heranças históricas de caráter imaterial, assentados em tradições culturais, éticas e morais milenares, estão sendo diminuídos ante uma cultura cada vez mais impessoal, onde as "utopias" e "sentidos" humanos são desvalorizadas perante o "aqui e agora".

Sendo assim, o que é a morte ou a vida? O que nos faz insistir numa vida de sofrimento, quando a morte parece ser uma ótima proposta de solução para uma vida que já não possui sentido? Percebe como é fácil para uma pessoa, especialmente jovens em sofrimento emocional, acharem no suicídio um meio "justo" para abandonarem essa vida, quando acreditam que ninguém ou nada mais podem lhe ajudar?

Portanto, alimente sentido a vida dos seus filhos. Incentive e dê condições para que pensem além do "ter" e do "aqui e agora", de preferência, sendo você mesmo(a) a fonte de "valor" que serve para eles de referência sobre como devem encarar o mundo. É Deus o seu sentido? Então transmita isso a eles, ensinando-os a importância disso na maneira como vive. Invés de procurar desconstruir o que é motivo de esperança para seus filhos e o mundo, colabore para sua fundamentação. Da mesma forma, faça o mesmo com o que para você for motivo de "sentido", ainda que isso represente uma busca contínua em torno dessa compreensão.


Por: Will R. Filho

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